A Subversão do Notívago


Provavelmente por na infância, termos sido educados (até doutrinados) quanto à necessária quantidade de sono noturno e que este tinha uma faixa de horário em que devíamos ir para a cama, ordem essa da qual estavam os adultos isentos, o que os colocava em condição hierárquica de supremacia contra nós, então crianças, a ideia de transgredir esta ordem tornou-se uma das mais ambicionadas subversões.

Ocorre que quer seja por nosso relógio biológico, ou por efeito da rotina, muitos de nós simplesmente decidiram que era, a partir de alguma idade, indicação de maturidade assumirmos que aquela era uma subversão monotonamente vivenciada e portanto deveria ser superada, como ato emancipador da suposta sabedoria advinda com os anos.

Digo monótona porque havia uma necessidade de provar que se era capaz de ultrapassar a faixa de horário de dormir recomendada, de preferência mantendo-se ativo para as atividades diurnas obrigatórias; portanto, era um rito de passagem simbólico quanto à transição para a vida adulta.

Dessa forma, bem vista, tolerada, socialmente aceita e até recomendada para os meninos se tornarem homens (às mulheres, isso já não caía tão bem assim, principalmente a depender de como e onde essa transgressão ocorria, o motivo).

O fato é que, aquele puro notívago, o desafeiçoado ao dia, o que inverte seu ciclo circadiano, não entra e não sai desta transição, justamente porque a vida lhe é antagônica quanto à resposta fisiológica ao hormônio do sono.

Alguns, adquirem esta característica após eventos emocionante marcantes em suas vidas.

Ambos, transgressores, adeptos (e rotulados) por toda a vida, da “subversão” notívaga; que indica uma série de adjetivos não honrosos a esses espíritos da madrugada. Vítimas da preocupação materna ad eternum sobre o dever do sono regular.

Neste dia, e em alguns outros, sou uma dessas almas declaradamente subversivas, com “inúteis” horas empregadas com leitura e filmes.

Sobre Carmen Gonçalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
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