Ode Medieval


Era uma noite nem muito quente, nem muito fria, tensa, não podia perceber a sutileza dos ventos invernais nos trópicos, muito discretos. Como prestaria atenção no clima, com a face rubra que se surpreendia com a aparência dela?

Ele lhe sorri, lhe estende a mão para entrar na carruagem que a entregaria ao destino desconhecido. Rondam a cidade. A noite havia guardado suas melhores estrelas e a brisa, seu melhor perfume, ele, as melhores estórias pra distraí-la. Ela sorria, descia do nervoso para ser feliz com ele, entre encantada e surpresa. Passara para outra realidade? Que era aquele lugar? Que era aquele mar? Que era aquilo tudo? Um sonho por certo.

O coração pulsante não permitia a hipotermia, o olhar dele a aquecia numa ternura e encantamento profundos. Uma melodia nova, distante e presente soa. Não sabia que depois, na torre, aquelas longas horas de trajeto, ínfimas pareceriam.

Chegada. Espera. Apearam do veículo monástico e singelo. Era o adeus. Não adiantavam as luzes refletidas na fonte, nem o perfume dos jasmins sobre o terraço e a seus pés. Não importavam os cânticos entoados pelo povo. Era esperada e isso a desesperava e o coração dele doía.

Fita-o. O tom de seus olhos implora que lhe ajude! O estranho havia mais cativo que o destino, o cru destino que lhe alarmaram.

Segura sua mão. Ressalta sua beleza, sua crença na possibilidade do certo, encoraja-a. E levando-a entrega Guinivere ao monarca que a aguarda.

Segue o cerimonial. Todos os ritos, todos os cheiros, todo o provençal… busca Lancelot por todo o espaço. Acreditava sim, que era seu castelo, como no seu sonho infantil, mas que não seria o imperioso, mas o servil cavalheiro que no fim das ordens a aconchegaria.

Um soluço, um suspiro, uma lágrima gêmea simétrica rola. Ele baixa o olhar em despedida. Não poderia suportar sua amada pertencendo a outro. Não poderia trair quem o indicara.

Silencioso adeus se manifesta na alma. Fitam-se e sem aceno, sem música, sem tempo, sem transeuntes, sem lugar, sem nada, tudo some quando encontram os olhos no momento final.

Cena de Tristão e Isolda, história considerada com a mesma origem de Lancelot e Guinivere

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Sobre Carmen Goncalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
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