Cap 02 – O Antes não é igual quando visto Depois


Alguns anos antes, alguém havia dito que sexo era 90% de uma relação, Selma e Marcus se entreolharam e comentaram consigo que aquela pessoa dizia isso, porque não tinha uma relação como a deles, baseada “nas coisas que eles acreditavam”-pobres sonhadores são os jovens, a La Sthendal[1], seu idealismo e a busca ensandecida em transformar o sonho em realidade ou acreditar no perfeito, não enxergando a verdadeira história sob os contos de fada, cria adultos frustrados, que enlameiam no erro pra tentar esquecer o que não foi conquistado, só aumentando suas desgraças se não despertam pra uma nova óptica de que ser feliz não depende do outro ou das condições em volta, mas sim, da postura de como aceitar os acontecimentos, vivê-los, aprender com eles, ser grato às mudanças.

A verdade é que a vida deles também era aquilo, apenas eles não percebiam. Ela abandonara Aníbal, cedendo às constantes investidas de Marcus. O tempo foi passando e a mente racional de Selma calculara que seria amor o que sentia, afinal, tinham interesses em comum, ou ao menos, era o que ela cria. Parecia tudo correr para o ideal perfeito, o cenário ideal, e ambos ignoravam todos os sinais que diziam o contrário, aliás, insistiam em achar que era conspiração do resto do mundo, mas o que eles tinham é conhecido por um nome bem comum: Sex Appeal. Afinal, o que sobra quando antes, durante e depois do sexo tudo são desavenças e discordâncias? Aparatos de uma montagem de teatro infantil, vestiam máscaras pra incorporarem os personagens que gostariam de ser na história que gostariam de viver “para o bem de todos e felicidade geral da nação”.

Sim, tudo em que acreditara ser amor, não era mais que sexo e tolerância pelos seus próprios códigos morais. Selma sempre prometera a si mesma que não casaria com ninguém, se não fosse pra ser pra sempre. E diante da aparente estabilidade do sonho feliz, ela se deixara levar pelas ondas de ilusão de Marcus. Agora, dois anos depois, oficializado o divórcio, Selma deixara para trás mais do que lembranças, mais do que culpas, mais do que devaneios. Se despira da menina, pra aceitar-se como mulher, dona de si, que reconhecia erros, mas também estava certa dos acertos. Se ela era prepotente, Marcus tinha sido adúltero, um ou outro erro não se justificam, mas a sociedade dita o que é mais grave. Pra ela agora, era indiferente. Chorara o bastante, lamentara o bastante e depois de haver vomitado todas as catarses envolvidas, ter acostumado a se analisar e ter seus próprios insights, ela percebia que havia vivido um erro, um erro que lamentava, porque se ele havia sido orgulhoso de não admitir que ela não era pra ele, ela tinha errado em se deixar levar, sem racionalidade, ignorando sua intuição, seu lado crítico, mas agora, seu mundo havia mudado:  Se a vida não era a mesma com Marcus – menos atividades sociais, menos agitação noturna, menos festas, menos cerimoniais, menos tudo que o dinheiro pode trazer -, ela havia ganho em paz de espírito. Abrira seu ateliê e decidira viver com a singeleza da tranqüilidade da consciência. Isso sim, não tinha preço. Recolhera-se a uma cidade pequena, e passava os dias a observar a natureza, as pessoas simples e retratá-las em seus afrescos. Nada profissional, a princípio. A morte do pai, que lhe passara despercebida pela vontade do mesmo, rendera-lhe do além túmulo uma renda que cabia no estilo de vida adotado e aumentara sua solidão e culpa. Dessa forma, se não era como no tempo de casada, também não era como nos dias de solteira, era uma vida nova, cheia de aprendizados, reflexões, realizações internas. Tinha seus livros, tinha seu violino, tinha seus pincéis. Poucos amigos, seletos amigos, nunca visitas ou quase nunca, já que a visita de Débora era a exceção quando sazonalmente vinha trazer-lhe materiais que só a capital tinha para vender. A amiga advogada era a confidente, a voz da consciência de Selma, o braço direito, a primeira-ministra do seu reinado, como costumava brincar. Havia muito mais na amizade que lhe depositava do que honorários advocatícios. Selma era meio mãe, meio irmã mais velha de Débora, e o que esta não encontrara em casa, na conturbada relação com os pais que não viam todo o empenho da filha em atender-lhes as necessidades e os excessos, o encontro com Selma lhe trouxera: o desenvolvimento de menina flor. A antiga supervisora de estágio, virara uma amiga pra todas as horas, Selma mostrara à Débora a realidade da vida, a realidade das pessoas, a ética pessoal, os valores que nunca devem ser traídos:  a traição às próprias convicções, na cartilha de Selma, o pior dos pecados, porque a consciência nunca lhe daria paz. Então, quando o inverno na vida da agora artista Selma chegou, ela encontrou refúgio aonde menos imaginara: uma cidade pequena, um sobrado simples, móveis apenas o necessário, muita cultura pra entreter o tempo e sua arte, além é claro, dos raros porém eficazes momentos de apoio de Débora. Assim, Selma descobrira que nenhum bem se perde. Que tudo que é feito, é sempre lembrado, seja mau, seja bom, e retorna sempre pro seu autor. Marcus virara lembrança, uma lembrança como a de uma figura mnemotécnica de um livro de R.L. Stevenson[2], depois de tantas confusões, Selma descobrira que na verdade, nunca o havia amado, assim como cria também que ele não a amara como imaginava, entendera que deve perdoar-se os atos temerários da juventude, que segue-se com a vida escolhida ou designada, que quando  a roda da vida gira, num momento estamos no topo, mas iremos ao oposto valor, das abcissas e das ordenadas, se num momento positivo, noutro negativo, mas, chegar aos 180 graus era mais do que conhecer o inferno de Dante, era a redenção, o primeiro raio de sol após a noite escura da fé, era o recomeço, porque não devemos parar nunca, estagnar nunca, seguir sempre! Os velhos conceitos maçons aprendidos com Aníbal antes de conhecer Marcus, faziam mais sentido do que nunca. Fugindo ao valor alegórico das premissas, ela entendera seu conteúdo físico, moral, tangível, do que não se passa pelas letras, mas pela auto- experiência. O ex marido agora estava completamente desconhecido o paradeiro, o que era bom e o adultério já não lhe remoia as entranhas, não entendera ainda se o redimira pela sua própria catarse, pelo entendimento que tivera sobre si mesma, ou simplesmente ele se tornara indiferente a ela, o fato é que Marcus era mera sombra, um trecho, um parágrafo no livro de sua vida, nada além disso, um parágrafo que tido por insignificante podia passar desapercebido ao leitor mais incauto, mas era justo onde residia toda a nova mulher em que se tornara, quebrara a crisálida, abrira as asas e o medo da vida, do inesperado, do inadmissível, do desconhecido, ainda pesava em suas costas, mas já não era seu inimigo, era o dínamo impulsionador, gerador de energia, da vontade de sentir, de viver, de tocar, de fazer, de crer, de imaginar, de sonhar, de desejar, de arriscar. Se fosse um pássaro, teria chegado ao ponto de interrogar-se: “Se tenho asas, por que não vôo? Então voarei, ainda que o medo exista, mas só vou descobrir se arriscar, e no máximo terei nova experiência a avolumar conhecimento sobre mim mesma.”

Nossa querida Selma começara a ser ela mesma, pela primeira vez na vida arriscava-se a ser como sempre desejara ser: sem vazio existencial. Não queria mais nada além de continuar sua jornada dessa forma, desbravando os fantasmas, experimentando os sabores de cada experiência, ainda que seus hábitos fossem praticamente monásticos, ainda que parcialmente auto exilada, reconhecera que precisava mergulhar em si mesma, descobrir-se e melhorar-se.

Aproximava-se seu primeiro ano como balzaquiana, recebera-o com braços abertos, com sorriso nos lábios, Selma aprendera a dizer “bem-vinda vida! Eu esperei por você e enfim você chegou!” ao que a vida lhe respondia “eu sempre estive aqui, cherry, cantei e cantei aos seus ouvidos, mas só agora você me deu a honra da sua companhia”.

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“Eu precisei de Deus. Ele me foi dado, e eu o recebi sem compreender direito o que estava procurando. Então – porque meu coração não deixou que ele lançasse ali suas raízes, Deus terminou morrendo em mim.

“Hoje, quando o mencionam, eu digo – como se fosse um velho tentando reviver uma velha chama: “Há cinqüenta anos atrás, se não houvesse um mal-entendido, se não houvesse certos equívocos, se não houvesse o acidente que terminou nos separando, nós dois teríamos um belo caso de amor”.

Jean-Paul Sartre em “As Palavras

Brigava com o computador, não lhe dominava além do necessário, práticos mesmo eram a caneta, o lápis, borracha, pincel, papel, enfim, aquilo que podia pulsar vida além dos bites e bytes que utilizava por necessidade com o mundo exterior, afinal, a nova vida incluía não apenas paz de espírito mas gerência nas contas mensais e interurbano não era tão simples – leia-se:  barato – como nos anúncios da televisão.

         Chegavam notícias de Marina. A amiga, após longa excursão ao Quênia, descobrira que podia viver ainda mais além da dor diária a que estava acostumada. Descobrira que podia não apenas salvar vidas, mas dar-lhes um sentido e esse sentido ia além de concepções filosóficas, políticas, ia ao âmago do que realmente importa: sentir a dor do próximo e conhecer que o melhor pagamento por qualquer benefício é um sorriso sincero que te diz “você faz toda a diferença pra nós”. Conhecera quadros graves de doenças assim como quadros de doenças simples, mas que ali, naquele lugar em que se podia abdicar da fé ou percebê-la num nirvana diário, na vida da gente daquele lugar, que não fora esquecido por Deus, mas em que Ele se fazia lembrar pra todos que dessem oportunidade, Marina O percebera.

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         A jovem que tinha por hobby apaixonar-se por bateristas de bandas de rock, a contragosto de todos casava-se, com alguém completamente avesso ao que ela cria ser o ideal de companhia. Naquele momento da vida em que você acredita que o amor é algo sem explicação, sem sentido, sem método, que apenas “puft!” acontece e você tem que segui-lo como se fosse a única alternativa existente, Marina casava-se com Álvaro.

Mais de dez anos, iniciados com flores e envinagrado em espinhos e mais espinhos, havia-lhe nascido Leonardo. Olhos como os com quais sonhava enquanto o embalava no útero, rosto de anjinho travesso que caiu das nuvens, Leonardo era tudo o que fazia sentido na vida de Marina. Pouco importava se Álvaro era um crápula contumaz, pouco importava seu alcoolismo, suas noites fora, a falta de trabalho, o deserdo da profissão, as agressões verbais e físicas:  ela tinha Léo em seus braços e ele lhe fazia entender o sentido da palavra Resiliência.

Após o quinto aniversário do filho amado, sentia-se pronta a expulsar o cafajeste da sua vida, segurar as contas como fizera desde a gravidez, e tinha absoluta certeza que a vida só tendia a ser mais fácil se houvessem todos os outros problemas, mas, tivesse também a Léo e Álvaro fosse o parágrafo que apenas se quer deletar da memória e da vida.

Ela ainda não sabia que mais cinco anos teria que esperar até que a briga judicial se encerrasse com ela ficando com o filho e abandonando qualquer idéia sobre pensão ou algo do gênero de Álvaro, afinal, sua paz de espírito virara o seu alvo, pouco importava se isso implicava mais controle financeiro.

Terminada a faculdade de medicina, mais algum tempo de estágio, de voluntariado, depois conhecendo as amarguras de ser médica na periferia, ingressara na Cruz Vermelha, pra conhecer o valor da vida e pra manter-se o mais longe possível do ex-marido. Se ela viajara ao Quênia apenas como escápula à presença dele, a jornada tornara-se maior e mais profunda, ela descobrira o valor real da vida, da existência, as coisas que não se perdem, o valor de não ter muito na mochila, mas ter um arsenal de corações gratos por sua ajuda humanitária sem retorno financeiro que justificasse, mas com a alma embalada pelo cântico celestial dos “bem aventurados os aflitos, porque serão consolados[3] e podia repassar ao seu rebento mais do que as escolas davam: podia ensinar-lhe a amar o próximo como a si mesmo, como a maior benesse que se pode conhecer.

Nesse ínterim, o pai falecera, a mãe, na cidade natal chorava a viuvez enquanto o irmão enfrentava o desafio de ser o homem da casa, mas Marina aprendera que podia ser mais útil distante do que perto, não que o coração não lhe apertasse em saudade, mas porque diante de tantos motivos mais “reais” pra se chorar e as pessoas serem gratas pelo pão dormido de uma semana, a cruz familiar lhe parecia um jardim de flores campestres. Com o casamento, Marina havia aprendido que choramos por nada, choramos quando temos tudo e que aprendemos a parar de chorar quando de fato temos motivos para que as lágrimas brotem caudalosas:  Era mais útil a médica da Cruz Vermelha com VOIP mensal pra residência materna. Seu irmão seguia-lhe o exemplo: mãos no arado e nada de olhar pra trás[4], ou como dizia o jargão “pior seria se pior fosse”.

Diante disso, Selma contentava-se em saber que a amiga que a acolhera dois anos atrás num momento tempestuoso, estava distante, mas unida sempre ao coração de irmandade a que as almas se afinizam pelas dores e alegrias que carregam e que desta forma nunca estão distantes o suficiente que o tempo reclame.

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Mulheres unidas pelas semelhanças de cruzes, que se tornavam mais fortes quando haviam se despedido da casca de menina e assumiram-se como senhoras de si mesmas. Essas mulheres descobriram força das suas ancestrais antropológicas, as mulheres sofridas que antes viravam lavadeiras pra sustentar seus filhos e dar-lhes boa educação, tornavam-se artistas, médicas, advogadas e tantas outras profissões que não mudavam sua essência feminina, mas que as tornavam tão fortes quanto as costureiras de outrora, seguravam a roda da vida com as mãos, sangravam enquanto sorriam, cantavam quando a alma chorava, embalavam enquanto dormir não podiam, silenciavam quando nada mais restava a fazer além de crer que a madrugada não é eterna e que a vida se torna melhor, não diante das circunstâncias, mas de como lidamos com os acontecimentos.

         Selma, Marina, Débora seriam apenas algumas das mulheres que fazem história, mulheres que tinham aceitado seu lado selvagem[5], abraçado suas raízes interiormente, arrancado forças de onde não se cria haver, aprendido a tornar fecundas terras áridas da vida e do sustento sem deixarem de ser escrupulosas, dignas, com senso de ética, de moral, de existência.  Mulheres que faziam Selma lembrar suas personagens queridas e sempre rememoradas: Scarlett Ohara[6] que descobriu que sua força estava em Tara, deixando de ser a menina mimada para ser a mulher-mãe que arrebanha a todos sob sua tutela pra proteger-lhes e defender-lhes, primeiro não importando o preço, depois que o preço seja digno e reconhecendo que seu amor verdadeiro estava onde ela menos podia imaginar, mas que teria que lutar pra merecê-lo e Aurélia Camargo[7] que encontrou a redenção ao descobrir que existe remissão de sentimentos, que toda criatura pode ser melhor do que se fez até então, desde que seja tomada por um sentimento nobre, que lhe faça rever conceitos, valores, idéias e lutar pela moral, pela justiça, pelo amor verdadeiro.


[1] Henrie-Marie Beyle (Grenoble, *23/01/1783 – Paris, +23/03/1842). Adotado o pseudônimo Sthendal. Escritor francês de profunda e refinada análise psicológica dos sentimentos dos seus personagens, ainda que seco em seu estilo. Lançou a Teoria da Cristalização em 1822, no ensaio Sobre o Amor, onde delibera que para cobrir de perfeições o objeto de desejo, o indivíduo adapta a realidade aos seus desejos. Mais à frente, outro personagem que segue em parte a linha do herói romântico moderno de Sthendal, caracterizado por seu isolamento da sociedade e seu confronto com suas convenções e ideais.

[2] Referência a “Strange Case of Dr.Jekyll and Mr. Hyde” do escocês Robert Louis Stevenson datado de 1886. Em português, “O Médico e o Monstro” figura a mudança de comportamento moral diante das circunstâncias, investigado pelo advogado britânico Gabriel John Utterson nas coincidências entre seu amigo o gentil Dr.Henry Jekyll e o misantropo e sinistro Edward Hyde. A obra rapidamente popularizou-se, originando peças teatrais e o jargão inglês até hoje utilizado “Jekyll and Hyde” para pessoas com esse tipo de atitude, criou-se até trocadilhos em outras obras, intraduzíveis ao português se não for explicada a origem. O livro teve tal aceitação até os dias de hoje, sendo importada pros mais diversos tipos de mídia: quadrinhos, filmes, desenhos animados. Stevenson também foi autor de outra obra conhecida no Brasil: Treasure Island, ou A Ilha do Tesouro de 1883 que criou e popularizou a figura do pirata com perna de pau e papagaio no ombro, assim como mapas do tesouro, sempre marcado por um X.

[3] Evangelho de São Mateus 05:06

[4] Referência ao texto do Evangelho de São Lucas 09:62

[5] Referência à Mulher Selvagem da obra psicanalítica junguiana de Clarissa Pinkola Estes, “Women who Run with the Wolves” de 1992. Lançado pela Ed.Rocco com o título em português “Mulheres que Correm com Lobos – Mitos e Histórias do Arquétipo da Mulher Selvagem” (1994), denuncia através dos Contos os arquétipos da mulher moderna, direcionando-a para o encontro consigo mesma, à sua essência, a seguir o seu instinto rumo à integração e desenvolvimento do Self.

[6] Personagem da obra literária “Gone with the Wind” de Margaret Mitchell, de 1929, publicado  em 1936 pela Ed.Macmillan. Popularizado no Brasil pelo filme homônimo  “E o Vento Levou” de 1939 com Vivien Leigh e Clark Gable como os protagonistas da história narrada antes, durante e depois da Guerra da Secessão dos EUA. O livro foi ganhador do Pulitzer de 1937 (prêmio ofertado pela Universidade de Colúmbia -NY a pessoas que produzam trabalhos de excelência em jornalismo, música e literatura), após tornar-se Best-seller no quarto mês do seu lançamento com um milhão de exemplares vendidos e já com direitos comprados pro cinema pelo produtor David O. Selznick, por um valor considerado altíssimo na época e apresentado pela MGM apenas três anos depois do seu lançamento, com um custo de US$5 milhões de dólares, pagos e acrescidos de mais de US$27 milhões de bilheteria arrecadados apenas quatro anos depois. “E o Vento Levou” até hoje está entre os filmes considerados clássicos pelo cinema mundial.

[7] Protagonista do romance de José de Alencar, “Senhora”, de 1875. A crítica à falta de valores morais existentes na sociedade brasileira do 2. Império é revelada pelo autor nas divisões da obra: Preço, Quitação, Posse e Resgate. A jovem Aurélia é abandonada por Fernando Seixas por ser de origem pobre e este, ambicioso, a pretere para casar com Adelaide Amaral, ou melhor, com o dote desta. O que Fernando não imagina é que Aurélia receberia grande herança e se tornaria a Senhora, que o compra por um dote dez vezes maior do que o motivador da separação deles. Conhecendo-a apenas ao casar-se, Fernando sente-se venturoso, pois casara com a mulher que amava e não suficiente, agora esta era rica, mas os meses posteriores foram de desprezo e ironias, deixando claro que ele havia sido apenas um objeto comercializável. Insatisfeito com a situação ainda mais por não ter ao menos consumado o casamento, Fernando empreende uma obra que lhe rende o valor do dote e pela restituição deste, quer separar-se, então Aurélia, que nunca deixara de amá-lo, sente-o redimido, revelando que nunca pretendera deixá-lo e que inclusive ele era seu herdeiro. Desta forma, o amor triunfa com a ascensão dos valores morais dos personagens.

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