Cap 10 – Porque só Passamos pra outro nível Quando Aprendemos Este


O sol iluminava o jardim, entrava pelos vitrais, espargindo pelas gotículas jateadas das janelas. A brisa balançava sorrateira a trepadeira de flores vermelhas em seus muitos ramos que se esgueiravam para o telhado. Selma acordou devagar, sem mexer os músculos do corpo mediano, abriu os olhos lembrando que era sábado e havia o direito inquestionável de ficar ali quanto tempo quisesse. Os olhos castanhos escuros emoldurados no rosto claro de proporções harmônicas nos traços sorriram ao notar o bem-te-vi que adentrara o quarto e caminhava saltitante próximo às flores que ela comprara no dia anterior:  um ramalhete misto de jasmins e lírios que ornava o vaso de porcelana chinesa com sensíveis desenhos à cultura sino: finos lenços de seda voejando em movimentos de encanto na mulher de rosto arredondado e longos cabelos negros, lisos e armados, na mais tradicional imagem da mulher oriental. O pássaro visitante tornava a cena ainda mais interessante, bicando a porcelana. Selma tentou permanecer o mais quieta possível pra contemplar a cena pelo tempo que durasse, sabia que uma respiração mais ofegante e seu ilustre amigo emplumado iria longe. Não precisava de mais pessoas distantes, pensou rapidamente. Incrível como à ação mais corriqueira, ao pensamento mais comum, tudo se mesclava com a necessidade que sentia de ter notícias de Tales. O amigo alado havia perdido toda a atenção da jovem que completaria seus 30 anos dali a duas semanas. Como ele estaria? O que estaria fazendo? É certo que tinha uma idéia da sua rotina, pelo que a mãe dele comentava quando ia cuidar do jardim – ou seria mais adequado dizer, quando ia rememorar os bons anos que passara no sobrado? – mas, nada mais concreto. Desconfiava que D.Mércia notara seu profundo interesse quando falava do filho, a desdém de outros assuntos corriqueiros que não lhe faziam largar os pincéis, nem borrar as imagens como já acontecera ao subitamente o nome do rapaz entrar na conversa. Mas Selma sabia que não podia, não devia demonstrar à senhora a extensão do seu interesse sobre o moço, ou perderia as raras informações que ainda tinha dele, conhecê-lo sob a ótica de sua genitora, era como se pudesse estar mais perto dele e, a cada história narrada de sua infância, juventude, interesses, era como se estivesse de câmara assistindo a cada espasmo, suspiro, movimento, olhar, sorriso. Era como se um véu se interpusesse entre passado e presente, espaço, como se pudesse presenciar a cena, distraía-se totalmente até ser despertada do devaneio pela interlocutora.

Levantou-se, completamente esquecida do pássaro que voejou ao seu movimento. Colocou o hobby sobre o pijama bege de miúdas flores vermelhas, foi até ao banheiro, observou-se ao espelho. Notava que apesar de entrar na idade balzaquiana, à qual já se preparava pelos últimos três anos, o rosto como que adquirira nova expressão, vitalidade. A pele sustentava uma energia apesar do cansaço e do sono, que visivelmente contrastava com o rosto da Selma casada. Era outra. Era nova. Era ela. Tornar-se senhora de si após anos de auto-olvido implicava conhecer, amadurecer. Algumas coisas ela conseguia com naturalidade, noutros aspectos porém tinha que educar-se, convencer-se que podia, levantar a estima, enxergar-se no meio do que acontecesse.

Completara a higiene matinal. Os longos e pesados cachos castanhos eram penteados e armados numa trança lateral que acabava logo após as costelas, e até ali, a imagem de Tales a acompanhava. Era o mesmo penteado que usava quando ele a visitara pela primeira vez. Apreciava-se diante do espelho, ignorando a própria imagem e mais uma vez revivendo mentalmente outro episódio que tivera em sua companhia.

Aquele tipo de situação se tornara uma constante. A imagem do moço era tão forte, tão presente, tão assídua que era como se pudesse senti-lo perto dela, envolvê-la, abraçá-la, sorrir com ela, sorrir pra ela. Podia sentir aqueles olhos suaves, porém profundos ainda que tímidos de Tales a adentrar-lhe a alma e deixar-lhe completamente rendida. Quando estava em algum pensamento profundo, alguma dúvida, alguma questão, surgia-lhe de repente uma opinião, como se ele adentrasse o local, aproximasse-se dela a falar-lhe, ela sorria e entretinha alguma conversa mental com ele, de fato, como se fosse sua presença material ali.

Estancou diante da pia, pôs as mãos a segurar-lhe todo o peso do corpo e da alma na bancada, abaixou a cabeça, demorou alguns instantes assim, com os lábios de coração a serem mordidos superior contra inferior, repreendendo-se sobre aquelas atitudes, devia parar, devia livrar-se, devia esquecer… Mas como? Se entretinha com suas telas, com as atividades de casa, com a creche, com Julia que vez ou outra lhe acompanhava pra casa até o dia seguinte quando retornava à creche, conforme a diretora lhe sugerira; saía raramente com Débora, conversavam com um pouco mais de freqüência. Tornara-se mais íntima da tecnologia e já se atualizava do mundo pela internet e pensava como seria feliz se piscasse um email na sua tela vindo da Europa, não de Mme. Petra, mas de Tales. A esta altura, todos já deviam estar a par da imensa coincidência da antiga vizinha de d.Mércia, a atual moradora do Sobrado da Vila Roseta, ser a moça que a irmã Marchand conhecera na festa da empresa de advocacia e ser a mesma que assoberbava Tales com os cuidados do jardim, com suas parcas vocações à botânica. Pensava em tudo que poderia ter acontecido, imaginava os diálogos que poderiam ter sido travados, mas nenhuma das correspondências virtuais de Petra trazia algo sobre Tales, falavam de trabalho, de arte, de conhecimento, de história, de atualidades, até das atividades da marchand na companhia do embaixador, seus passeios românticos e o convite à voltarem ao Brasil em definitivo e fixarem moradia, já que estava chegando o momento de sua aposentadoria e serviços estrangeiros à Pátria, ao que a comerciante de quadros ainda se mantinha arisca, já que a Europa e seus museus tinham virado seu lar. Não saberia ficar longe das suas atividades. A amizade entre elas se estreitara, mas até onde poderia Selma abusar disso pra ousar perguntar pela única coisa que de fato lhe importava?

Levantou a cabeça, colocou singelos e pequenos brincos de pérola, o relógio, buscou seus cômodos trajes em cambraia, as tradicionais calças e camisetas. Poderia ir fazer uma visita arqueológica com aqueles modelos em cores cáqui e branco e as tranças inseparáveis. Um fedóra na cabeça e era a própria ajudante do Indiana Jones[1], não fosse sua completa falta de jeito pras aventuras do personagem.

Pensou em fazer um diário. Mas o que escreveria? Queria falar todas as coisas que desejava compartilhar com ele, mas, seu dia a dia era tão repetitivo que era fácil adivinhar o que estaria fazendo: ou lendo, ou desenhando, ou vendo um filme, inevitavelmente com a companhia da lembrança dele em qualquer que fosse a atividade. E Tales? Haveria algo diferente do que ela sabia da sua rotina?  Trabalhos, família, filmes… Ria. Chegava a ser hilário que não tivesse muitas alterações de comportamento, salvo raras exceções. Interessante como não lhe passava a traça do ciúme em todo esse tempo, não que o imaginasse celibatário, em absoluto, mas, tinha adquirido a consciência de que não se deve cobrar nada absolutamente a ninguém, quanto mais expectativas, possivelmente, mais decepções e ele era sua melhor idéia do amor, tinha bom coração, bom caráter, era presente ainda que silencioso, tinha um sorriso de menino que ela adorava, algumas vezes soltava alguma opinião mais ácida, mas passível de que ela ignorasse. Nunca havia pensado em como poderia conhecer defeitos e virtudes de alguém e ainda assim essa pessoa se tornasse o ideal de companhia. E quando pensava em companhia, não se prendia a vínculos formais impostos pela sociedade, nomes para tudo, que eram completamente descartáveis se não fossem presididos pelo amor, respeito, carinho mútuo, qualquer relação que se estabelecesse. Não, Selma não pensava se casaria ou não, se teria ou não filhos, se teriam que decidir as viagens de férias ou a cor das persianas, nada disso. Tudo isso era sem sentido, efêmero. Ela queria o passeio do fim da tarde, a areia sob os pés soçobrados pela bruma do mar. Queria as risadas, as histórias, os pensamentos, as idéias, os diálogos, queria o que tinham quando ele estava junto a ela. Queria aquilo. Queria ser presenteada com a companhia dele, com o sorriso, com uma piada sem graça, com uma atividade qualquer, com o encontro das mãos quando lhe ensinasse algo no jardim, queria aquele olhar que lhe penetrava a alma e lhe fazia sentir em paz consigo. Queria ver o tempo passando, sentar na grama e falar de coisas sem pressa, sem seriedade, apenas ser.

Desceu as escadas descalça, como era seu hábito em casa. Preparou uma xícara de achocolatado e pôs-se a decidir o que faria primeiro, encostada à bancada central da cozinha. Escolheu começar pela correspondência, foi quando deu de cara com o tal pacote que entregaram na creche, endereçado a ela. De quem seria? O que traria?

Sentou-se à escrivaninha e pôs-se a desembrulhar o pacote. Surpresa e sorriso lhe acenderam as faces descoradas de saudade, eram fotos de sua juventude, cartas, papéis, o pacote trazia 15 anos no tempo, estudante, os amigos, as brincadeiras, os namoros… Mas apenas duas pessoas podiam ter aquilo: Rogério ou Eduardo. Recostara-se rindo tentando descobrir em meio a tantas coisas qual deles lhe enviara aquilo e como a descobrira ali. Que se Rogério era “exímio investigador” pra sempre lhe achar os passos, Eduardo era seu companheiro de futebol, de profissão e o outro lado da moeda do tempo em que Selma e Rogério namoraram. Se um levava o título, o outro fazia com que ela topasse aventuras, como fugir sob a chuva, esconder-se no primeiro abrigo e trocarem sorrisos, beijos e histórias que não contavam nem ao namorado dela, nem à namorada dele. “Um bilhete!” surpreendeu-se. Abriu:

“Por que você sempre será a namorada ideal porque nunca foi de verdade. Ainda guardo a rosa. Te encontro no lugar que era nosso, durante a festa de egressos da escola. Não falte.”

Não precisava estar assinado! Era Eduardo! Ria. Ria porque era uma daquelas lembranças da juventude que a gente nunca se desfaz. Nunca entendera porque haviam se enrolado tanto por algo que podia ser mais simples, porém, talvez não tivesse tido o gosto do encanto e da diversão se tivesse sido o que sempre espera se faça. Com ele ela jogara basquete, ou tentara. Com ele conhecera Paulo Coelho[2], enquanto Rogério ficava com o grupo de pagode… Com ele assistia jogos dos campeonatos em que o outro participasse. Com Rogério ela dava as mãos quando ele passava com a namorada que afirmava: levaria ao altar. Coisas que só os nossos quinze anos fazem por nós. Ele um pouco mais velho, assim como Rogério.

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Festa de Egressos! Fazia tanto tempo não participava de uma! Era uma delícia! Rever as amizades, lembrar histórias hilárias, encrencas, provas, professores, temores… Nada como relembrar a adolescência! Achamos que temos o mundo todo nas mãos, que a vida vai nos estender um tapete vermelho, que seremos sempre lindos, charmosos, teremos dinheiro, posição, profissão, que tudo vai dar certo. Somos o mix do otimismo e presunção. Somos os seres mais sábios do Universo, justo porque não conhecemos nada dele além da nossa circunferência. Selma refletia sobre tudo isso, sobre quem era, como era, o que fazia, o que pensava, planos, sonhos, desejos, vontades, histórias, expectativas… Nunca tivera imaginado que tempos depois, estaria ali, sozinha, sem uma profissão e com um relógio que o mecanismo não fazia tic-tac, mas ta-les, ta-les, ta-les…

Lembrava dos anos posteriores, dos projetos com a música clássica, dos testes corais, de orquestra, das aulas abandonadas por desacreditar dos sonhos. “Não se pode viver de música, maestro” dissera certa vez, recebendo não uma reprimenda, mas um olhar de tristeza do mestre que tirava seu sustento e fôlego da música. Selma abdicara da vida que realmente queria ter, desistira, não lutara. Abandonara a música, como intentara nunca seguir com suas telas, mesmo recebendo palavras de incentivo. A estima nunca tinha sido sua amiga, ou talvez ela sempre se mantivesse em alerta contra os sonhos. Nada de amor verdadeiro, eterno, nada de “felizes para sempre”, nada de vestido branco e altar, nada de crianças correndo à sua volta e reuniões pais e mestres. Algo estancara dentro de si com a morte da mãe, as mudanças do pai que a fizeram acreditar que a vida era o que se fizesse dela a partir daquele instante. De fato, era, seria. Pena que não acreditara em si o suficiente pra fazer da vida o que podia, mas deixou-se moldar e acorrentar pela mediocridade do povo comum à sua volta. Agora se via como uma fraude, uma decepção. Aquela de quem sempre se esperou tanto e que dera em nada. Selma sentia-se um fracasso e suspirava:  Como podia pensar em ser uma companhia pra Tales se não conseguia ser uma companhia pra si mesma? Muito provavelmente os conceitos gerais estivessem certos:  Ela não era mulher pra ele, provavelmente, não era pra ninguém, afinal, nem Marcus conseguira permanecer em sua companhia. Pegara todo o negativismo que abalara o pai diante da vida e recheara-se com ele. A tal racionalidade e frieza serviram pra duas coisas: congelar-lhe as mãos pra não construir seus sonhos, empedrar o coração pra que acreditasse que não valia a pena sentir. Agora estava desacreditada de si como pessoa que podia alcançar seus objetivos, sonhos e viver um amor de verdade, ainda que este lhe pulsasse ao peito, mas ela nem conseguia acreditar nele de fato:  era mais fácil tentar encontrar uma rota de fuga daquilo com que não conseguia lidar. Mas a beleza da vida é justo ela não nos deixar estancar, não nos permitir estagnar, podemos até protelar, adiar, fingir esquecer, mas sempre chega a hora em que ela nos dá um empurrão, um pontapé que nos porá em caminhada novamente, porque não fomos criados pra sermos estátuas sem cor e brilho, mas anjos reluzentes de sabedoria e amor. A vida não nos poupa para o nosso próprio bem. Diversas escalas de engradecimento da alma, os níveis se sucedem e não param nunca, alcançando-os, nos amamos mais porque nos realizamos, cumprimos aquilo para o que fomos predestinados: sublimação.

Respirara profundamente. Devia tomar uma atitude diante da vida. Aquela revolução devia começar já.

Guardara o conteúdo do pacote com um sorriso terno, prendendo na agenda o convite pra Festa de Egressos, próxima a seu aniversário.

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Mal pusera o pacote numa gaveta da escrivaninha, a campainha toca.

– Quem pode ser?

O bom humor lhe tomara de tal forma depois daquelas lembranças e resoluções que não ia se deixar abalar por nada. Que susto toma ao abrir a porta! Surpresas em dose dupla! Atrás de um ramalhete de rosas vermelhas (que ela odiava), surgia o sorriso desconcertado de Rogério que não sabia se seria enxotado ou convidado a entrar. Selma pra ele era sempre um enigma.

Sem pegar as rosas, ela fingiu não reconhecer e disse:

– Pois não?

– Oi….

– Acredito que se enganou de endereço, moço. Aqui não teve nenhum pedido de flores. Aliás, sou fiel à mesma floricultura faz um tempo… Está fechada no momento, o dono viajou… Mas, não abro mão do serviço deles.

– Você não tá me reconhecendo Selma?!

– Ah….nããããoooo….. deveria?

– Nossa! Imaginei que eu fosse uma lembrança melhor… E se eu fosse da concorrente já tinha decretado falência depois dessa homenagem toda a essa tal floricultura…

“Pois devia decretar pra si”. Pensou.

– Então, diga, eu lhe conheço?

– Selma! Você tá brincando, né? Já entendi:  você tá brincando comigo como sempre!

“Nããããoooo, estou lhe desprezando como sempre…”. Outro pensamento silencioso.

– Ah! Rogério! Mas o que você tá fazendo aqui?

– Não vai me convidar pra entrar?

– Não. Você sabe que não recebo visitas a não ser que eu convide. Além do quê, como vou explicar pro meu namorado sua visita súbita aqui?

– Namorado?!

“Sempre funciona.” Gracejou para si mesma.

– Então, Rogério? A dona das flores já deve estar chateada com seu atraso.

-Ah….

– Você não esqueceu que eu detesto rosas, não é?

-Ah, é mesmo, né? Poxa! E eu que estava tentando ser romântico…

– Vai mesmo esperar ele vir até aqui perguntar o que está acontecendo?

“Ai, meu Deus! Eu devia ter uma gravação nessas horas!”. Suspirou internamente.

– Eu vim aqui te convidar pra Festa de Egressos que vai ser…

Selma interrompeu-o, mostrando o convite na agenda.

– Eu já tomei conhecimento, Rogério. Até lá, se eu for. E agora, eu REALMENTE preciso subir, só tinha vindo buscar algo pra Tales.

– Tales?

– Sim, o meu namorado que está me esperando lá em cima.

– Ah… então é verdade? Não foi uma das suas desculpas?

“Seja convincente, Selma. Seja convincente!” Repetia-se.

Ficou a fitá-lo desafiadoramente.

– Entendi. Eu já vou. Bom sábado com seu namorado.

– E nem pense em largar essas flores no meu gramado.

– Claro. Disse Rogério já de costas partindo.

Fechou a porta, encostou-se nela e suspirou. As mãos suadas do susto esfregando na cambraia que lhe cobria as pernas.

Dirigiu-se até o espelho. Olhou-se de frente, de perfil, de costas, tinha que checar se estava em condições de ir rever todo aquele povo. Sim, gostou do que viu. As pernas ainda lhe permitiam um vestido acima dos joelhos, o colo, um decote modesto, mangas ¾ ou japonesa? Outra hora pensaria no que vestir. Uma coisa era certa: Iria, mas iria só. Nenhuma outra companhia lhe agradava depois de conhecer Tales, ainda que nunca tivesse acontecido um só momento de romance… Mas não era apenas uma escolha sua, era uma escolha da sua alma, do seu corpo, dos seus lábios e desejos: Não queria mais ninguém a compartilhar-lhe a intimidade dos pensamentos, da casa, dos sonhos, do quarto, ninguém. Ninguém tinha credenciais para, além do florista-arquiteto.

Algumas horas depois. O telefone começa a berrar-lhe. Atende. O sábado estava decidido a não ser calmo como planejara.

– O que foi? Que desespero é esse essa hora?

– Vou viajar.

– Ah, que bom! Sorriu.

– Com Fábio.

– COMO?!

– O que você ouviu.

– Você não está falando sério! Disse agastada.

– Eu, nós, bem, ele tava insistindo pra que eu fosse receber uma lembrancinha que tinha comprado pra mim, fui, conversamos e estamos repensando a vida.

– Muito convenientemente agora que sua vida deu um salto!

Silêncio.

– E Ricardo?

– O que você quer Selma? O que eu posso esperar do Ricardo? Nós trabalhamos juntos, ele foi gentil, só isso. O Fábio eu já conheço, sei onde estou me metendo, sei o que posso esperar, com quê posso me decepcionar… Sem surpresas.

– Não acredito nisso. Você simplesmente cortou o coitado do Ricardo depois daquela manhã só porque – MUITO CONVENIENTEMENTE – o Fábio aparece no dia posterior à sua condição de sócia da firma!

– Já estou tratando da situação com o advogado do Marcus. Vamos esperar ele se decidir por uma ação pra nos posicionarmos, enquanto isso,…

– Entendi. Vou respeitar sua vontade. Eu vou estar por aqui mesmo…

– Quando eu voltar, falamos.

– Sei.

Débora simplesmente sumia toda vez que estava na companhia de Fábio. Ele lhe podava todos os contatos, toda a vida social, além dos progressos. Era um sanguessuga emocional.

“Enquanto viaja, vou eu mesma ao escritório conversar com “o sócio” dela… se eu notar que não há esperanças… mas isso não fica assim.” Planejou.

Talvez desistisse do plano. Afinal, com o passar do tempo aprendera que as pessoas, bem, as pessoas ouvem o que querem ouvir, acreditam no que querem acreditar, vêem o que querem ver somente. Débora não era exceção e Selma estava cansada de alertá-la sobre tudo no quesito Fábio.

No computador, as notícias de Marina continuavam no mesmo teor. Pedira afastamento da Cruz Vermelha pra acompanhar a família. Léo estava na casa do pai, em Florianópolis.

D.Mércia andava estranha, calada, sumida. Quis perguntar, mas achou que não devia.

 

 


[1] O lendário personagem criado por Steven Spielberg e George Lucas, divide-se entre ser o pacato professor de arqueologia e o aventureiro de chapéu, pistola e chicote que enfrenta forças diversas pela conservação de relíquias e os segredos inerentes a estas. Nesse universo sem rotinas, Indy, ainda enfrenta problemas de relacionamento com o pai, também arqueólogo e depois com o filho que desconhecia com um grande e velho amor da juventude, abandonado pela sede de aventuras. Cada história além de conhecimentos históricos imiscuídos de ficção, romance, possibilidade de poder e  riqueza disputados e defendidos, Indiana aprende uma lição de vida nova. Harrison Ford (Chicago, *13/07/42) imortalizou a imagem do herói bem humano que é Indiana Jones.

[2] Paulo Coelho de Souza, Rio de Janeiro *24/08/1947. O ocupante da 8ª. Cadeira da Academia Brasileira de Letras com 13 livros de sua autoria, 07 compilações e 02 adaptações bibliográficas. Compôs em torno de 60 letras de músicas com Raul Seixas, fez versões brasileiras de sucessos internacionais pra diversos intérpretes além de composições próprias pra vozes de destaque na MPB, além de outras funções no mundo musical, teatro, jornalístico e televisivo, também foi ator na juventude. O Conselheiro Especial da UNESCO e – talvez – maior controvérsia da crítica nacional, tem imagem completamente sólida fora de sua terra natal, o que se espelha nos prêmios internacionais que recebeu, mais de 66, além de ser listado como Best-seller em diversos países, já tendo, inclusive, ao menos, quatro obras sendo trabalhadas para o cinema por grandes estúdios.

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