Cap 09 – Ser Como o Rio que Flui


– Selma! Selma! Depois das atividades venha aqui na secretaria!

Selma acenou positivamente para a diretora da creche. Dia a dia mais envolvida com as atividades do local e acompanhando as reuniões do Centro Espírita que conhecera por D.Mércia, estava num estado de espírito que conhece a paz interior, aquela que reina mesmo em tempos de guerra, a que concentra e foca no objetivo, sem perder a nobreza, o caráter, os valores das pequenas e simples coisas da vida. Sentia-se feliz, bem, mesmo sem o homem que amava, em sua alma tinha a certeza inequívoca que na distância, que no tempo, no silêncio, Tales a amava, ficarem juntos era outra história, ela tinha ciência de que sua vida não era a mais simples possível e que havia todas as possibilidades dele estar “tocando a vida”;  mesmo com as dores de cabeça das exigências de Marcus, que agora aparecia de súbito na casa dela com mais provocações, tentativas de chantagem (agora ele descobrira a renda que o pai deixara-lhe pós morte e queria a parte dele daquilo, afirmava-se com direitos sobre);  meditava sobre a possibilidade de adotar Júlia, quem seriam os pais da menina, como receberiam a notícia;  voltara a rabiscar suas telas, agora que o jardim estava viçoso novamente com as ações e o amor que D.Mércia dedicava ao local onde rememorava a lembrança do falecido esposo, sua inspiração impressionista estava à toda, não se importava com padrões, estilo, apenas, deixava fluir;  Selma estava como um rio: calmamente seguindo seu leito, não importavam as pedras, desviava, não importava as barragens, forçava, não importava nada: seguia. Se não podia estar com Tales agora, a crença na vida após a morte e nas reencarnações sucessivas, davam-lhe a certeza que viveria o seu amor em algum momento, se verdadeiro fosse, como verdadeiro o sentia. Se não pudera ser mãe biológica, o amor maternal lhe crescia pela pequena Júlia. Se não tivera a presença da mãe como gostaria, a vida tinha lhe presenteado com pessoas que se importavam com ela. Se não pudera ter no pai um exemplo de virtude, aprendera a lhe admirar os pontos positivos. Se estava ali apesar de tudo que já vivera é porque Alguém muito poderoso lhe amava apesar de tudo que era, sentindo-se imensamente grata por confiar nesse Ser Supremo que nunca lhe desapontara. Ela não podia simplesmente pensar em levantar-Lhe o dedo em reclamações, via sua mão guiando seus passos em aprendizado ante tudo o que depois viria. Nenhuma dor era sem sentido, nenhum sofrimento era inválido. Sentia-se renovada em suas crenças, valores, conceitos e que só podia retribuir de uma forma: sendo útil em todas as oportunidades que surgissem. Não se poupando das experiências que amadureceriam, não se furtando das alegrias presentes na flor que se abre, na nuvem que paira no céu azul, na brisa suave, no canto dos pássaros, no sorriso de um desconhecido, na gentileza das pessoas, enfim, tudo conspirava a escancarar-lhe que “nada podia sair errado num universo que Deus controlava, porque esse Universo servia ao Propósito Divino”[1]. Tinha aprendido a não ter pena de si mesma, a não se ver vítima, a não ver agressores, a entender que não existe violência, existe ignorância. Não existe o mal, existindo um crescendo para o bem. Não existe castigo, existe aprendizado. Que não importa o que façam conosco, isso será bom ou mau dependendo da forma como lidamos com a situação. Que a pena de si mesma só gera mais lágrimas e nenhum progresso. Que a diferença entre um arrombador e um chaveiro era o que cada um fazia do conhecimento que tinha e como o usava. Aprendera que as coisas não estão descontroladas, desde que nós mantenhamos o equilíbrio. Que devia ser muito mais severa no auto julgamento do que se dar ao luxo de julgar outrem. Que devia ser sempre grata, que tudo tem uma lição, um propósito, uma razão:  ou respeitamos a nós e à vida pra enxergarmos ou lutaremos irremediavelmente contra tudo sem sucesso. Que a grande vitória estava em controlar a si mesma. Essa a batalha que nunca acaba e a única que deve, mas nunca será comemorada. Se o amor por Tales lhe preenchia a alma, o por Júlia lhe ocupava os dias, as telas eram seu momento auto-reflexivo, a doutrina espírita, consolo e entendimento, as amizades o sumo bonum assim como toda manifestação de vida que fazia transbordar um único sentimento: gratidão.

Olhava as crianças, acompanhava as atividades e via como devia ser grata. Em como sua vida era maravilhosa, em quanto tinha enquanto outros tinham tão menos e ensinavam-lhe a singeleza do coração, dos atos, a ser feliz com o que se tem ao invés de sofrer pelo que não se tinha, ao menos, ainda. Todos ali tinham sonhos, a maioria um sonho comum: sentir-se amado, encaixado numa família, compreendido, aceito, igual.  Não era muito diferente do que ela buscara toda a vida: um amor de verdade. Em diferente perspectiva, ali, todos eram iguais, mas alguns tinham muito mais a ensinar, sem saber, do que outros. Todos os dias eram gratificantes e incomuns àquele modo.

Terminadas as atividades, dirigiu-se à sala da diretora.

– Antes de a senhora iniciar, eu queria pedir algo.

– Diga Selma.

– Andei pensando no que comentou outro dia, sobre Júlia. Ah… Eu queria saber mais sobre os pais dela, tipo, não ir contra as regras de ética, nada disso, mas que houvesse uma sondagem sobre o que eles acham da filha ser adotada, afinal, podem ter mudado de idéia nesse ínterim, ou podem mudar se souberem, enfim, não quero dores, problemas, quero o melhor pra ela e claro, pra mim também. Não suportaria uma perda. Perda é algo com que não aprendi a lidar, ainda. (riso)

– Entendo querida. Vou ver o que posso fazer… Estás ciente das regras. Enquanto isso, já pensou em levá-la vez ou outra pra ficar com você? Pra ver como e se se adaptam? Claro, só faça isso se tiver certeza que quer ficar com ela se tudo for condizente, não crie expectativas em alguém se não tiver certeza que vai trabalhar pra alcançá-las. Nós somos seres muito imperfeitos ainda, isso não deve ser um peso, ao contrário, deve servir de incentivo pra buscarmos sermos melhores. O que já conseguimos, ótimo. O que ainda não conseguimos, trabalhemos para alcançar, entende? Sem culpas, mas com objetivo firme.

– Isso. Isso mesmo. Obrigada! Então, a que devo o chamado de comparecer à secretaria? Disse sorrindo e mudando o rumo da conversa.

– Chegou um pacote pra você aqui. Sem remetente, sem detalhes, foi entregue ao vigia, mas ele não sabe dar descrição de quem se trata… Bem, escolha sua checar ou não. Bomba não deve ser, porque já teria estourado, já que faz duas semanas que chegou e eu esqueci completamente de lhe dar. Perdoe-me! Concluiu sorrindo.

– Imagina! Sei que a senhora tem muitos afazeres e responsabilidades, afinal, não é uma agente dos correios, né? (riso) Está na recepção? Vou lá então, estou curiosa! Adoro receber encomendas! (risos)

O entusiasmo com que Selma vivera os últimos tempos contagiava-lhe em todas as ações, nem por um instante poderia imaginar que fosse algo ruim.  Saiu a pegar o pacote.

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Já em casa, largara o tal embrulho sobre a escrivaninha e foi cuidar das rotinas. Alimentar o gato, que já se tornara morador ao invés de simples visita. Molhar as plantas, conversar com elas, como gostava. Preparar algo pra jantar. Roupas e louças para lavar. Preparar um chá que gostava de tomar antes de dormir, religiosamente. Sentar-se no sofá pra ler um trecho aberto ao acaso de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sobre cuja meditação confrontava sempre com o raciocínio lógico, sensato, ao crivo da razão, diante do que a Bíblia dizia (os anos em que vivera no colégio das freiras, interna, eram de bom alvitre pra relembrar histórias, trechos bíblicos, meditações, enfim). Lia mais alguma coisa ou assistia um pouco de televisão ou ia cuidar das atividades domésticas com uma música aleatória ao fundo. Tudo muito comum, muito rotina, sem perder o significado e a importância de cada coisa, fazia tudo com alegria. Tinha descoberto que algumas coisas são muito úteis de se aprender, independente do tempo ou da idade que se tem, como testar uma receita nova pra próprio deleite, mesmo sem companhia. A não ser Débora, que vez ou outra era sua refém em testar o paladar em alguma experiência culinária, que costumava ter cara boa, mas que nunca sabia se o sabor completava ou vice-versa. O nível de satisfação era medido se havia repetição ou não, afinal, a amiga era muito diplomática pra escancarar se algo não estivesse tão bom… Nunca estava ruim pra Débora, sempre aliviava os termos, os modos. Mas Selma já tinha aprendido a identificar as nuances da amiga que mais uma vez estava às voltas, pensativa sobre o crápula do Fábio. Mesmo diante das alegrias daquela madrugada pós festa do escritório, era impossível ignorar quatro anos na companhia do bon vivant.

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Após a saída de Selma da festa, Débora jogara-se num assento, exaurida. Sorrir e acenar era muito extenuante, manter o sorriso constante quase lhe dava cãibras na face! Tinha que esperar acabar a retirada do Buffet, a limpeza do salão, a saída dos músicos, dos aparatos, enfim… Ricardo senta-se na poltrona ao lado.

– O que achou nova sócia? Disse num sorriso amistoso, mais aberto que o habitual.

-Ah, bem, ao menos, não notei qualquer insatisfação, ao menos, de cara…. (riso)

– É… Tá com os pés muito doloridos, ou topa uma última dança? Aliás, primeira, porque vi que você ficou só cuidando de tudo…

– Você também! E tu sabes dançar?

Ele levantou-se, estendeu a mão pedindo a “honra daquela dança”, e ao seu sinal, os músicos – que pareciam já esperar o aviso – começaram a música que rodopiaram algum tempo no salão, uma valsa. Nada sensual como um tango, mas romântico e delicado como a alma de Débora pedia, mas temia.  Horas infindas, até que ela reclamasse dos pés.

Voltando aos assentos, o Buffet tinha preparado algo com cara de novo, sem a menor aparência de resto de festa, se era, estava bem caprichado pra parecer único a combinar com o momento. Ficaram ali, luzes apagando, conversa fluindo, se conhecendo, rindo, distraindo, desanuviando, como fazia um bom tempo ela não tinha idéia da sensação. Sem apelo sexual, Ricardo estava completamente atraente, ainda que ela se recusasse a admitir. Ou melhor, negava a todo instante mentalmente, afinal, era seu colega de profissão, e agora, também um dos sócios da empresa e tinham alguns trabalhos a desempenhar juntos. Olhava-o e era impossível medi-lo, ele estava simplesmente encantador, ela nem atentava pra madrugada que se ia. Quando o dia ameaçava raiar, quando a primeira estrela resolveu que era hora de sumir, puxou uma gaita do bolso interno do colete de cetim e começou a tocar “Princesa” do Roupa Nova[2] que ela ficou pensando como encararia…mas, “certamente, não havia melhor modo dele terminar a noite, queria que fosse verdade…”, pensou. Mão esquerda na gaita, direita estendida a ela que aceita-lhe, segura-a como num desfile  levando-a  pra área externa. O salão como que fora construído à beira de uma falésia, apesar de não ser a construção geográfica da cidade, mas lembrava. À mureta de proteção da área externa, contemplam o raiar do sol brilhando sobre o mar, as nuances sobre a água que só se agitava com leves ondas, daquelas que faz bater uma vontade de ficar descalça e caminhar onde elas te alcancem os pés nus na areia fina.

Justo o que ela não resistiu e convidou-lhe. Num sorriso amplo, ele aceitou. Era-lhe incrível vê-la assim, tão solta, tão leve, tão sem reservas, falando, rindo, contando histórias, completamente diferente da Débora do escritório, geralmente ligada apenas na diplomacia do local, sem dar brecha a uma piada sequer. Deixou-a correr na frente, ser menina, ser livre, ser como um pardalzinho serelepe a brincar com gotas d’água. Não resistiu após gravar a cena mentalmente, seguiu ao seu alcance, já sem o smoking ou colete, as mangas dobradas até os cotovelos, botões superiores abertos, ela suspendendo o vestido longo até os joelhos pra poder aproveitar melhor o movimento.

Algum tempo depois, jogam-se na praia, ofegantes da corrida. Débora mira Ricardo, mira o vestido, observa a calça de pernas molhadas, a camisa aberta em parte, as mangas suspensas, mira o vestido e diz:

– Homens têm algumas facilidades… Vamos deixar as coisas mais equilibradas por aqui.

Sem perder tempo entre o discurso e a ação, rasga o vestido de seda na altura dos joelhos, ele boquiaberto, dá uma longa e gostosa risada que ela acompanha, deitam-se na praia observando o dia crescer.

Dali a pouco ela sugere:

– Água de Côco? Estou vendo que ali à frente parece ter um lugar que vende.

Levantaram-se ao assentimento de Ricardo. Caminhando lado a lado, não fazia idéia de onde tinha deixado os sapatos, não importava, não se lembrava de nada, não queria lembrar, talvez pensasse que havia adormecido na poltrona do salão.

Chegaram a um restaurante não muito portentoso, à beira mar. Dispensaram o café da manhã ao garçom. Acharam uma mesa, ou melhor, ela escolheu uma mesa, ao canto, a mais próxima da praia, a mais afastada das pessoas, queria fingir que não havia mais nada. Enquanto ela se deliciava com a vista, pés sobre a cadeira, voltou o olhar sentindo que ele se aproximava com os côcos. Virou-se sorrindo, e foi desfazendo o sorriso quando sob os reflexos do sol, o rosto de Ricardo transfigurava-se nas expressões do general persa do seu sonho. Ele notou a diferença do sorriso, aproximou-se, ela fitando-o cética, acompanhou-o com o olhar até que sentasse, lhe estendendo a bebida e perguntou:

– Tudo bem? Meio sem graça, pensando se tinha feito algo errado.

– Sim. (…) sim, tudo bem.

– Então tá…

Ricardo não queria perder o encanto que ela apresentara até ali, não jogaria mais palavras que poderiam encerrá-la na ostra costumeira. Falou do mar, falou do seu tempo de criança, das brincadeiras com os amigos, das férias com os pais, enfim, desanuviou-a totalmente. Nesse quesito, ela nada tinha a comentar, mas recusava-se a perder o brilho que emanava dele com as recordações se comentasse suas próprias histórias nada interessantes – em seu conceito – da família que tinha, se podia considerar e chamar “família”.

A impressão foi dissipando, dali chegou a hora do almoço, escolheram frutos do mar, suco natural, eram figuras completamente fora de contexto do visual praiano àquela hora. De longe se notava que haviam fugido de algum lugar clássico demais, portentoso demais. Apesar do visual já estar desfeito, cabelos semi soltos, os dele em desalinho pelo vento, o sabor da maresia que Débora adorara conhecer – fazia pouco tempo que tinha se dado ao “luxo” de passar alguns dias à beira mar com a família, custeados, naturalmente, por ela.

O tempo corria, os garçons tiravam a aparência de almoço pra começarem a preparar o ambiente pra uma festa regada à rumba que haveria mais à noite. Convidou-a pra esticarem da valsa à rumba, mas ela fitou-o carinhosamente, passou a mão no seu rosto de traços marcantes, firmes, sorriu e disse:

– Preciso saber se meu carro ainda está inteiro! (risos)

– Ah! Seu carro! É mesmo… o que foi feito dele?

– Não se preocupe, vou ter que importuná-lo pra ir buscá-lo junto comigo, afinal, são alguns quilômetros até encontrá-lo… (risos)

– Claro, claro. Quando você quiser…

– Então vamos. Eu já saí muito do ritmo habitual por um fim de semana… desse jeito, eu descubro que a vida é boa aqui fora e abandono o trabalho!!!

Débora sorriu aberta e largamente com a própria piada. O sorriso foi fechando até ficar a meia boca. Levantaram juntos a sair do lugar. Ele a seguiu até que à praia, figurou-se a seu lado, uma mão no bolso, outra solta ao lado do corpo… o desejo era segurar-lhe a mão, envolvê-la, abraçá-la, mas não conseguiria. Ousou. Tomou-lhe o braço em companhia, sorriu marotamente e disse:

– Não fica bem pra uma dama parecer sozinha quando está com o vestido rasgado e cabelos bagunçados… (ria) Não adianta me negar o prazer de acompanhá-la!

Ela olhou pra ele, sorriu com profunda satisfação e carinho, acercou-se do braço de Ricardo, encostou um pouco a cabeça nos ombros dele, depois retornando à posição inicial, plena de satisfação. Como era diferente de estar com Fábio! Como a vida podia ser tão prazerosa! Pensava. E estava certa:  A vida podia. A vida sempre pode. Percebermos e ousarmos aceitar sua dança exige coragem de lançar-se ao desconhecido, ao inadmissível, ao inaceitável aparentemente. Sair da zona de conforto, sair da falsa segurança que não alegra pra se permitir viver.

“Cada Mulher tem a História de Amor que Escolhe Ter” [3]

Débora estava plena por descobrir a sensação, mas inevitável um íntimo de medo acercar-lhe. Mas ao menos nas próximas horas, até voltar à realidade, não permitiria que nada estragasse aquela liberdade.

A conversa fluía. Tomaram o carro e ela indicou o caminho pro Sobrado da Vila Roseta. Quando chegou, surpreendeu Selma pelo horário e claro, a curiosidade de que carro era aquele, quem era aquele e o que ela andara fazendo esse tempo todo?! Tinha que contar tudo.

Banho tomado, pijama emprestado. Hora de atualizar as novidades pra Selma, que ouviu com um sorriso de satisfação toda a história por descobrir que a amiga estava vivendo enfim, deixando de se manter presa a convenções, se permitindo ser livre, sentir, permitindo-se esquecer Fábio.

……………………………………………………………………………………………………………….

 

Ouvida a narração, foram dormir. Dia seguinte, Débora encontra Selma compenetrada, séria, tensa diante do computador:

– O que houve?

– Leia:

“Querida Selma,

A vida está corrida por aqui. Estou com minha mãe e meu irmão. Algumas vezes o conhecimento de nada adianta. Ambos apresentam câncer. Meu irmão teme pelo que virá. Minha mãe, já está carequinha, da quimio.

Léo está ótimo, bom ser criança, né? Não se percebe a extensão das coisas, esperança e otimismo são palavras de ordem pra eles.

Estou tentando ser a “alma da festa”! Tentando fazê-los manter o riso. Meu irmão largou o emprego. Minha mãe só fala em papai… Imagine.

Bem, nossa família já tem longo histórico. Agora eu vou ter que me monitorar ainda mais.

Um abraço e vibre por nós.

Marina.”

 

– Uau… ah… já respondeu?

– Bem, estou aqui pensando no que dizer…

– Deixe pra depois, então.

– De forma alguma. Vou responder já.

“Olá cherry!

Seria ótimo se tivesse voltado à nossa terra em outras circunstâncias. Sabe que pode contar comigo para o que precisar, né? Sinta meu abraço e diga a todos que estão nos meus pensamentos e vibrações. Vai acontecer o melhor, sempre é o melhor que acontece. Estou certa que você está fazendo seu melhor. Arrume um tempo pra revigorar as energias, você precisa se sentir bem pra passar isso pra eles. Fé minha irmãzinha, fé.

Beijos de quem tem sempre vocês em oração. Selma.”

 

– Pronto.

– Tomar café? …

– Claro.

Como se não fosse suficiente a novidade do email de Marina, mal deglutiam a refeição matinal e chega um torpedo no celular de Débora. Com um sorriso foi checar quem era.

– E aí?

– Fábio.

– Como?

– Fábio tem me mandado mensagens de “bom-dia” eventualmente.

– E? Você tem respondido?

– Não, mas…

– Mas?

– Ele pede pra me ver. Tem um presente pra mim.

– Presente? Assim, fora de época?

– Vamos mudar de assunto?

Respeitosamente, Selma voltou ao café. Sabia que quando Débora se trancava, não tinha bomba de hidrogênio que conseguisse abri-la.

O celular toca.

– Bom dia Ricardo.

– Sim, sim. Não se preocupe. Tudo em ordem. Estarei no escritório em duas horas.

Desligou. Secamente.

– Nossa! Precisava?

– Eu vou me arrumar, tá? A gente fala depois.

– ok….

Lamentavelmente, Fábio ainda exercia influência sobre Débora. A parte dela racional dizia que era perda de tempo, que havia outras coisas belas na vida, que ela merecia mais. Outra parte levava-a até ele. Era como um ímã. Selma baixou os olhos em despedida à amiga.

 

 


[1] Referência ao texto chave de Paul Bilheimer, O Mistério da Providência Divina, Ed.Vida. Neste livro, através do exemplo de José do Egito, expõe-se que nada do que fazem contra alguém lhe pode causar bem ou dano, mas o que faz ser algo bom ou ruim, é como a pessoa recebe o que lhe aconteceu. Trabalha ainda o cancelamento da autocomiseração.

[2] Banda carioca formada por Paulinho, Serginho Herval, Nando, Kiko, Cleberson Horsth e Ricardo Feghali, na década de 80. Iniciou tocando nos bailes e hoje são os recordistas em trilhas sonoras de novelas brasileiras (mais de 35), além do Tema da Vitória, tocado nas vitórias do piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna. Já chegaram a vender 2.200.000 milhões de cópias no álbum de 1985. Prêmio Tim de Música em 2005, com melhor disco e melhor grupo, Grammy Latino 2009 com melhor álbum pop contemporâneo brasileiro. Em 2010 completaram 30 anos de formação, com selo próprio (desde 2004) e com platéia renovada e variada, contando com participações como Pe.Fábio de Melo, Milton Nascimento, Sandy e o grupo Fresno, ilustrando isso.

[3] Fala do personagem de Dermot Mulroney, Nick Mercer no filme Wedding Date(2005 – br. Muito Bem Acompanhada). O ator e violoncelista da Virgínia (Alexandria), *31/out/63, faz um acompanhante de luxo, por quem a protagonista, Kat Ellis (Debra Messing) termina se apaixonando.

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