A Mulher-Esqueleto II


A noite do resgate chegou.

Ainda tremo de frio e temor.

Ainda meus ossos estão a ver

Ainda não tenho forças p’ra bater

O ritmo compasso do tambor.

A carne que almejo,

O destino que segredo,

Nos fios de cabelo a dormir…

Ele cansou de me tentar partir.

Ele me quer totalmente aqui?

Ainda tem re-atos de fuga

Enquanto eu chamo a madruga

Para do frio eu o guardar…

Ele aceita por me amar.

Miro a lua, escuto os animais,

A floresta e o mar não são iguais

E os atravesso e me entrego…

Aceitando-os eu me disfarço

De água e nada, que alimenta

Que deságua, que acalenta

Eu atravesso em entrega e nado,

Conheço o mar e à floresta espero.

A linda, maravilhosa, tocante e desnuda mulher-esqueleto… aquela que sou

e que não quero olhar porque ainda não está coberta de carne novamente.

 

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É proibido por Pablo Neruda


É proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer

Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas

Não lutar pelo que se quer,

Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor

Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos

Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,

Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,

Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,

Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,

Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,

Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,

Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,

Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,

Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,

Não pensar que podemos ser melhores,

Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

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Mulher Esqueleto I


Eu sou a mulher esqueleto

Por meu Pai exilada

Dada a tristeza dada

No mar sepultei-me.

Mágoas e dores

Sonhos rasgados

todo amedrontado

Como fios puídos

à morte dei-me

em abraço.

Juventude passou

resiliência veio

sorte me fisgou

emergida, vejo.

Não sabendo viver

no novo tempo

alinhei-me ao laço

crivado dentro.

Eis a noite chega

vem o alvorecer

paciência tambor rufeja

Canto voltar a viver.

 

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Por quem?


Por quem dobram os sinos?

Por quem caem as gotas de chuva?

Por quem o vento sussurra, o rio corre, o sol luzidia?

Por quem eu choro?

Por quem eu penso noite e dia.

Por quê imploro?

Porque meu sentimento vestiu uma fantasia.

Por quem?

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Ainda Assim Eu Me Levanto (Still I Rise) por Maya Angelou


Você pode me inscrever na História
Com as mentiras amargas que contar,
Você pode me arrastar no pó
Mas ainda assim, como o pó, eu vou me levantar.
Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque eu ando como se eu tivesse poços de petróleo
Jorrando em minha sala de estar.
Assim como lua e o sol,
Com a certeza das ondas do mar
Como se ergue a esperança
Ainda assim, vou me levantar
Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído?
Ombros curvados com lágrimas
Com a alma a gritar enfraquecida?
Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal,
Porque eu rio como se eu tivesse
Minas de ouro no meu quintal.
Você pode me fuzilar com suas palavras,
E me cortar com o seu olhar
Você pode me matar com o seu ódio,
Mas assim, como o ar, eu vou me levantar
A minha sensualidade o aborrece?
E você, surpreso, se admira,
Ao me ver dançar como se tivesse,
Diamantes na altura da virilha?
Das chochas dessa História escandalosa
Eu me levanto
Acima de um passado que está enraizado na dor
Eu me levanto
Eu sou um oceano negro, vasto e irriquieto,
Indo e vindo contra as marés, eu me levanto.
Deixando para trás noites de terror e medo
Eu me levanto
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara
Eu me levanto
Trazendo os dons que meus ancestrais deram,
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos.
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto!

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I'll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
'Cause I walk like I've got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I'll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries?

Does my haughtiness offend you?
Don't you take it awful hard
'Cause I laugh like I've got gold mines
Diggin' in my own backyard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I'll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I've got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history's shame
I rise
Up from a past that's rooted in pain
I rise
I'm a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.

Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that's wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

From And Still I Rise by Maya Angelou. Copyright © 1978 by Maya Angelou. Reprinted by permission of Random House, Inc.

Maya Angelou
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Emoções de uma Mestranda


Levanta. Sono.

Nhém-nhém-nhém p’ra acordar.

Corre. Carro.

Ou a hora não dá.

 

Roupa. Livro.

Comida. Celular.

Checa tudo. “Viu tudo?”

“Olha!” Tempo não dá.

 

Vai. Anota. Aprende.

Agora à labuta, pegar.

Sonho. Sangue.

Garra p’ra alcançar.

 

Busca. Luta.

Opositores no caminho.

Não para. Sacode o pano.

Ignora o Espinho.

 

…o soco na face..

…a raiva na boca…

Traição. Coragem.

Pia ‘inda cheia de louça.

 

Come. Engole.

Deixa tudo p’ra lá.

Recicla. Renova.

Respira… Remodelar.

 

O gosto do sangue.

O sangue na boca.

A dor no estômago.

Lixo p’ra tirar.

 

Tem mais. Tem todo dia.

Purifica a energia…

Põe o soco no saco.

Toma. Engole o sapo.

 

Pensa. Processa.

Desperta. Andarilhar.

Derrota? Nunca!

Tic-tac, à beira, devagar.

 

Acalma. Resvala.

A pua. Roseta.

Sorri ao torpe amigo.

E põe-se a marchar.

 

Resguarda. Alivia.

Estudo. Saída.

Esperança. Desafio.

“Melhor anotar.”

 

Perdoa. Abraça.

Afasta a faca.

Põe o soco no saco.

Saco no Lixo.

 

Sorriso nos lábios.

Vento. Burburinhos.

Regozija. Dança.

Céu a abraçar…

 

Ignora e vence.

Escolhe. Aprende.

Cavalos a trotar.

Levanta. Consumar.

 

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Lógica “Cristã” Marxista


A lógica que defende o bandido em detrimento do cidadão de bem e acusa aqueles que reconhecem e clamam pelo direito de defesa, se autointitulando “cristã” para coibir qualquer atitude de avanço da legítima defesa ou da cessação de crime, tentando infligir o medo da condenação eterna, usa o:

“Cristo perdoou o ladrão na cruz”

“tem a parábola do filho pródigo”

Contra os inúmeros:

“vá e não peques mais”

“Cristo expulsou os vendilhões do templo de forma peremptória”

“apocalipse”

A Bíblia possui muito mais ocorrência de punição, castigo, cessação do mal, expulsão, condenação, do que esses trechos que ouso desconfiar, foram aglutinados ao texto original, como tantos outros, em nome dos acordos históricos de miscigenação de culturas e tomada/manutenção de poder.

Até os povos chamados bárbaros – como tribos ou grupos étnicos chamados primitivos possuem um conjunto de leis próprias dadas à manutenção do bem, da concórdia, da boa convivência, de assegurar a sobrevivência do próprio grupo em detrimento de inimigos reais.

Então, deixemos de ideologia baseada em puritanismo. Ou age o Estado realmente instituído ou age o Estado democrático, ou agem aqueles que formam o Estado: o povo, para tomada e renovação do Estado como nação.

Pois quando os que estão no poder não defendem aqueles que mantêm os seus luxos… se há ilícitos meios que asseguraram a permanência espúria desses chamados governantes porém sustentados pelo trabalhador comum, cidadão de bem… então deve agir a base que permite hajam essas regalias, a mesma que vem sendo massacrada pelas ideologias.

Se Karl Marx e os que a ele se seguiram, fosse o melhor estado, suas vidas teriam sido exemplo de alguma coisa boa.

Vamos à história e vamos à ação.

Quando deturpam o passado é para manipular o presente, para condução do futuro.

Quem não estudo a história está condenado a sofrer no presente e a mais sofrer no futuro.

Quer mudança? Aprenda com os erros dos que te antecederam. Não pague o preço do seu sangue.

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CONSELHOS PARA A MULHER FORTE por Gioconda Belli


(Nicarágua, 1948)

Se és uma mulher forte
te protejas das hordas que desejarão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar.
Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos
até o mais profundo do magma de tua essência
não para alumbrar-se com teu fogo
senão para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.

Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
carrega também parasitas, varejeiras,
miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue
e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti.

Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz
a negar-te a palavra, a esconder quem és,
tudo que te obrigue a abrandar-se
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.

Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta
a nadar contra a corrente.

Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo
o rodeia de fossos profundos
mas lhe faça amplas portas e janelas.

É fundamental que cultives enormes amizades
que os que te rodeiam e queiram saibam o que és
que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação
uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos.

Se és uma mulher forte
se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.

Saberás que és um campo magnético
até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós.

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Present in Absence – John Donne


Para Ele, adapto J. Donne. Se tal posso.

“Ausência, escuta o meu protesto
Contra a tua força,
Distância e duração;
Para os corações constantes
Ausência é presença;
O tempo espera.
Meus sentidos querem seu movimento para fora,
Os quais, agora dentro,
A razão vence,
Redobrada pela secreta imagem dela;
Tal como os ricos que sentem prazer
Mais em esconder que em manipular tesouros.
Pela ausência este bom recurso ganhei:
Que posso alcançá-la
Onde ninguém a pode ver,
Em algum recanto fechado do meu cérebro:
Ali a abraço e a beijo;
E assim apreciá-la, e ninguém sente falta dela.”

&

Present in Absence – John Donne (1573–1631)

Absence, hear thou my protestation
Against thy strength,
Distance and length;
To hearts that cannot vary
Absence is presence;
Time doth tarry.
My senses want their outward motion,
Which now within
Reason doth win,
Redoubled by her secret notion;
Like rich men take pleasure
In hiding more than handling treasure.
By absence this good means I gain,
That I can catch her
Where none can watch her,
In some close comer of my brain:
There I embrace and kiss her,
And so I both enjoy and miss her.

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The Truth the Dead Know by Anne Sexton


Gone, I say and walk from church,
refusing the stiff procession to the grave,
letting the dead ride alone in the hearse.
It is June. I am tired of being brave.

We drive to the Cape. I cultivate
myself where the sun gutters from the sky,
where the sea swings in like an iron gate
and we touch. In another country people die.

My darling, the wind falls in like stones
from the whitehearted water and when we touch
we enter touch entirely. No one’s alone.
Men kill for this, or for as much.

And what of the dead? They lie without shoes
in their stone boats. They are more like stone
than the sea would be if it stopped. They refuse
to be blessed, throat, eye and knucklebone.

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