Cassino da Vida


Estamos acostumados a viver – ao menos, a maioria de nós – como crianças mimadas que querendo abraçar o mundo, não se dão conta de que o mundo não lhes cabe entre as pernas, e que tudo que conseguimos, já é lucro; e que, só permanece jogando na mesa, ganhando ou perdendo, quem quer. A qualquer hora você pode levantar, pegar suas fichas, levar pra outra mesa, ou trocar no guichê do

cassino da vida. Você escolhe o jogo, escolhe quanto quer apostar, escolhe quantas rodadas vai ficar, escolhe cobrir a aposta da banca ou ser engolido por ela. Mas o fato é que apenas os mais adaptáveis e racionais, sobrevivem e vivem.

Grande parte não percebe que mesmo na pior situação, pode estar ganhando algo, mas que pode escolher ir ganhar mais (ou menos!) em outro lugar, que pode nunca comprar o cassino, mas que nem por isso a diversão de viver, precisa acabar, precisa choro, vela, birra… Completamente desnecessário!

Já falei antes sobre expectativas, mas a base é sempre essa, então, voltamos a ela: Se você não tem agonia em chegar ao céu, será feliz escalando o arranha-céus e chegando no topo que não sofreu emocionalmente pra chorar, porque o esforço, a luta, são sempre necessários! Veja que não estou fazendo apologia de uma vida despreocupada, vivendo dissolutamente, mas que tudo isso é uma metáfora.

Vamos ser mais diretos e para isso, vamos pegar a grande pedra no sapato da multidão: Amor. Ou Relacionamentos, o que é bem mais fácil. Você escolhe estar na vida amorosa que escolheu, já disse o co-protagonista de Muito Bem Acompanhada. E é fato. Você está na relação que decidiu estar e vai permanecer nela enquanto o quiser também. Como no cassino, tem um preço pra entrar no jogo, uma aposta mínima, e pra sair você pode escolher sair enquanto tá ganhando ou agüentar as perdas. A relação está boa, ótimo! Aproveite! Viva! Invista! Construa! Mas começou a dar sinal de que vai naufragar. Analise o que falta ou o que sobra, veja se vale a pena o “tratamento” e se ele será efetivo. Note ainda se mesmo com evidentes margens de que pode fracassar, você pode escolher gastar tentando o conserto ou não, de qualquer forma, a decisão é sua.

Nesse ponto, o natural é pensar no que “vai perder” deixando a criatura. Mas pense no que ganhou durante e também se houveram perdas (na grande parte, sempre há), se você for racional e estatístico, verá que pode conseguir mais saindo ou se vale continuar ganhando o que está recebendo se escolhe permanecer.

Aproprie-se do conceito aqui apresentado: ESCOLHA. Você escolhe sempre. E essas escolhas te conduziram a tal ou tal caminho. Não há vergonha em notar os erros, desde que tenha aprendido com eles. E se ainda não aprendeu, mas já se deu conta, ótimo! Comece a estudar o assunto.

Chorar pode aliviar a alma, e é bom desabafar, mas… não vai voltar o tempo, não vai consertar o quebrado, não vai te dar o que não está disponível, então CHORAR NÃO ADIANTA. Assim como se descabelar, gritar, chutar, embirrar ou qualquer outra coisa que “bebês bobos” fazem.

Esse é um conceito que utilizo desde sempre com minha filha. Quando, por exemplo, ela quer algo, que não faz sentido, ou que não cabe, ou que não é possível, eu apresento-lhe coisas que eu também queria e não estão a alcance e pergunto-lhe se ela pode me dar o que quero, que se puder, eu darei o que ela me pede, farei tudo para. Então ela se dá conta de que todos nós queremos coisas e querer é bom, mas se descontrolar por isso, absolutamente não. Às vezes não é tão rápido e ela chora. Então lhe digo que: 1. Eu não consigo entender o que ela diz enquanto chora, então não é possível conversarmos, que quando parar, retomamos o diálogo. 2. Pergunto-lhe (ao parar o choro) se é possível, se é viável, exponho prós, contras, escolhas, conseqüências… dou-lhe a oportunidade de ANALISAR se está disposta a pagar o preço ou se existe VIABILIDADE do seu desejo. Concluída a análise, devolvo-lhe: Precisa chorar então? E ela sempre me responde que não.

Se seus pais não lhe ensinaram dessa forma, não há tempo perdido. Afinal, como postulou Darwin, o mundo é dos que melhor SE ADAPTAM. Não dos mais fortes, nem dos mais rápidos, nem dos maiores, mas dos que se adaptam com o que o habitat lhes oferece e usam isso a próprio benefício.

Claro que aqui não faço apologia à falta de escrúpulos reinante, ao contrário, destaco que quem faz o poder, é você, com o que decide. Pode não conseguir o que gostaria, porém, viver sem sofrer pelo que não é possível, já é se não todo, boa parte do caminho para não ser infeliz. Sim, porque a grande (e errada) busca é ser feliz, porém, nisso, não se dão conta de que quando não se é infeliz, já se é feliz, feliz e grato pela vida.

O seu maior poder é a sua capacidade de análise e escolhas. A ação virá naturalmente, quando tiver assimilado a totalidade desses fatores.

Bom início de semana lembrando que ficar no jogo, só vale a pena, se puder cobrir a aposta da banca!

Sobre Carmen Goncalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
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