Sobre “Direitos”


Atualmente no Brasil (e no mundo!) há uma polarização exacerbada onde rótulos são dados e não há direito a se concordar aqui, acolá entre uma e outra coisa. Isso não é novidade.

De ambos os lados há extremistas, o que me faz recordar que se boa parte deste grupo são pessoas altamente intelectualizadas, que tiveram (ou têm) acesso à cultura geral, meios de comunicação e não se enxergam como analfabetos funcionais, deveriam ter a condição de ouvir, dialogar, usar argumentos, refutar, sem que neste pretexto, caia na vala do xingamento, do “a bola é minha e se não for do meu jeito, ninguém brinca!”.

Há uma acentuada imaturidade psicológica e tal invasão de privacidade ao pensamento íntimo que sequestrou a autenticidade, a verdade subjetiva, o “lugar de fala” de cada um.

Dentre os vários itens nesta pauta (longérrima, por sinal) está a questão da violência x (des)armamento. Pois bem, é sobre esse que eu quero deixar uma ponderação hoje:

Diz a Constituição de 1988, em seu capítulo inicial que trata dos direitos universais, que o cidadão brasileiro (compreendida a norma culta de que no plural, o substantivo segue o gênero masculino, ainda que só haja 1 único homem entre os demais e eu não vou entrar na questão da “sociedade patriarcal” neste momento, apenas a norma culta e vão brigar com a Academia Brasileira de Letras!) tem direitos como saúde, educação, lar, trabalho, renda, lazer, segurança, blábláblá.

Pois bem, na posição de cidadã brasileira sob a égide daquela Constituição, eu quero o meu direito de usufruir de tudo isso, sem que dependa de mim exercer esse direito através do outro direito: o da legítima defesa.

Eu quero exercer todo o mais que vem antes deste. Porque está lá, assegurado que eu tenho o direito à segurança, a ir e vir, a usufruir do que for fruto do meu trabalho, este assegurado por sua vez à outro código que lhe é próprio.

Eu não quero precisar de uma arma para ter meus demais direitos garantidos. Eu quero que as ações de segurança sejam exercidas a quem lhe é próprio. E este alguém não sou eu. Não foi o caminho que eu escolhi.

Mas eu quero o meu direito e quero que aqueles que foram instituídos para exercer a manutenção do meu direito, exerçam suas atividades de forma a me prover do usufruto do meu direito, já que a contraparte da cidadania eu faço, assegurando que eles tenham esta posição na sociedade.

Quando criança e até o fim da minha adolescência, morei em uma área vermelha, cujo morador ao lado da casa que eu habitava, era o chefe do tráfico da região. E a casa de sua concubina era muuuuito mais bonita que a nossa, dentro daquela realidade.

Eu via de tudo que o submundo exerce bem ali, mas eu continuava a estudar, depois a estudar e trabalhar e depois a trabalhar até que o fruto do meu trabalho me proporcionou sair de lá. (Thanks, God!)

Desnecessário dizer que naquelas condições, eu utilizei a educação pública, o transporte público e todas as outras peculiaridades da vida de quem mora em uma área assim, porém sem nunca fazer uso de assistencialismo governamental.

Por muito tempo, a minha alimentação diária se baseava no que R$1,00 podia pagar, enquanto minha mãe trabalhava e eu voltava da escola pra estudar e cuidar de mim mesma até a hora de seu retorno. Algo que não permito que aconteça com a minha filha, por saber todas as exposições que existem no mundo, ainda que nossa residência não seja mais em um lugar como aquele.

E eu continuo a estudar, a trabalhar e a cuidar da minha pequena como não pude ser cuidada.

Uma vez o meu pai me orientou sobre a legítima defesa, sobre sempre ter algo perto para me defender se fosse preciso. O mesmo pai que disse para não ter vícios que não pudesse sustentar ou que nunca participasse de jogos de azar ou apostas.

Portanto, eu sei do meu direito mas eu também sei o que é o risco e eu não quero ter que revivenciar contextos daquela natureza. Eu quero usufruir de tudo o que cultivei, do que colho a partir do que plantei com meu esforço, com as noites em claro, com os dias de quase nenhuma comida, para estar aqui agora, tendo o que já tenho.

Quero ter esse direito para continuar a me desenvolver, a crescer, a proporcionar à minha filha o que eu não tive, incluindo o exemplo de que passar a vida estanque em determinada situação é apenas uma questão de escolha.

Sempre dá pra sair do lugar comum, construir sua própria jornada, ser quem deseja ser sem que precise abusar do direito de outrem. Sempre dá pra cultivar uma vida, um lar, uma existência agradável sem precisar ameaçar quem quer que seja. Sempre dá para fazer escolhas boas.

Que os instituídos para exercer a segurança da sociedade o façam e que os que querem uma existência melhor se esforcem para sair do lugar comum. Assim, as armas naturalmente serão desnecessárias. Mas enquanto esse dia não chega, que esteja assegurado o meu direito de usufruir dos meus direitos, incluindo quem me proteja para que eu possa continuar dando a minha contraparte no mundo.

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37 (ou Paradigma de vida)


Por várias vezes eu quis escrever sobre minha chegada aos 37 anos. Mas são tantos acontecimentos que, tantas vezes eu apaguei tudo (nem salvei rascunho!) e deixei pra lá.

Sinto que preciso falar sobre isso, sobre como minha vida tem mudado, mas as mudanças estão ocorrendo dentro de mim, a partir do meu olhar e isso é muito mais profundo do que palavras registrem.

Descobri que não posso mudar os outros, mas a mim mesma e quando alcanço isso, meu olhar sobre o outro muda. Tudo passa a não ter mais importância do que aquele que o meu aprendizado ainda não alcançou.

“Fulano fez errado. Ciclano irritou. Beltrano não sei o quê.” e dali a instantes eu me apercebo que: NÃO É DA MINHA CONTA. Simplesmente, não é.

Cada um com suas escolhas. Cada um com os resultados de suas escolhas. Não temos que dar conselhos que não foram pedidos. Só temos que perceber que pedir um conselho não necessariamente precisa ser formal. Assim como comentar algo não necessariamente é pedir conselho. Pode ser só um desabafo, um comentário, uma constatação.

Precisamos não nos sufocarmos (nem aos outros!) com nosso egoísmo. A vida a partir do nosso olhar, nosso julgamento como o valor absoluto na relatividade da existência.

É sábio calar. É sábio ignorar. É sábio tocar o barco. 

É importante saber quando, como e o porquê do agir.

Às vezes ainda me irrito com a descrença de algumas pessoas sobre as minhas mudanças. Mas dali a pouco me dou conta: São colheitas do plantio que fiz. Só meus novos plantios, quando florescerem vão mostrar que eu mudei. Não que importe que percebam que eu mudei. A mudança é válida para mim. 

Posto esta parte do eu com o mundo, o eu com o eu respira melhor com essas mudanças internas mas ainda não se acostuma com a decrepitude do envelhecer. Não se acostuma com o faz de conta do “tudo bem” que alguns dizem. 

Não consigo crer que alguém que vá perdendo flexibilidade em acordar pela manhã, por exemplo, consiga achar que só a maturidade tá valendo a existência. 

Não sou apegada a viver, mas estou feliz vivendo esse momento, sentindo mudanças e sabendo que tudo é nada, porque tudo é relativo, é transitório, é outro… nem o eu será o eu em instantes. Esse é o “desapega” budístico.

Tenho me trabalhado para aceitar que o corpo vai decaindo. Como tudo no universo material (todo elemento atômico tem taxa de decaimento, tempo de vida, validade), o devir é o que há. É um despir o eu velho constantemente para aceitar que o próximo eu é outra coisa, que ganha em alguns aspectos o que perde em outros enquanto que o eu passado perdia naquilo enquanto exibia outros aspectos. 

Que bom que é assim! Imagina se a vida fosse apenas perdas?! Aliás, toda perda é um ganho: toda perda proporciona um ganho de aprendizagem, às vezes, um ganho na vida. O cara que perdeu o ônibus onde teve um assalto, sabe disso. Aquele semáforo que fechou e não deu tempo de passar e quando passou, tinha um acidente, também. Assim como aquele emprego na empresa que você não sabia que estava falindo e demitiria todos logo. Não há perdas. Tudo, dependendo de como vemos, é ganho. Logo, TUDO gera gratidão. 

Gratidão pelo que não pode ser dito, mensurado, aprisionado, guardado, exposto, escrito. Gratidão pelo que nem percebemos e nos salva todo dia. Gratidão pelas coisas que foram preparadas para nós antes de chegarmos à existência. Gratidão, gratidão, gratidão.

37 anos então, é Gratidão. Percepção de que entre todas as inúmeras aventuras no trânsito do existir aqui e agora, o resultado da conta é gratidão. Nunca perdas, nunca danos, desde que seja esse o seu modo de enxergar.

Tudo presta para quem presta. Nada presta para quem não presta. A vida é o resultado da nossa lente sobre a vida. Resultado da nossa vibração para ela, a vida é eco! 

Sempre vamos receber além do que pedimos ou pensamos MAS… o que estamos pedindo? o que estamos pensando?

37 anos é refletir. É a noção do bem, da constância, da construção do que estamos fazendo nesta passagem de tempo, porque o tempo é relativo de inúmeras formas, depende do referencial. Que referencial você tem usado para o seu tempo? Qual é o seu conceito de sucesso, de vida, de vitória?

Há pessoas para as quais vitória é ter um pão dormido, para outras, é não ter brigado com ninguém, para outras é pagar um boleto. Há pessoas que não enxergam o que há por trás das suas conquistas: sangue, suor e lágrimas. Para quem é estranho que você viva a vida que você elegeu pra si, ao invés de se deixar medir pelo padrão delas.

Ontem eu fazia um quebra-galho de barra de calças para os uniformes da minha filha. Enquanto eu lembrei e contei-lhe que tudo que eu não gostava de fazer na infância, eu pensava “um dia eu vou ter dinheiro suficiente para pagar alguém para fazer para mim tudo o que eu não gosto de fazer” e hoje ainda não cheguei nesse ponto mas já saí do ponto que era a vida que eu levava…

Isso não está em quem a vê estudar em escola X. Isso não está em quem me vê como a “coitada que tem que criar a filha sozinha”. Isso não está em quem acha que eu devia casar ou em quem acha que toda mulher que “põe homem dentro de casa, tendo filha” não é boa mãe. Isso não está em quem acha que ela já tem idade para fazer isso por ela mesma. Isso não está está em quem acha que essa ação me faz “prendada e do lar” como pontos altos do meu caráter. 

Sacrifícios não precisam ser contados, nem chorados, nem lamentados. Sacrifícios são vitórias. Conquistas são marcas perenes de tudo que você já caminhou, são atestado de tudo que você venceu. Escolhas e trocas para se ter algo através do cancelar outro algo.

Quando eu estou equiparada, as pessoas me entendem. Quando eu sou algo diferente de suas lentes e não caibo em suas réguas… eu mereço cautela.

Enquanto isso, eu vou vivendo. Vivendo a escolha de investir na educação da minha filha por acreditar que só a educação é a estrada para a vida digna em todos os aspectos, a conquista que nunca pode ser retirada. Vivendo a liberdade de não ter alguém que não me ama como eu sei que mereço ser amada. Vivendo meu tempo no ritmo que eu me permito. Vivendo a opção de fazer por ela algo para que ela faça algo por ela mesma (eu as barras, ela estudando para as provas). Vivendo a opção de dar um jeito eu mesma ao invés de gastar tempo, transporte e pagar mão de obra terceirizada para fazer melhor o que eu não sou especialista.

Os 37 anos são a compreensão e a aceitação de que NADA É TÃO IMPORTANTE ASSIM, para tirar minha fé, minha paz, minha tranquilidade. E que me irritar eventualmente, faz parte do meu processo de “aprender a ser gente na vida”. E que às vezes eu não estou irritada, estou apenas manifestando ao outro que eu não vou deixar que ultrapasse o limite para o comando de mim. 

Assim como não é que eu não esteja chateada, mas que aquilo simplesmente não vale o gasto de energia, porque vai se desfazer sozinho, por si mesmo, em pouco tempo. É percepção de que não sou eu, mas é o outro, frustrado em si mesmo, tentando me atacar para machucar a si próprio na ilusão de que é comigo o problema.

O voto de feliz aniversário mais verdadeiro que recebi foi de alguém que, em seus passos, pisou terras pelas quais eu já atravessei/atravesso, me desejando tudo o que queria para si mesma mas me dando a opção de fazer as minhas escolhas, livre de julgamento. 

E sim, foi a minha lente sobre a vida, de ler os outros a partir de mim que me fez sentir que esse foi o mais especial parabéns, porque quando eu desejo algo a alguém, eu sempre espero que seja de tal forma, como eu queria que fosse para mim, mas do jeito que serve para ela. Não pela minha régua, meu julgar, minhas relativizações, minha lente míope sobre como existir… Mas com toda a excelente good vibes que eu queria para mim mesma. 

Porque 37 são deixar fluir. Abrir as mãos para receber, viver, transformar, transmutar, passar e seguir tudo que seja realizador de verdade, transformador de verdade, melhorador de verdade para o outro, a partir da experiência dele, na realidade que ele formou para (e de) si.

Boa madrugada, 37.

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Capacidade de Amar


A temática é sempre a mesma, não? Do século XIX para cá, houve uma preocupação mais exacerbada sobre essa palavra “mágica” que, de uma ou outra forma, atrai todas as pessoas, porque antes as pessoas estavam muito preocupadas em se manterem vivas (de alguma forma, por algum motivo material).

Bem, tenho um amigo que insiste que amor é uma perda de tempo e o que existe são acordos sociais, que Romeu e Julieta não foi uma história de amor MAS um alerta sobre os perigos de se deixar levar por isso.

Hélio Couto dá diversas orientações sobre Amor, com base na produção e alimentação de substâncias endócrinas, ou seja: processo fisiológico que a partir destes hormônios, gera outros que nos dão a sensação de bem-estar.

E como prezam as impressões populares… gente “mal c_mida” é gente mal humorada.

Pois bem, ainda há a questão do amor manifesto fora das relações românticas, que juram as almas mais elevadas, que suprem a questão pessoal.

Então ainda há a questão do amor-próprio. Quem o tem, faz uma série de coisas e não faz uma penca de outras, mas em geral, é considerada em seu meio social como alguém feliz, equilibrado, zen. Afinal: sua fonte de satisfação começa em si mesmo.

Qual delas está certa? O que é essa palavrinha mágica e quem a pode manifestar? Pois bem, eu não sei. Em diversas fases da minha vida tive uma e outra impressão registradas aqui. Provavelmente vivi todas aqui.

E se o Criador (ou Força criadora, ou chame como quiser) é Amor e tudo que manifesta é através do amor, tornando o Amor a força e a magia maior… ah! essa era outra versão que não havia registrado, hein?

Eu apenas sei neste momento que, esta pessoa razoável aqui, não tem ainda a capacidade de abarcar o que seja o amor, que diretrizes o regem, o que é necessário para tê-lo (ou não tê-lo porque “amar é soltar!”) e todas as questões que o envolvem, ainda que, ainda veja verdade em cada uma destas afirmativas mas também dúvidas em cada uma delas, exceções à essa regra maior (talvez seja o fator humano a estragar tudo, “porque os animais amam incondicionalmente!”).

No dia em que eu me tornar energia infinita, sem início ou fim, talvez eu saiba o que é o amor, talvez eu sinta mas não descreva porque as civilizações não terão evoluído até o ponto infinito para compreenderem uma linguagem que o descreva, talvez eu olhe para minha primitiva forma e reconheça os primórdios do amor.

Mas talvez de todas estas verdades, a que importe agora é sentir aquilo que é o melhor para você sem ser o pior para os demais, porque daí, provavelmente é egoísmo.

O Eu (Self) acima do Ego.

Bom dia.

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Pregação


Uma tradição de fim de ano é visitar a igreja em que uma família amiga congrega.  Meu amigo comentara que de supetão soubera que lhe caberia trazer a palavra da noite, a “pregação”.

Pois, o termo pregação talvez derive do exercício de carpinteiro do ilustre motivo da existência da igreja: Cristo.

Enquanto meu amigo falava, minha cabeça escritora divagava – mesmo lhe dando atenção – sobre como eu agiria se fosse convidada a tal ato.

Pensei que uma possibilidade era partir do termo pregação, do ato de pregar, da habilidade de acertar o prego com a finalidade de que ele perfure madeiras com uma finalidade ainda maior: construir algo.

Lembrei da minha inabilidade em fazer uso do martelo e em como eu entortara pregos quando jovem, na vã tentativa de cumprir obrigações a mando de minha mãe.

Ocorreu-me a perfeição do carpinteiro em seu ofício: a perfeição do Cristo.

Minha imperfeição: eu mesma sendo a primeira a atestar que não tinha a condição de ensinar o que nem eu sei. Que talvez, o primeiro passo da cristandade seja o esquecimento de si, o reconhecimento da imperfeição, a constatação da incapacidade de, pela minha ação, agir sobre algo que tem o caráter de unir a fim de construir algo ainda maior e com utilidade.

Talvez falte isso nos chamados cristãos de hoje: a humildade de precisar aprender com o Mestre, o Cristo. Carregam um pronome-adjetivo daquele que foi o primeiro a ressaltar a importância de reconhecer-se mínimo diante do Todo, diante da Obra, diante do Pai.

Lavar pés, congregar párias, alimentar multidões famintas que depois arremessam pedras à primeira aparência de percalço: Servir.

Há tal beleza no servir que, como toda beleza verdadeira, é simples, tão simples que passa despercebida dos incautos, porém plenifica a vida dos “que têm olhos de ver”.

Eu pregadora. Eu pecadora. Eu aprendiz. Aquela a quem a lição do erro é a primeira a notar e insistir na prática até funcionar.

Somos plenamente capazes do devir. Plenamente capazes de vir a ser o que fomos criados para ser, plenificando e por isso, materializando potencialidades.

Que em 2019, aprendamos a refletir sobre os pregos tortos e a inabilidade que imprimimos nestes pregos, para que não tomemos a habilidade daqueles que não erraram os pregos da cruz, aqueles que se tornam algozes.

Mais importante que pregar, importa a finalidade do ato: pregar para construir, como o carpinteiro, em lugar de pregar para tortura, como os soldados que o dependuraram na cruz.

O Reconhecimento de incapacidades e o Aceite de potencialidades é o convite do Cristo. Assim ele chamou os pescadores de peixes a se tornarem pescadores de homens. Assim ele chamou cobradores de impostos a distribuidores de alimento material e espiritual. Assim ele tornou um algoz, o maior propagador de sua mensagem naquele tempo.

Todos esses aceitaram que eram menos para serem mais. Reconheceram seus erros, fraquezas, incapacidades para terem a oportunidade de acertos, de forças insondáveis, de materializar as potencialidades dadas pelo Criador a fim de um bem maior, de construir, de seguir o trabalho do carpinteiro, planejada pelo Arquiteto do Universo.

Assim ele convida a nós. Diga sim e se plenifique.

Feliz 2019.

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A Subversão do Notívago


Provavelmente por na infância, termos sido educados (até doutrinados) quanto à necessária quantidade de sono noturno e que este tinha uma faixa de horário em que devíamos ir para a cama, ordem essa da qual estavam os adultos isentos, o que os colocava em condição hierárquica de supremacia contra nós, então crianças, a ideia de transgredir esta ordem tornou-se uma das mais ambicionadas subversões.

Ocorre que quer seja por nosso relógio biológico, ou por efeito da rotina, muitos de nós simplesmente decidiram que era, a partir de alguma idade, indicação de maturidade assumirmos que aquela era uma subversão monotonamente vivenciada e portanto deveria ser superada, como ato emancipador da suposta sabedoria advinda com os anos.

Digo monótona porque havia uma necessidade de provar que se era capaz de ultrapassar a faixa de horário de dormir recomendada, de preferência mantendo-se ativo para as atividades diurnas obrigatórias; portanto, era um rito de passagem simbólico quanto à transição para a vida adulta.

Dessa forma, bem vista, tolerada, socialmente aceita e até recomendada para os meninos se tornarem homens (às mulheres, isso já não caía tão bem assim, principalmente a depender de como e onde essa transgressão ocorria, o motivo).

O fato é que, aquele puro notívago, o desafeiçoado ao dia, o que inverte seu ciclo circadiano, não entra e não sai desta transição, justamente porque a vida lhe é antagônica quanto à resposta fisiológica ao hormônio do sono.

Alguns, adquirem esta característica após eventos emocionante marcantes em suas vidas.

Ambos, transgressores, adeptos (e rotulados) por toda a vida, da “subversão” notívaga; que indica uma série de adjetivos não honrosos a esses espíritos da madrugada. Vítimas da preocupação materna ad eternum sobre o dever do sono regular.

Neste dia, e em alguns outros, sou uma dessas almas declaradamente subversivas, com “inúteis” horas empregadas com leitura e filmes.

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O poder do Limite


É incrível a capacidade do poder do limite: nem tão perto que consuma o pecado, nem tão longe que já não se sinta culpado.

O fato é que o poder do limite nos coloca na posição da decisão: avançar ou recuar? Que fazer a partir desta decisão?

E a parte tenebrosa: como vai se sentir após a decisão?

Você pode regozijar-se em avançar e que garantias de que aquela alegria advinda da ousadia do avançar, preencha?

E você pode sorrir no alívio de ter se mantido santo, puro e irretocável, mas talvez silenciosa e corrosivamente pensando no “e se?”, no como seria.

Em uma ou outra situação, talvez nunca se sinta novamente como naquele momento do Limite, aquele momento que tenta resgatar mas que nunca mais acontecerá de novo.

Porque o limite é isso: é o momento da transformação. O momento em que decide ser um novo alguém ou se manter no ostracismo da sua fatigada, porém conhecida e enlameada zona de conforto.

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Natureza Humana


Caso 1:

Colegas de trabalho. Um homem, dá uma lembrança a uma mulher. É fim de ano. Ela também lhe dera algumas coisas sem luxo ou valor material, durante o ano; assim como dera também a outros colegas, o que a levou a crer que era apenas uma retribuição de gentileza.

Outro colega soube. Os dois têm um passado de disputas por conquistas. Passam a se espinhar. O que deu a lembrança, simula mais intimidade do que tem realmente, quando o outro está próximo.

A mulher “manda recado” por outra colega que certamente não conseguirá guardar um “comentário”, sobre o desconforto da situação e que se fora o caso, chamaria ambos frente a frente para devolver a lembrança e que dividissem entre si, pois ela nunca se pusera na posição de disputa entre eles, muito menos teria por algum deles, interesse de qualquer natureza além do bom andamento no trabalho.

A rivalidade cessa. Todos voltam a agir normalmente e o clima volta à paz.

Caso 2:

Era um homem inteligente, charmoso, atraente, educado, cavalheiro. Passaram  algumas horas conversando. Ela decidiu ir além do tempo que normalmente se demorava em confraternizações, para que tivessem mais tempo para conversar. Juntos, eles riem, divagam, confabulam, se divertem!

Quando ela se despede, ele pede seu telefone, de uma maneira tão atenciosa que ela não pode dizer não. Mesmo arredia a decepções. Mas foi chegar em casa e começou a bipar uma sucessão de mensagens sobre “ver o dia amanhecer” na casa dela, esticando a madrugada, a conversa e … estava claro que ele queria sexo. Decidida, ela mesmo gentil, afastou a possibilidade.

Dias passam. Ela se sente atraída e propõe um café, em um lugar público, para conversarem mais. Ele aceita. Gentil, cavalheiro, educado, ele mantém uma certa distância que depois revela ter reconhecido que ela é conservadora, que com ela, não podia avançar demais, que já reconhecera (e aceitara) isso.

A noite se encerra mais cedo que da outra vez, mas ela torce pelo beijo que realmente veio a acontecer. Ela sabia que se ele a compreendesse, aceitasse seu tempo, mereceria sua atenção. Uma vez que ele demonstrou essa adequação ao ritmo dela, foi quando a ganhou. Ainda sem sexo, mas agora a ideia se tornara promissora.

Caso 3:

Um homem e uma mulher se encontram em seu trabalho. Ele diz o nome dela com a naturalidade de quem realmente esperava encontrá-la. Diz que a procurou outro dia, no horário em que ela não estava (e ele não sabia o horário dela) e perguntou se ela estava a uma outra mulher do recinto. A redarguida diz que ela não está, somente.

Então ele indaga da primeira sobre seus horários no lugar, ela responde, reforça e diz que agora já sabe quando achá-la. Se despedem.

Ao reencontrar a outra mulher, a primeira pergunta se de fato ele perguntara por ela, como dissera. A outra confirma, porém após alguns instantes, emenda que aquele homem não é confiável, que tentara envolvê-la pela cintura em um outro dia.

Então a primeira se dá conta nas entrelinhas da outra, que já tiveram tempo e oportunidade para que a segunda informasse ou comentasse sobre a busca do homem. A segunda ainda “pesca” que não sabe do estado civil dele. A primeira, inocentemente solta que ele é solteiro. Depois se dá conta de que fora sondada.

Comentando com um colega, este conta-lhe que a outra se empenhara em função do homem nas duas ocasiões em que ele estivera buscando a primeira; que por sua vez, recorda que a outra também tem comportamento suspeito, para uma mulher comprometida, com outro homem.

Após algumas horas pensativa, escreve ao homem, se desculpando mas que era melhor cancelarem o encontro.

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O que podemos aprender sobre a natureza humana a partir destes três casos?

Aguardo as respostas de vocês!

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Namorando alguém com divórcio em aberto (por Fabricio Carpinejar)


Não se separar no papel e começar a namorar é poligamia disfarçada. A separação de corpos não é ainda separação de almas.

Pode alegar que os papéis demoram, que o outro está magoado e não se dispõe a ceder, que não pretende perder a proximidade dos filhos, mas todas as desculpas são adiamentos confortáveis.

Se quisesse, de verdade, só partiria a um romance com a assinatura do divórcio. Sem enrolação, sem trazer problemas antigos para a nova companhia, que não merece mesmo receber insultos por tabela e ser transportada para dentro do barraco e da avareza de um matrimônio em crise.

Aguentaria o tempo de luto por respeito a todos os envolvidos e com o decente objetivo de não gerar desconfiança sobre a sua honestidade.

Ter um ex presente em sua vida já é constrangedor, ter um ex presente e com titulação oficial é terrorismo psicológico. Qualquer telefonema e encontro serão bombas de ciúme.

Por mais que não tenha coragem de assumir a indefinição, permanece com o coração vinculado a uma história pregressa, a um julgamento em curso, a uma guerra de muitas batalhas. Não passou, definitivamente, para a margem segura da

solteirice. Tem uma dívida a pagar, uma pendência, uma restrição de nome no SPC do Amor.

Se o divórcio vira novela arrastada por anos, não há como acreditar na sinceridade das adversidades. Pois repassa a tensão de dúvida, de que não tem certeza do fim, e busca manter duas relações ao mesmo tempo. Na prática, vive um relacionamento aberto somente para o seu lado.

Diante da porta que não foi fechada de vez, qualquer um sofreria com a cisma: vá que dê errado o namoro e ainda procure reatar o casamento?

É impossível ser feliz com essa ameaça.

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É chegada! É destino! (Por Fabricio Carpinejar)


Nosso amor não tem começo, porque eu estive com pressentimento de você por toda a vida. Muito antes de nos beijarmos, muito antes de nossa primeira vez. Eu sentia você comigo, mas não havia como dividir a confissão com amigo: qualquer um me acharia louco por conversar com quem eu ainda não conhecia.

O amor tem dessas mediunidades: de perceber a presença de alguém em um tempo anterior a viver com esse alguém. Quando chorava, era como se estivesse no meu quarto me olhando e me confortando: “aguenta firme, falta pouco para tudo ficar bem, para ficarmos juntos”. E despertava de manhã, analfabeto da fé, disposto a seguir adiante.

Foram décadas assim, procurando a pessoa perfeita para mim, procurando você.

Eu tinha tanta saudade do que não tinha vivido, essa saudade era você.

Às vezes o seu perfume me provocava imprecisamente, às vezes ouvia o som das suas vogais ao longe, às vezes alcançava o seu sinal incerto. Tudo desaparecia rapidamente: eu me dedicava a estar com você, meu fantasma vivo.

Confesso que fraquejei, praguejei e quase desisti, tentando me convencer que você não existia, que era uma alucinação de minha parte.

Você vivia dentro de mim antes que eu lhe enxergasse fora de mim.

A esperança de você chegou bem antes de você chegar.

Quando não estava com você, estava a caminho de você. Estava indo em sua direção.

Cada tombo, frustração, decepção amorosa e eu me aproximava mais de você.

Amor como o nosso, Beatriz, não tem começo, é chegada, é destino.

(Copiado da página de Fabricio Carpinejar, 26/11/18, no Facebook)

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No culpes a nadie (Pablo Neruda)


No culpes a nadie – Pablo Neruda

Nunca te quejes de nadie, ni de nada,

porque fundamentalmente tú has hecho lo que querías en tu vida.

Acepta la dificultad de edificarte a ti mismo

y el valor de empezar corrigiéndote.

El triunfo del verdadero hombre surge de las cenizas de su error.

Nunca te quejes de tu soledad o de tu suerte,

enfréntala con valor y acéptala.

De una manera u otra es el resultado de tus actos

y prueba que tu siempre has de ganar.

No te amargues de tu propio fracaso ni se lo cargues a otro,

acéptate ahora o seguirás justificándote como un niño.

Recuerda que cualquier momento es bueno para comenzar

y que ninguno es tan terrible para claudicar.

No olvides que la causa de tu presente es tu pasado,

así como la causa de tu futuro será tu presente.

Aprende de los audaces, de los fuertes, de quien no acepta situaciones,

de quien vivirá a pesar de todo,

piensa menos en tus problemas y más en tu trabajo

y tus problemas sin eliminarlos morirán.

Aprende a nacer desde el dolor

y a ser más grande que el más grande de los obstáculos,

mírate en el espejo de ti mismo y serás libre y fuerte

y dejarás de ser un títere de las circunstancias

porque tú mismo eres tu destino.

Levántate y mira el sol por las mañanas y respira la luz del amanecer.

Tú eres parte de la fuerza de tu vida, ahora despiértate,

lucha, camina, decídete y triunfarás en la vida;

nunca pienses en la suerte, porque la suerte es:

el pretexto de los fracasados.

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