A Poesia na minha vida


A poesia está presente na minha vida, da prateleira ao blog, passando pela minha rua, que também tem nome de poeta, onde já não mando ladrilhar nada.

A poesia, talvez, narre o inconsciente, e por isso a intensidade de impopular sentido mas de amplo alcance.

Do eco de Meireles, aos arroubos de Maiakovski, à natureza de Bandeira, ou grilhões de Castro Alves… minha terra tem palmeiras e a chácara do Chico Bolacha, onde não encontro o amor pérfido ou romântico, se for de Andrade.

Se Shakespeare tinha máscaras tantas, eu tenho rimas demais… mas graças, graças (!), não escrevo mais “ai’s”.

Vou para a narrativa da vida, onde as crônicas me desafiam e encantam, causando tal reflexão que não escapo de cultivar em mim, a temperança.

Da lâmina forjada ao vidro “blindex”, já não derramo desnecessárias lágrimas a quaisquer pés.

Se quebro, espedaço em cacos recicláveis, nunca mais pontiagudas dores de corte ágil.

Mas de entregar-me à aprendizagem pela errância, já não cultivo marcas e desapeguei de lembranças.

De redemoinho a moinho de vento, ao invés de sugar destruindo, eu ajudo o fluxo que leva o que é de curto tempo.

Águas, águas que não voltam mais.

E de seguir caminhando, já sei que no caminho há pedras, mas não me demoro em pensá-las porque há o encanto e o canto, a vida é bela e dia a dia, se completa.

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Medula Óssea


Em 1939 acontecia o primeiro Transplante de Medula Óssea (TMO) no planeta. No Brasil, foi a primeira vez em 1979 pela rede pública, e em 1987 o Hospital Israelita Albert Einstein realizava o 3.transplante de medula óssea no Brasil, o primeiro da rede privada  e certificado pela Foundation for the Accreditation of Cellular Therapy (FACT).

O TMO ou Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH) trata doenças oncohematológicas, hematológicas, imunológicas e hereditárias, onde o paciente recebe células tronco da medula do doador, como uma transfusão de sangue.

A escolha do doador acontece a partir do teste de compatibilidade chamado Antígenos Leucocitários Humanos (HLA), pela maior identidade de HLA presente no cromossomo 6, descoberta feita pelo Dr. Paul I. Terasaki, PhD (1929-2016), que ficou conhecido como “pai do HLA”, atual exame padrão para TMO.

Um número cada vez de doadores favorece a possibilidade de TMO já que o nível de compatibilidade entre doador-receptor é de 1:100 mil, que é checado a partir do banco de dados de doadores, o National Marrow Donor Program (NMDP), que no Brasil é o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) no Instituto Nacional de Câncer (INCA): o 3.maior do mundo e vinculado ao Ministério da Saúde (MS).

O primeiro TMO entre não aparentados (TMO alogênico) foi realizado com sucesso em 1969 em Seattle (EUA), pelo Dr. E. Donnal Thomas (1920-2012), que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1990 pelo feito. No Brasil, foi feito 10 anos depois pelos hematologistas  Ricardo Pasquini e Eurípedes Ferreira do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

O próximo passo da ciência no tratamento desta gama de doenças é a via de uso das células tronco de cordões umbilicais, assunto da Rede de Ensaios Clínicos de Transplante de Medula Óssea (BMT-CTN Bone Marrow Transplant – Clinical Trials Network).

Onde moro, as pessoas interessadas em serem doadoras de sangue ou de medula óssea, ou ainda os que precisam de tratamento de doenças ligadas ao sangue, é a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM), onde hoje eu fui me cadastrar como DOADORA VOLUNTÁRIA DE MEDULA ÓSSEA.

Já era doadora de sangue desde 2005, quando uma colega de trabalho precisou de doadores para realizar uma cirurgia para retirada de miomas que lhe rendiam hemorragias terríveis e constantes.

A experiência se tornou um hábito que me alegra muito, já que é algo onde realmente damos do que temos sem nada em troca e que também pede que tenhamos uma vida saudável e com hábitos de zelo pelo corpo que temos.

A “tentação” para doar medula era antiga: minha professora da alfabetização faleceu acometida de uma doença que poderia ter sido viabilizada pela TMO, mas não encontraram doadores compatíveis…

Já havia tentado me cadastrar outras vezes mas a burocracia era demasiada e meu tempo para sair do trabalho para isso, não existia. Mas agora, menos de 2h e tudo resolvido, já que eu já era cadastrada no HEMOAM como doadora de sangue: Preenchemos um formulário em 2 vias (uma é nossa) e recebemos a carteira que nos identifica como Doadora Voluntária, com um número específico no REDOME/INCA, depois coletamos 5mL de sangue para a efetivação do cadastro (sua identidade sanguínea no banco de dados, por assim dizer).

O mais interessante é que diferente de doação de órgãos outros, a medula óssea se regenera e depois de um tempo, você pode novamente contribuir para salvar outra vida (eu logo perguntei no atendimento!).

Estou muito feliz! Não sendo doadora de órgãos, me sinto copartícipe dessa mudança necessária ao planeta também pela doação de sangue e – agora – de medula óssea. Faça parte deste movimento você também! Se informe qual hospital é conveniado e tome mais informações e depois a decisão. Aguardamos você!

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Espelho, Reflexo: o outro em mim


Estive conversando com uma amiga com quem por longo tempo me identifiquei na jornada dos relacionamentos. Pois bem, eu creio que segui. Tenho me esforçado muito para realmente ter cruzado essa ponte dos relacionamentos tóxicos.

Então ontem me encontrei em uma situação auto-constrangedora: alguém por quem torci muito, “tomasse um rumo na vida”, estava radiante afirmando ter tomado rumo na vida. E qual o meu choque! Mesmo não vendo o menor interesse naquele ex, no momento em que eu me vi participando mais da vida dele do que me interessa, e ele estando com outra pessoa (com a qual eu já o vi, e eu também estava acompanhada na ocasião, que apenas me surpreendeu, por ele ter me cumprimentado, o que queria dizer exatamente o que eu vinha pregando: que o trem havia partido daquela estação e ela tinha fechado em definitivo por falta de “lucro vivencial”) e nessa nova vida uma outra ex também participando em outro aspecto e amiga da atual… eu me senti deslocada quando esbarrei com ela na saída de um local público.

Uma parte de mim sentia um circo onde trocávamos serviços pela conveniência do “mundo civilizado dos relacionamentos” onde ele havia montado exatamente uma comissão de assessoramento pessoal e profissional.

Há quase 1 ano ele havia me pedido perdão, se dizendo arrependido por tudo que havia me causado e investiu meses em reaver minha amizade, com situações desnecessárias de aproximação que não tinha cunho de “amizade”, que eu ignorei. Era definitivamente uma página virada (até porque quando vemos a pessoa real, fora da persona que ela criou para nos seduzir – sim, a palavra é esta – vemos que é completamente recusável).

O fato é que não só no shopping ou no supermercado nos enganamos com embalagens. É necessário tempo para averiguar o item, sem o teste drive sexual, que confunde tesão com valorização. Aliás, nestes tempos, o tesão mais tem servido para desfocar e desvalorizar que o contrário. Não compramos o queijo gouda que podemos comer amostras grátis o suficiente com tacinhas de vinho (como servem em um supermercado que conheço).

Meu orientador costuma ter algumas palavras-chave para que suas pupilas não percam o foco: (auto)amor exigente; ver a essência ao invés de enxergar só a aparência; além da consciência sobre as bases essenciais na vida: conhecimento e financeiro. Se o suposto amor falhar… você não vai cair se tem esses dois elementos. A Luana Piovani junta a estes ter uma vida social com amigos verdadeiros, de qualidade, que pode ou não ser sua família: pessoas que te enxerguem de verdade, como você é e possam tanto te falar o que você precisa ouvir quanto o que você também precisa ouvir! O que te alerta e o que te consola, no equilíbrio certo.

Outro dia, nesse supermercado, o cara que estava lá nessas amostras, já me mediu anunciando o valor da garrafa de vinho. Eu respondi: “-É… vale para uma data especial, um aniversário… hoje não, hoje eu quero algo só para me distrair.” Mas levei o queijo gouda.

Talvez na vida devêssemos ser assim: mais avaliativos, mais atenciosos. O Hélio Couto tem uma palestra sobre A Bioquímica do Amor, disponível no youtube. Outras sobre espelhamento, PNL e outras técnicas de ancoragem que também atendem ao behaviorismo dos relacionamentos, amorosos ou não. Da qual, confesso, ignoro as “técnicas” de como manter alguém para focar em uma outra palestra que fala sobre amor próprio, que tem logo no início algo assim: “o que faz alguém amar você é o quão autêntico você é”. Ou seja: se ame, seja alguém melhor para você e então, como diz uma amiga: “o mundo vai te amar do jeito que você se ama”.

Voltando à analogia do supermercado, também disponibilizam castanhas diversas para a prova do vinho da vez. Pois bem, quando eu vejo que não tem algo com o que pegar de forma higiênica ou que mesmo tendo, há quem meta a mão sem nenhum critério de que não é o único ali e que vigilância sanitária é algo necessário… eu não como.

Outro dia inclusive, dei uma bronca em um cara que sem a menor cerimônia enfiou a mão nas amostras de queijo, tocando em várias e sem levar todas que pegou, ainda que estivessem ali os palitinhos para degustação.

A vida é assim: cheia de pessoas sem critérios, para as quais devemos manter critérios. Se a pessoa não segue a sua noção de saúde mental/emocional/social… seja criteriosa com você e aprenda a rejeitar o que pode lhe adoecer.

Talvez seja por aí, mas é só o meu palpite.

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Pessoas-função


Estava vendo o ep.4, temp.1 de “Modern Love”, série do Prime Video (da Amazon), inspirada em uma coluna do New York Times, que reflete – a meu ver – como a geração X e Y lida e se choca com a liquidez dos relacionamentos que Bauman proferiu (que todos criticam mas ou vivenciam ou se isolam). Material rico para quem se interessa em considerar as questões psicológicas e suas consequências na sociedade.

O episódio citado me fez pensar em “esposa-função”: aquela pessoa que é elegida entre tantas para cumprir determinado papel na vida de alguém, sem de fato se tornar parte da vida deste alguém, ainda que dividam muito da intimidade da cama aos boletos e nem sempre da criação dos filhos (se houver).

Foi quando recebi uma mensagem de uma amiga me perguntando qual a minha opinião sobre um pai de família que curte determinado conteúdo de mensagens depressivas nas redes sociais. O que me fez pensar no contra-ponto “marido-função”.

Respondi à minha amiga que:

  1. Não é da nossa conta.
  2. Todos temos nossos momentos de raiva, alegria, frustração, medo, fuga… mas o que conta ao fim do dia é o resultado entre essas emoções e as que nos fazem felizes e nos mantêm onde estamos.
  3. Uma outra amiga diz que não devemos ter pena das pessoas adultas porque elas têm poder de escolha. Estão onde todos os dias escolhem estar.
  4. Não devemos gastar nosso tempo e emoções atribuindo valores e significados a conteúdos de redes sociais, pois a maior parte ali tem intencionalidade dissimulativa ou hiperbolizada. As pessoas querem atenção pelo que postam e curtem seu inconsciente. E isso é totalmente assunto delas, não nosso. Devemos sim usar nosso tempo e preocupação com pessoas que os querem, que os pedem (de verdade!). Hélio Couto diz que não devemos dar conselhos a quem não os pediu. Nesse ponto temos que saber quem está pedindo de verdade também mesmo quando não está verbalizando, devemos dar atenção aos que realmente estão na nossa vida e filtrando quem deixamos ocupar esse nosso espaço pessoal da atenção, cuidado. Devemos entender que todos mentem e que cabe a nós a leitura da mentira que carece de nossa atenção, como o comportamento não verbal dos nossos filhos, por exemplo. Use seus olhos para olhar  mais para dentro do seu mundo pessoal do que para a vida alheia.
  5. Pode ser uma identificação da pessoa com uma outra coisa qualquer que pode nem estar diretamente ligada à sua vida afetiva, matrimonial, pessoal… (quantas vezes eu curto e posto coisas que casam com situações que chegaram até mim pela fala de alguém ou que eu observei em alguma circunstância? quem nunca?! eu vejo isso como a possibilidade de fortalecer alertas para nós mesmos sobre coisas que não podemos esquecer para nosso próprio bem-estar e segurança). Cada um é um mundo e tem seus próprios motivos para postar o que quer que seja, o que enfatiza a questão de: não temos o poder da adivinhação sobre a intencionalidade do outro e se o outro ainda nem tem consciência de coisas de si, nem ele sabe porque postou e se indagado vai dizer algo como “não sei… achei legal, sei lá”. Não estou isentando a pessoa do seu conteúdo, mas dizendo que talvez nem tenha emergido o suficiente para ela se dar conta, sabe? ato falho? vazamento? E ainda que aquele conteúdo e a pessoa tivesse relação conosco, a pessoalidade, o fórum íntimo está aí para isso: decida por você e não a partir do outro, ainda que seja uma decisão que afete o outro.

Pe. Fábio de Melo diz em uma das suas belas pregações sobre ser amado depois que a utilidade acabar, porque enquanto temos utilidade, as pessoas vão tentar nos iludir de que nos amam porque temos importância a partir do que podemos ofertar a elas ao passo que na inutilidade, ficam os que nos amam de verdade.

Não me atrevo a julgar os que optaram/optam por serem “pessoas-função”, mas não me vejo neste quadro, parece solitário e tenebroso demais uma vida de sombra, onde a plenitude pareça sempre inalcançável porque não temos à nossa disposição essa totalidade que faz dos relacionamentos serem verdadeiros, que dão um ao outro a oportunidade de saber e escolher ao invés de receber o que o outro julgou que merecíamos.

Desde bebê incentivo a minha filha a expressar suas emoções, a dizer quando tem raiva, quando está triste, etc., em lugar de só falar das coisas boas. Incentivo-lhe que o dizer além de tornar consciente aos envolvidos na situação, ainda permite avaliar a situação ao invés de condenar as pessoas, ou seja: expressar transcende e nos retira do lugar de adoecimento para o lugar do reconhecimento e da gratidão. Porque expressar também é contar as alegrias e satisfações e compartilhar com outrem a dimensão de nossas conquistas e realizações.

Mas isso é um processo que ela ainda engatinha, porque ela já entendeu que expressar também significa responsabilizar-se, assumir o compromisso da fala e de suas consequências, impactos, desafios. Expressar-se significa crescer, amadurecer psicologicamente e tomar a dimensão de realidade de si (identidade narrativa, história redentora, função transcendente, individuação) e dizer a si mesmo o que é seu e o que é do outro, escolher o que fica e o que sai, decidir o que fazer com o que fica, como moldar esse conteúdo assimilado ao consciente.

Porém, acreditem: é ma-ra-vi-lho-so! Olhar e reconhecer sua sombra é um passo ao caminho do desenvolvimento de suas potencialidades, a partir da integração de seus aspectos subjetivos, psicológicos e carregados de energia.

Tenho tido muita cautela com o que vou dizer ultimamente porque nunca saberemos quando uma frase nossa será distorcida e usada para a própria destruição da pessoa. Exemplo? “Faça o que te faz feliz, hoje!” Olho para alguém com quem lido diariamente e vejo o quanto a pessoa se afunda cada vez mais em situações autodestrutivas e relacionamentos abusivos porque é aquilo que “a faz feliz hoje”.

Então encerro este texto com um alerta: Não seja essa pessoa. Assuma-se em sua essência e seja o que você foi criado para ser, independente se você acredita em Deus ou no caos, toda essa matéria condensada que você é e toda energia psíquica que carrega, não estão aí só para ocupar espaço no mundo se lamentando e sofrendo. Você foi criado(a) para a felicidade verdadeira e plena, responsável e consciente. Brilhe!

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Ainda em “Histórias de Vida”


“Eu já trabalhava há XX anos no XXXX, então decidi que ia fazer aquilo que gosto e foi assim que vim parar aqui.”

Quando eu penso na escolha de ser professora, sempre tenho a impressão que as pessoas me vêem como sonhadora; porque elas não acham que há glamour algum na profissão que me satisfaz. De fato, isso é um problema delas, não meu. Porque a cada vez que eu entro em uma sala de aula para aprender ou para ensinar, há um brilho inegável no meu olhar que fala do que há no meu coração: Sou feliz fazendo isso.

Sou feliz quando posso estender a outras pessoas o que eu já aprendi e elas conseguem ressignificar isso dentro da vida delas, do cotidiano delas, da realidade delas. Fico feliz quando um aluno em plena inércia começa a despertar e seus olhos acendem e ele passa a participar da aula porque aquele conteúdo passou a ter sentido para ele.

Sou feliz porque ser professora me conecta de uma forma às pessoas, à humanidade delas, como não sinto em qualquer outra situação, mesmo em trabalhos filantrópicos. A solidariedade pode fazer muita diferença para quem recebe e mais para quem a faz mas… nem toda filantropia transforma. O aprendizado transforma sempre e dura. Isso me encanta. Isso dá sentido à minha passagem neste planeta.

Porém, como eu dizia no início, não é uma ideia da qual muitas pessoas participem, além das que até anteveem mas acham que é utópico demais. Há sempre alguém para culpar, para atribuir e dificilmente o assumir a parte individual deste trabalho que é coletivo. Então imaginem o meu encantamento quando ouço alguém dizer aquela frase que abriu esta postagem:

“Eu já trabalhava há XX anos no XXXX, então decidi que ia fazer aquilo que gosto e foi assim que vim parar aqui.”

Este homem me disse que tinha uma vida profissional em um dos setores considerados como melhor pagos no funcionalismo público, concursado e com tempo suficiente para ter optado se manter ali por mais uns anos até aposentar… Mas um dia ele decidiu que já tinha passado tempo demais ali e ia fazer o que realmente o faz feliz e largou aquilo para ser professor, em outra terra, distante de toda a realidade que conhecia até ali.

Não faço ideia de como os meus olhos devem ter brilhado naquele momento! Como foi maravilhoso ver que eu não estava só no mundo. Eu vejo seu trabalho e dedicação, mesmo nos tempos cansativos, com alunos difíceis, mas não vi um lampejo sequer de arrependimento na escolha que ele fez há 8 anos. Vejo como ele se empenha e se entusiasma com um projeto novo, com algo que acredite ser interessante para a área, algo com o que valha a pena investir sua energia. Como isso me encanta!

Claro que conheço outros professores e professoras que me inspiram e naturalmente já os vi em momentos de entusiasmo com alunos que dão sentido ao investimento que eles fazem na profissão, assim como momentos de desilusão com alunos, com a sociedade, com o empregador, com o país, com o planeta… Então o que deu sentido àquela história de vida em diferente grau que as demais?

É muito simples: eu me vi ali. Eu não vi o que me inspira, eu vi o que eu sou agora. E me vi tão real, tão concreta, que me fez sentir viva com uma existência que não é solitária. O espectro da professora sonhadora deu licença para que a realidade do que decidi fazer se manifestasse alta e em tom sensato. Alguém que continua se reconstruindo e que optou por isso após um bom tempo no velho e estável funcionalismo público.

Bom, sou funcionária pública da área da Saúde desde 05dez2005. Fazia muito sentido estar ali e prestar assistência imediatista para as pessoas, até o sistema continuar decaindo e hoje receber mais xingamentos por “não querer ajudar” do que a velha troca do “faço a minha parte e o resto é consequência do seu voto”.

Hoje já não temos as opções marginais ao sistema, onde o povo poderia receber o que busca de forma menos burocrática e decadente. A sensação de impotência é avassaladora. Gramsci tinha razão quando propôs que a mudança mais eficiente no sistema era ir para dentro da educação e da cultura, ainda que fosse uma mudança lenta, porém era de uma efetividade sem precedentes.

Porém, como alguém apaixonada pela Fenomenologia como percurso investigativo, eu prefiro olhar do subjetivo para o coletivo, ao invés do “o homem é aquilo que a sociedade faz dele”. Eu acredito na força de vontade, na independência, na escolha, na decisão. Eu acredito na mudança do coletivo a partir do indivíduo ao invés de aceitar passivamente que “é o que é e só vai piorar”.

Realmente não importa o poder instaurado atual, não importa os ditames estabelecidos agora. Importa as escolhas que fazemos e como elas afetam o mundo ao passo que contagiam outras pessoas. Só tomamos essa decisão quando ela é maior do que nossa realidade material. Quando ela nos toma de tal forma que o pensamento cria uma nova realidade a partir do que deseja e pelo que trabalha.

Eu nunca teria chegado aqui se tivesse me acomodado à realidade onde nasci. Eu não o teria conhecido se tivesse me acomodado. Eu nunca teria ouvido aquela frase onde me enxerguei se não tivesse tomado a decisão de construir meu próprio destino a partir do aparente nada onde não havia onde minha força de vontade se apoiar, exceto na crença do sonho de ser eu melhor do que eu estava. Eu nunca teria chegado ali, naquela noite, próxima o suficiente daquele homem reservado para ouvir dele a frase onde me vi, se não tivesse ousado criar uma possibilidade em um mar de probabilidades há 25 anos.

Era a oitava série do ensino fundamental II, em um colégio público onde nem tínhamos quadro de professores completo. Encontrar camisinhas no turno matutino dos alunos do turno noturno, era quase rotina. Saber de estupros no banheiro feminino e masculino também. Drogas? Também eram opção acessível mais do que eu gostaria de saber que era possível a criaturas que mal entraram na adolescência. Mas naquele ano eu decidi que queria ser cientista.

Mesmo sem estrutura escolar, onde passava o resto do dia só, porque minha mãe tinha que trabalhar ou acompanhá-la e também trabalhar com ela eram as opções, eu passei no “mini-vestibular” da ETFAM, para cursar Técnico em Química e aquela instituição me acolheu academicamente até os dias atuais, como mestranda.

Por muito tempo eu acolhi o sonho de ser professora lá, como meus professores contavam que também haviam sido alunos. Eu não sei para onde a vida vai me levar como professora, mas eu sei que aquele sonho me conduziu até aqui. É importante ter sonhos e trabalhar por construí-los. É importante querer e buscar.

“Pedi e dar-se-vos-á. Buscai e achareis. Batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe. E o que busca, encontra. E a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Lc. 11:09)

Em “O Poderoso Chefão III”, Michael Corleone vê os cubanos que lutam pela revolução apanharem dos soldados do governo. Ele comenta com os outros mafiosos e eles não lhe dão crédito, dizem para que esqueça, que aquilo não importa para eles. Mas ele completa que aquela cena o fez pensar que eram aqueles revolucionários que ganhariam aquela guerra, porque o que os alimentava não era o sistema, não era o que tinham, mas o que queriam ter. O desejo era maior e era o que os faria vencer. Michael estava certo, como a história registrou.

Qual é o seu desejo?

O meu é encontrar mais pessoas que como aquele homem do início do texto, decidam fazer o que acreditam, o que os faz felizes de verdade e largar tudo em busca de adquirir isso.

“Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.
Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;
E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.” Mateus 13:44-46

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Oportunidades e História de Vida


Como escritora, milhares de situações hipotéticas me ocorrem em pensamento, mescladas a situações reais e às várias possibilidades que elas poderiam ter. Pois bem, hoje me ocorreu esta: E se alguém me perguntasse o possível julgamento sobre a vida pretérita de uma terceira pessoa?

Lembrei da história de vida de uma tia (tia por afeto, não por sangue) que aqui resumo: Quando meu tio a encontrou, ela integrava um cabaret francês (algo que quando eu me referia, lhe dizia “seu tempo Moulin Rouge“). Ele a conheceu, a amou e a pediu em casamento.

Pelos trocentos anos em que estiveram casados, ela foi a melhor esposa que ele poderia ter: companheira, dedicada, paciente… e sem tocar ou olhar para qualquer outro homem até que ele desencarnou, quando ela foi consultada por um amigo dele da maçonaria sobre a probabilidade de desposá-la, para que ela não ficasse sem suporte nos anos finais de vida, já que a família do meu tio, quando ele morreu, cuidou de recorrer à justiça humana para retirar dela toda a pensão e todos os bens que eram dele, “pelo passado dela”, o que foi acatado na corte do Velho Mundo, de onde eram. Minha tia recusou a gentileza do irmão de maçonaria do meu tio e em curto tempo ela desencarnou por câncer.

Minha tia era uma das pessoas mais gentis, generosas e animadas (no bom sentido!) ao mesmo tempo, que já conheci! Ela me mantinha jovem! Ela me mantinha com esperança mesmo quando as coisas estavam terríveis. Ela sempre tinha o conselho apropriado para dizer na hora do “vai ou racha”, nunca antes, porque ela sabia que se falasse antes, eu questionaria. Ela nunca julgava porque conhecia o peso do julgamento.

Eu senti muito a sua falta quando faleceu. Ela tinha aquele talento raro de iluminar as pessoas com uma alegria leve, que torna os dias ensolarados sem nos queimar. Ela certamente teria me alertado sobre erros sem o dedo em riste e com aquela palavra que diria na essência que eu me perdoasse pelos erros que cometi também, porque não tinha consciência do que poderia acontecer.

Escuto agora música francesa (nunca Edith Piaff!!!!!*) e lembro da minha tia francesa. Lembro como ela enternecia o meu durão tio espanhol. A história de vida da minha tia me faz pensar que não interessa o que foi a história de vida de alguém, mas o que a pessoa decide ser a cada novo dia.

O que é interessante na história, é que aprendemos com ela ou não. É que temos a oportunidade de repetir o passado ou escrever um novo presente, sonhar um futuro diferente.

Quantas vezes está escrito “vá e não peque mais!”? Quantas vezes foi dito sem usar estas palavras em toda a Bíblia, ou em todo curso da história do mundo ou de nossas próprias histórias?

O padre Fábio de Melo ao cantar “Caderno”, comenta no início que a grande lição da infância na escola é que se o que escrevemos não ficou bom, viramos a página e reescrevemos melhor. Na infância não apagamos, não rasgamos, faz parte do ensino manter ali aquele registro, pois serve para nos lembrar de melhorarmos cada vez mais, para nos esforçarmos para evitar o que quer que seja que não servia no aprendizado necessário.

Outro dia vi uma imagem onde havia dois seres desenhados pelo contraste de luz e sombra, cuja legenda dizia: “Eu não vim te ensinar. Eu vim te amar. O amor te ensinará.”. Estava ilustrando um texto sobre “almas velhas”, que por sua experiência já não julgam, apenas fazem o que têm que fazer e a máxima desse fazer é Amar.

O resumo da vida e das histórias de vida é a capacidade de amar de cada um, como na pregação de Henry Drummond: seremos julgados pelo que não amamos.


* nada em particular, só acho as melodias de EP tristes demais, o que é exponenciado pelo seu timbre vocal.

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“Sobre”: algumas pontuações


Esperança Construtiva x Esperança contemplativa: um modo bem diferente do mundo como está para o mundo que desejamos ter é o esperar que alguém faça o trabalho que todos devem fazer. Na esperança construtiva, somos as formigas que trabalham porque faz parte do propósito delas na natureza. Na esperança contemplativa, há as cigarras que sabem que há formigas trabalhando, então pode ser que o trabalho delas valha para todos…

Os 4 Cavaleiros do Apocalipse: Aquele que ilude que tudo está perfeito. O que traz a guerra. Aquele que traz a fome. E o que traz a peste. Pensando sobre emaranhamento quântico, os iguais se atraem. Na série “Good Omens” (Amazon Prime), o anticristo mirim diz aos seus amigos – quando desiste de cumprir seu papel de anticristo – que eles podem derrotar os cavaleiros, porque os cavaleiros são apenas criação da humanidade, eles existem porque a humanidade os criou (vibracionalmente). O quanto disso é verdade? Tudo! Lei de Causa e Efeito, dizem uns. Carma, dizem outros. Consequência do pecado, ainda outros. Uma vez que a esperança construtiva seja posta em ação, não importará o nome, nem a igreja ou filosofia, pois pela Física Quântica, a frequência de onda será alterada e por conseguinte, a criação humana será de outra natureza, retardando ou anulando o efeito 4 cavaleiros do apocalipse.

Estratégias de guerra: qual o melhor plano? O mais bem elaborado, alguém dirá. Tem tantas desatenções que confunde o inimigo, outro pensará. Um grande plano realmente, pode ter muitos fios permeando e não um só fio vermelho para cortar e parar tudo. Porém, a melhor forma de esconder algo, é deixando à vista de todos. O plano que ninguém espera, é o mais simples. Entre tantos fios emaranhados que confundem o incauto nesta guerra vibracional – por assim dizer – está o vermelho reto, indo de um ponto a outro sem desvios, simples, desenrolado de todos os outros que estão confundindo. O plano do “amar ao próximo como a si mesmo” por ser tão simples é o mais difícil de ser imaginado. As pessoas sentem a necessidade de complicar para ter sentido, quando o sentido é fazer ao outro o que gostaria que fizessem a si.

Sobre o cavaleiro do apocalipse que traz a fome: retomamos a questão vibracional e observamos no mundo não só uma fome de comida nos países extremamente pobres às grandes cidades dos países ricos e seus problemas marginais ignorados consequentes do desenvolvimento não planejado do cérebro reptiliano. A fome de comida é consequência da fome de poder, da fome de status, da fome do ego de “eu quero e não importa as consequências e nem a quem vai afetar”. O cavaleiro do apocalipse que traz a fome, manifesta o que o planeta já expõe: a fome de atenção exacerbada, a fome do eu inflado, a fome do “nunca é suficiente, mais! Mais! Mais!” Mais drama, mais mimimi, mais selfies, mais compras que nunca bastam, mais necessidade de afirmação externa, mais toda uma série de supérfluos que geram outras e outras fomes, até a última consequência ser a fome material, com a distribuição desigual do essencial, porque alguns emitem carências afetivas tais que encarecem a vida de todo um planeta na materialidade que só vê o imediato.

Pirâmide de Maslow: não é só sobre saciar a fome e ter um relacionamento para continuarem a subir os degraus para o conhecimento e a iluminação, mas é sobre uma carência das necessidades básicas essenciais, as tais diversas fomes, que a um ponto não tem uma divisão exata: a lei do gene, foi chamada de “lei do mais forte” e o cérebro reptiliano aproveitou a situação pra dizer “estou sempre precisando de mais, estou sempre insatisfeito”; passar os genes adiante não ficou mais sendo apenas sobreviver e procriar, mas a ilusão de que só vai chegar à frente nessa suposta corrida, se passar os outros para trás, com as artimanhas mais amorais imagináveis; aquelas que a maioria passa pano porque parecem que todos se habituaram que “ninguém diz abertamente (alguns até dizem) mas o maior bocado é para mim”, até alcunharam “capitalismo selvagem” para falar desse padrão comportamental. A pulsão poder de Adler e a pulsão sexo de Freud são as faces da mesma moeda do ego que precisa dizer “quem é que manda”. Enquanto a percepção não deslocar o ego para integrar o Self… nada de “adeus dor!” porque a dor está no próprio processo da insaciedade emocional, afetiva, egóica, que sofre pela expectativa, que sofre pela ansiedade, que é carente em si, parecendo um fuxico de grifes. Passar para o autoconhecimento / iluminação / individuação… só parece impossível enquanto ficar correndo atrás do próprio rabo, como cães emocionalmente acelerados (para não dizer: abalados).

Para encerrar estas pontuações hoje, uma história: um cara com histórico em relacionamentos abusivos emocionalmente e financeiramente (ora na posição de sádica, ora na masoquista), expôs pela enésima vez que “se fizeram comigo, também vou fazer com os outros” e teve que ouvir de mim “Mas você também já causou aos outros e essa pessoa não lhe fez nada, por que você vai jogar nela o que jogaram em você?”. Ele calou.

Não seja essa pessoa que alimenta o círculo vicioso de opressor-oprimido, sofredor-algoz. Encerre as situações tóxicas. Acabe os círculos doentios. Cale o ego. Seja melhor que a pessoa que você quer ter por perto. Porque quem vibra nessa frequência… quer por perto (mesmo inconscientemente) quem alterne consigo estas posições de controle e submissão.

Concordo com Jung: Adler e Freud sobre o terceiro chakra, falam de manifestações diferentes da mesma “fome”.

O caos impõe a verdade que a vida é dinâmica e coloca aqueles que estacionaram na zona de conforto, para se mexerem, porque a vida é isso: é imperativo crescer. O verdadeiro inimigo de si, é o ego. O autocontrole deve ser a tal ponto exercitado até que seja natural abandonar a dor, pelo abandono das ilusões. Até que seja natural ver maya e saber que maya é maya, é matrix, e a vida não precisa ser só isso, a condição que chamam de “selva”.

Parem de xingar a selva. Lá tudo está em harmonia, porque lá o caos é visto como ciclo da vida pondo todos em movimento o tempo todo. Onde todos participam de algo maior e dão de si com propósito, onde faz todo sentido ser formiga e fazer o que uma formiga faz.

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Ainda sobre… Ricardo


Uma amiga me disse um dia que eu mantinha uma imagem de mulher comprometida, mesmo não estando. Que eu criava uma barreira invisível de distanciamento, de proibição e de desinteresse para os homens, como fosse a eternamente casada, a mulher fiel ao defunto até a morte; e que isso afastava os homens que se interessavam e para os corajosos que ainda insistiam, ficava sempre a sombra daquele amor perfeito, daquele casamento ideal, que eles nunca seriam suficientes e isso dava tal insegurança que nenhum homem iria insistir em ficar comigo. Afinal, ninguém quer ser o segundo lugar.

Ela estava certa. Voltei o pensamento sobre os relacionamentos que tive nos últimos anos e vi que era isso, era bem isso. Eram as crises de ciúme e de insegurança que eu sem me dar conta, alimentava. Ou era punição, porque parecia tão horrível “trair o amor perfeito” com “qualquer coisa” que eu me metia em barca furada por… culpa, provavelmente.

O processo do adeus é algo nem sempre simples. Por em caixinhas o que é e o que não é quando não há termos suficientes para definir sem parecer diminuir um e elevar outro… é complicado. Quantas vezes eu ouvi sobre o meu nome ser dito em outras camas, com outras mulheres – o que naturalmente descarrilhava os relacionamentos – ou a admissão de que eu era inesquecível para outras! Porém quantas vezes eu sem dizer, causei o mesmo efeito?

A parte mais estranha é sentir alguma glória redentora em sofrer e punir. Deve ser resquício da religião, um paradigma sobre o qual venho me trabalhando. Descristalizar demora. É como uma panela sem teflon, caramelizada ao extremo. Leva tempo pra sair.

Ainda acordo de sonhos ruins chamando Ricardo. Essa noite foi assim. Ao querer “correr” para ele me acalmar, me dei conta que o que há é o aqui e o agora. Não há Ricardo aqui e agora e é indispensável viver a dinâmica da vida.

Fui buscando meu centro interior. Racionalizando o sonho. Racionalizando que não posso mais querer viver no passado. Que o melhor é sempre o que se tem e sempre pode melhorar mais.

Então, adeus ao que é de adeus. Olá para o que é de olá.

Ciao bello e… Ciao bello!

Os tempos verbais não se encerram no modo “Perfeito”, há o “Imperfeito” mas também há o “Mais que Perfeito”. Tocar o barco. Vida que segue. Aprecie a jornada!

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Equilíbrio


Equilíbrio é estar com cada pé em uma folha diferente de vitória-régia.

Quem não conhece esta planta amazônica, ela cresce nos lagos, com uma raiz abaixo, parecendo um grande “prato” com uma flor rosa ao centro. Esta folha pode chegar a uns 3m de diâmetro e quanto maior, mais pode sustentar em seu centro.

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Pois bem, estar sobre um lago não é exatamente uma sensação de estabilidade. Aí o “x” da questão: equilíbrio e estabilidade são coisas diversas.

Equilíbrio é um pé em cada vitória-régia: as duas vão parecer instáveis, você não vai saber se pode ser sustentada tranquilamente por uma só, nem por ambas. Você não é especialista em vitórias-régias… você tem que fazer escolhas.

Equilíbrio é aquilo que te dá a racionalidade para fazer escolhas. É sair do plano das emoções. É decidir a partir de uma análise. Óbvio que isso não garante o sucesso da decisão, mas não estamos falando disso, estamos falando da paz interior no meio da tempestade, no olho do furacão, se trata de estar no aparente fundo do poço e aprender a olhar para cima, para a saída.

Deixa eu te mostrar como é por baixo:

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A estrutura é de tal forma distribuída que permite esta sustentação de massa. O Todo cuida de tudo o tempo todo. Você não está só. As estruturas de apoio ao seu redor são plenamente potentes para auxiliar o seu processo momentâneo de escolha.

Caminhe de vitória-régia em vitória-régia e alcance a margem do lago. Na pior das hipóteses, você vai tomar um banho e se refrescar. Mas também passa. Tem sol e você vai se secar.

Equilíbrio é saber que independente da escolha, em todas as opções, você conseguirá sair. Mas precisa começar.

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Amor, Adeus e Até Breve


Dispensa lembrar que esse blog é essencialmente para falar de tudo que de alguma forma me toca como Amor. Não à toa, se chama “Paixão na Ponta dos Dedos!” com a exclamação mesmo. O fato é que tudo em que me envolvo profundamente, é feito com amor.

Ultimamente tenho usado a expressão “faça (com) amor (com) tudo o que faz” para expressar essa pulsão da libido que se Freud vê apenas como pulsão sexual, Jung vê como essa descarga de energia psíquica de imensa força criadora. Em Jung, criar algo que move você e as pessoas que se aproximam, é pulsão da libido, é força criadora, é como dizia um gerente meu (in memoriam): Ir com um puta tesão e fazer acontecer.

É justo direcionar a libido que nos faz ir além do terceiro degrau de Maslow. Joseph Campbell disse em um de seus livros que a maior parte da população deste planeta estava presa ao terceiro chakra, que talvez Jung fosse o único que Campbell conhecia que estava no quarto.

Pois bem, eu fugi muitas vezes dos primeiros degraus, dos chakras basais para ir diretamente aplicar toda a energia destes para o quinto degrau e para o sétimo chakra. Para mim, a segurança e tudo o que importava estava de fato assegurado neste momento. Obviamente, não era o plano perfeito. Mas era o meu refúgio.

Porém em algumas vezes eu ousava sair um pouco deste meu “plano ideal” e me dedicar a alguém, romanticamente. Quando digo romanticamente é deeeeeeeply romantic. Talvez exatamente porque não era uma área em que eu me arriscasse, eu não conseguia equilibrar razão e emoção. Eu só… pulsava! Intensamente na emoção ou na razão. Nunca em equilíbrio.

Não é surpresa que eu tenha angariado nestes 37 anos bons aprendizados sobre começar e sobre seguir em frente, mas não em permanecer. Era sempre mais fácil saltar em um pé só para razão ou emoção a ter que equilibrar ambos os pés sobre ambos os setores.

Ocorre que hoje eu vi um TED Talk de Nora McInerny, onde ela fala sobre as perdas (os adeuses, as partidas, os lutos) como parte do processo de viver e que permite chegarmos nos futuros que virão a partir de quem nos tornamos também a partir destas despedidas.

Eu costumo repetir que não mudaria nada da minha vida porque foi tudo o que vivi que me trouxe até onde estou e com todas as coisas maravilhosas que consegui, conquistei, ganhei, amei, me dediquei, me doei, que construíram o que há agora em mim.

Porém, no fundo eu sabia que era uma afirmativa carregada de medo, insegurança, de que todas as cascas das feridas saradas, ainda eram cicatrizes que eu não queria acumular mais e que faziam me resguardar de novas experiências que pudessem ser possibilidade de novas marcas.

Além do quê, havia aquele perfeito amor, o amor que partiu para um amor maior que nós dois, que doeu, mas foi consentido. Aquele do qual eu nunca o privaria para que ficasse comigo, pois se ficasse, nunca seria inteiro; além de que eu também o amava pelo sonho que ele ia concretizar, ou ele não seria o homem perfeito da minha vida, aquele amor que parei de contar o tempo em que indo, ainda era.

O duro de se ter alguém “perfeito” e ainda mais quando ele parte, é que parece que ninguém pode substituí-lo, ninguém se aproxima do pedestal em que ele foi posto, ele se torna a memória segura de que o amor existe e é bom e não se pode aceitar menos que ele.

Os relacionamentos que vieram depois sempre ficavam à margem dele, da lembrança dele, dos valores dele e de todo aquele amor que por anos ainda mantínhamos aceso e que parecia um crime mortal, uma traição imperdoável, substituí-lo.

Até esta manhã quando ouvi Nora McInerny dizer que o novo amor não substituiu o anterior, não enterrou o que já se fora, mas… o que foi a levou até ali, ao novo e que de forma própria, era também especial e único.

Único é um conceito incompreendido. O único não anula outras existências, apenas diz que é singular. É efeito sem cópia. É composto, construído de uma série de experiências que nunca serão repetidas da mesma forma. Mas não diz que o único inviabiliza outras possibilidades. Não extingue a probabilidade.

Ricardo é. Ricardo sempre será. Tão vivo e forte quanto sempre foi. Tão real e verdadeiro apesar da distância, da separação. Ninguém nunca mais e nunca antes foi ou será Ricardo. Mas como o próprio Ricardo dizia: “Eu torço para que chegue esse homem de sorte que vai te amar e cuidar de você como eu queria fazer.”

Depois de ouvir Nora McInerny hoje, eu também torço, Ricardo, que este novo homem único chegue. Eu enfim me permiti sentir plenamente outra vez, sem culpa, sem achar que isso era esquecer quem é você na minha vida. Foi pelo amor que você me mostrou existir que eu cheguei até aqui, me amando o suficiente para não querer menos, para me saber merecedora e digna de um amor tão maravilhoso e único como o que você me deu, porém diferente. Não é você mas vai chegar porque um dia dissemos adeus e “até breve, meu amor”.

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