O Significado do Silêncio


Passando por determinada situação, aonde dúvidas mil me assaltam, a única resposta que obtive foi o Silêncio. Aquele silêncio que mais um pouco e você pode ouvir os passos de uma formiga no outro extremo de onde você está. O Silêncio que incomoda, que machuca, que perturba, porque se fizemos perguntas, esperamos respostas. Talvez não recebamos a resposta desejada, mas sempre esperamos que haja resposta.

Mas eu não, eu apenas tive o Silêncio. O Silêncio dos lábios. O Silêncio dos olhos. Absoluto Silêncio.

Fiz perguntas afirmativas, perguntas negativas, perguntas contraditórias, perguntas pra se montar um desfile, ou melhor, uma passeata, perguntas tão insistentes como os caras pintadas que pediram Impeachment, perguntas impossíveis de serem ignoradas.

Silêncio.

Lembrei do velho ditado popular: Quem cala, consente.

Mas esse não era aplicável. Afinal, tinham perguntas como as cores de um carro alegórico, ou melhor, as cores de todos os carros alegóricos de todos os tipos e lugares de carnavais comemorados, nas ruas ou nos salões.

Perguntas que começavam a criar vida própria, saltar do papel, ficar ao lado do interrogado cheias de personalidade, de trejeitos, de provocações, de quem diz: Olha eu aqui bem na sua frente, te coçando, te beliscando, levantando faixas, cartazes, tocando buzinas, soltando fogos, lhe encarando e você vai ficar aí, simplesmente calado?

O interrogado simplesmente levantava-se, abaixava a tela do notebook e saía com o seu silêncio.

Algumas perguntas eram mais inconvenientes e irritantes, perseguindo-o com esbravejos enquanto ele, intacto, inacessível aos berros delas, continuava caminhando em silêncio, aquele silêncio que eu bem conhecia, um silêncio que não diz nada, que não trai a resposta, que não se entrega nem sob tortura. Silêncio.
……………………………………………………………………………….

Minha filha de 3 anos aprendeu a famosa e irritante (para alguns) música: “Um Elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais….” Interminável, que divide o mundo em duas categorias: Os que as cantam e adoram. Os que odeiam e vão acumulando, acumulando, acumulando até explodirem com um “pelo amor do amor, pára com essa música!!!!!!” ao máximo do volume da garganta do irritado, ou do que o tímpano do cantante possa, causando o espanto e um silêncio de 3 segundos, pra logo continuar a mesma música ou outra tão irritante quanto.

Foi quando ao arrumar mil pretextos pra fugir da música labirintitosa, me ocorreu a possível resposta das minhas entusiastas perguntas: Elas precisam deixar de ser pequenas e irritantes interrogações palavrosas pra se tornarem elefantes enormes, elefantes barulhentos, elefantes de um colorido caleidoscópico, elefantes que ou façam o interrogado cantar junto, ou o façam emitir a sonora exclamação decepcionante.

Ou cantamos todos e nos divertimos, ou fico estarrecida, chocada e calada pelo tempo que durar o efeito da exclamativa.

Como eu não tenho mais três anos, vai demorar bem mais que 3 segundos pra que eu esqueça e insista numa outra versão ou que eu me envergonhe o suficiente pra achar o caminho pro Saara e me deixar matar por alguma daquelas cobras usada no filme “Kill Bill“, mortíferas ao extremo, pra nem dar oportunidade de resgate, nem tempo de pensar em algo além do céu azul que eu aspirara.

  • | 22/11/10, 00:42

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Sobre Carmen Goncalves

Entusiasta da Arte de Escrever!
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