Amor, Adeus e Até Breve


Dispensa lembrar que esse blog é essencialmente para falar de tudo que de alguma forma me toca como Amor. Não à toa, se chama “Paixão na Ponta dos Dedos!” com a exclamação mesmo. O fato é que tudo em que me envolvo profundamente, é feito com amor.

Ultimamente tenho usado a expressão “faça (com) amor (com) tudo o que faz” para expressar essa pulsão da libido que se Freud vê apenas como pulsão sexual, Jung vê como essa descarga de energia psíquica de imensa força criadora. Em Jung, criar algo que move você e as pessoas que se aproximam, é pulsão da libido, é força criadora, é como dizia um gerente meu (in memoriam): Ir com um puta tesão e fazer acontecer.

É justo direcionar a libido que nos faz ir além do terceiro degrau de Maslow. Joseph Campbell disse em um de seus livros que a maior parte da população deste planeta estava presa ao terceiro chakra, que talvez Jung fosse o único que Campbell conhecia que estava no quarto.

Pois bem, eu fugi muitas vezes dos primeiros degraus, dos chakras basais para ir diretamente aplicar toda a energia destes para o quinto degrau e para o sétimo chakra. Para mim, a segurança e tudo o que importava estava de fato assegurado neste momento. Obviamente, não era o plano perfeito. Mas era o meu refúgio.

Porém em algumas vezes eu ousava sair um pouco deste meu “plano ideal” e me dedicar a alguém, romanticamente. Quando digo romanticamente é deeeeeeeply romantic. Talvez exatamente porque não era uma área em que eu me arriscasse, eu não conseguia equilibrar razão e emoção. Eu só… pulsava! Intensamente na emoção ou na razão. Nunca em equilíbrio.

Não é surpresa que eu tenha angariado nestes 37 anos bons aprendizados sobre começar e sobre seguir em frente, mas não em permanecer. Era sempre mais fácil saltar em um pé só para razão ou emoção a ter que equilibrar ambos os pés sobre ambos os setores.

Ocorre que hoje eu vi um TED Talk de Nora McInerny, onde ela fala sobre as perdas (os adeuses, as partidas, os lutos) como parte do processo de viver e que permite chegarmos nos futuros que virão a partir de quem nos tornamos também a partir destas despedidas.

Eu costumo repetir que não mudaria nada da minha vida porque foi tudo o que vivi que me trouxe até onde estou e com todas as coisas maravilhosas que consegui, conquistei, ganhei, amei, me dediquei, me doei, que construíram o que há agora em mim.

Porém, no fundo eu sabia que era uma afirmativa carregada de medo, insegurança, de que todas as cascas das feridas saradas, ainda eram cicatrizes que eu não queria acumular mais e que faziam me resguardar de novas experiências que pudessem ser possibilidade de novas marcas.

Além do quê, havia aquele perfeito amor, o amor que partiu para um amor maior que nós dois, que doeu, mas foi consentido. Aquele do qual eu nunca o privaria para que ficasse comigo, pois se ficasse, nunca seria inteiro; além de que eu também o amava pelo sonho que ele ia concretizar, ou ele não seria o homem perfeito da minha vida, aquele amor que parei de contar o tempo em que indo, ainda era.

O duro de se ter alguém “perfeito” e ainda mais quando ele parte, é que parece que ninguém pode substituí-lo, ninguém se aproxima do pedestal em que ele foi posto, ele se torna a memória segura de que o amor existe e é bom e não se pode aceitar menos que ele.

Os relacionamentos que vieram depois sempre ficavam à margem dele, da lembrança dele, dos valores dele e de todo aquele amor que por anos ainda mantínhamos aceso e que parecia um crime mortal, uma traição imperdoável, substituí-lo.

Até esta manhã quando ouvi Nora McInerny dizer que o novo amor não substituiu o anterior, não enterrou o que já se fora, mas… o que foi a levou até ali, ao novo e que de forma própria, era também especial e único.

Único é um conceito incompreendido. O único não anula outras existências, apenas diz que é singular. É efeito sem cópia. É composto, construído de uma série de experiências que nunca serão repetidas da mesma forma. Mas não diz que o único inviabiliza outras possibilidades. Não extingue a probabilidade.

Ricardo é. Ricardo sempre será. Tão vivo e forte quanto sempre foi. Tão real e verdadeiro apesar da distância, da separação. Ninguém nunca mais e nunca antes foi ou será Ricardo. Mas como o próprio Ricardo dizia: “Eu torço para que chegue esse homem de sorte que vai te amar e cuidar de você como eu queria fazer.”

Depois de ouvir Nora McInerny hoje, eu também torço, Ricardo, que este novo homem único chegue. Eu enfim me permiti sentir plenamente outra vez, sem culpa, sem achar que isso era esquecer quem é você na minha vida. Foi pelo amor que você me mostrou existir que eu cheguei até aqui, me amando o suficiente para não querer menos, para me saber merecedora e digna de um amor tão maravilhoso e único como o que você me deu, porém diferente. Não é você mas vai chegar porque um dia dissemos adeus e “até breve, meu amor”.

Sobre Carmen Gonçalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
Esse post foi publicado em Crônicas & Poesias, Pessoal e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

O que isso lhe fez Pensar?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s