Arquivo da tag: poeta português

Espera


Horas, horas sem fim, pesadas, fundas, esperarei por ti até que todas as coisas sejam mudas. Até que uma pedra irrompa e floresça. Até que um pássaro me saia da garganta e no silêncio desapareça. Eugênio de Andrade De As … Continuar lendo

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A Casais Monteiro, Podendo servir de Epitáfio


O que dói não é um álamo. Não é a neve nem a raiz da alegria apodrecendo nas colinas. O que dói não é sequer o brilho de um pulso ter cessado, e a música, que trazia às vezes um … Continuar lendo

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Desde o Chão


A pele porosa do silêncio agora que a noite sangra nos pulsos traz-me o teu rumor de chuva branca. O verão anda por aí, o cheiro violento da beladona cega a terra. Cega também, a boca procura trabalhos de amor. … Continuar lendo

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Epitáfio


Barcos ou não ardem na tarde. No ardor do verão todo o rumor é ave. Voa coração. Ou então arde. Eugênio de Andrade

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Metamorfoses da Casa


Ergue-se aérea pedra a pedra a casa que só tenho no poema. A casa dorme, sonha no vento a delícia súbita de ser mastro. Como estremece um torso delicado, assim a casa, assim um barco. Uma gaivota passa e outra … Continuar lendo

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As Palavras Interditas


Os navios existem, e existe o teu rosto encostado ao rosto dos navios. Sem nenhum destino flutuam nas cidades, partem no vento, regressam nos rios. Na areia branca, onde o tempo começa, uma criança passa de costas para o mar. … Continuar lendo

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Sul


Era verão, havia o muro. Na praça, a única evidência eram os pombos, o ardor da cal. De repente o silêncio sacudiu as crinas, correu para o mar. Pensei: devíamos morrer assim. Assim: explodir no ar. Eugênio de Andrade De … Continuar lendo

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Os Amantes sem Dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava. Tinham lendas e mitos e frio no coração. Tinham jardins onde a lua passeava de mãos dadas com a água e um anjo de pedra por irmão. Tinham como toda a gente o … Continuar lendo

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Sobre o Caminho (O Branco Fogo do Trigo) de Eugénio de Andrade


Nada. Nem o branco fogo do trigo nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros te dirão a palavra. Não interrogues não perguntes entre a razão e a turbulência da neve não há diferença. Não colecciones dejectos o teu destino … Continuar lendo

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