Me perguntaram…


Ontem me perguntaram: Carmen, você casaria de novo?

Hein?! Minha única reação naquele instante foi rir e naturalmente, devolver um “por quê?

Então a pessoa me disse que estava ouvindo ultimamente muitas histórias sobre pessoas insatisfeitas nos próprios casamentos, mas que insistem, outras que estão esperando os filhos crescerem, outras que já separaram e voltaram a casar e… novamente falharam.

Bem, então lá vai a minha resposta:

Eu já tive muitas fases: Jovem independente. Jovem comprometida. Casada e dedicada. Separada e amargurada. Divorciada e intrinsecamente viúva. Divorciada e cheia de dejavu. Divorciada e bola pra frente. Divorciada, chegando aos 35 e relógio biológico pirando (fertilidade viável/saudável). Divorciada e dane-se!. Livre.

Estou na fase LIVRE! Mas como viram, muuuuuuuuitas águas rolaram até aqui. Muitas histórias. Sofrimento sim. Aprendizado sim. Libertação sim!

“E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” (Evangelho de São João 8:32) Que verdade cristalina e consoladora! No meu caso, ME conhecer foi o suficiente e o necessário para me LIBERTAR!

Sócrates quando condenado à morte, disse a seus discípulos que não estava preso e que não estaria morto: Sócrates não era aquele corpo, mas era tudo em que acreditava e o que buscava.

Pois bem, a la Sócrates, foi necessário admitir a mim mesma muitas coisas, dizer umas tantas verdades a algumas pessoas, que foi aos poucos me libertando. Não fiz sozinha. Contei com a paciência e a experiência de algumas pessoas aqui e acolá me passavam o que aprendiam.

Aos poucos, fui traçando meu próprio caminho, minha jornada. Fui me dando conta de quem eu era, do que eu queria, do que me satisfazia, do que me realizava, do que me fazia plena.

E não, não estou falando em descobrir meu corpo e pontos estratégicos… nessa área nunca tive problemas. Estou falando de pontos muito mais difíceis de se tocar e de se alcançar e que muitas vezes doem, mas que são libertadores: pontos na alma.

Anteontem eu estava ouvindo a Luana Piovani no seu canal do Youtube “Luana sem freio” e era mais ou menos por ali… ela disse um tripé básico para se ser feliz na vida: dinheiro na conta, amor próprio e uma vida pra cuidar. Em outras palavras: ter um trabalho, ter uma vida pessoal, ter um relacionamento. Nas palavras de Luana, se um desses pés cair (como a separação dela do surfista Pedro Scooby), os outros dão conta do recado.

Pois bem, eu assumi para as pessoas quem eu sou de verdade e não quem querem que eu seja e isso foi soltar âncoras para ir pro mar! Dizer para minha mãe que eu não era a filha sociável que ela queria e que bastava de tentar me fazer ser quem eu nunca fui. Dizer para o ex marido que ele não tinha mais nada a ver com a minha vida e que devia se comportar como aquele cara que escolheu ir embora. Abraçar uma profissão que me realiza e me por realmente em marcha para migrar para essa área. Traçar novos planos, desafios e ir em busca deles. Autoconhecimento. Doação quando eu quero (isso quer dizer: dar de si o que se quer dar e dizer não ao que não nos faz bem).

O mestrado foi fundamental para essa emancipação: me ver por outros olhos que são meus próprios olhos, um pouco mais conscientes, um pouco mais experimentados, um pouco mais maduros, com um pouco mais de conhecimento e com outros referenciais para abalizar minha análise.

Hoje eu tenho 37 anos, 4 meses e 14 dias. Qualificada para a defesa da minha pesquisa em alguns meses. Ainda garimpando como fazer a migração do meu emprego atual para o que me realiza fazer (ensinar!escrever!pesquisar!). Uma assumida professora-pesquisadora de biologia e de formação de professores. Com uma filha às vésperas dos 12 anos e que está se encontrando na fase do Ensino Fundamental II, enquanto não encontra a personalidade adulta que está se construindo nela dia a dia.

Divorciada, livre e sem relacionamentos além da minha pesquisa, da minha filha, das atividades dessa nova profissão que assumi que me plenifica. Com algumas atividades não curriculares, apoiando alguns projetos, dando ideia a outros, multiplicando essa vontade de SEJA VOCÊ MESMO!

Às vezes me ocorre lembranças de relacionamentos e até vestígios de saudade de ter um homem perto mas… essa liberdade linda… ah… essa liberdade maravilhosa de ser quem eu sou sem receio de ser feliz, sem padrões para agradar, sem me importar se fulano quer ou não, sem essas coisinhas e picuinhas que inevitavelmente permeiam um casamento, um relacionamento… nossa! isso NÃO-TEM-PREÇO!

Se eu vou mudar de opinião dali a pouco? Não sei. Mas eu sei que sou livre para mudar de opinião ou de manter a opinião. E ninguém tem nada a ver com isso. De verdade, não só para ostentar em rede social palavras de ordem, palavras que no fundo só querem provar isso ou aquilo para esse ou aquele… Não, não… isso não é para mim. Tanto que aboli uma rede social, mal uso outra e esqueci outra. Enquanto muitos livros, muitas leituras, muito crescimento!!!

O ex? Numa segunda gravidez no segundo casamento… meu Deus… que benção não ser eu a estar lá! Amo minha filha mas… aquele bendito relógio biológico parou de gritar e graças a Deus ele não foi ouvido!!!!

Meu filho novo é meu trabalho novo. Minha nova eu é o meu destino. E isso. E fim! 🙂

Sobre Carmen Gonçalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
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