CONSELHOS PARA A MULHER FORTE por Gioconda Belli


(Nicarágua, 1948)

Se és uma mulher forte
te protejas das hordas que desejarão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, como oportunidades, como preços que se precisa pagar.
Te cutucam a alma; metem o aço de seus olhares ou de seus prantos
até o mais profundo do magma de tua essência
não para alumbrar-se com teu fogo
senão para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.

Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
carrega também parasitas, varejeiras,
miúdos insetos que buscarão se alojar em teu sangue
e se nutrir do quanto é sólido e grande em ti.

Não percas a compaixão, mas teme tudo que te conduz
a negar-te a palavra, a esconder quem és,
tudo que te obrigue a abrandar-se
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.

Se és uma mulher forte
prepara-te para a batalha:
aprende a estar sozinha
a dormir na mais absoluta escuridão sem medo
que ninguém te lance cordas quando rugir a tormenta
a nadar contra a corrente.

Treine-se nos ofícios da reflexão e do intelecto.
Lê, faz o amor a ti mesma, constrói teu castelo
o rodeia de fossos profundos
mas lhe faça amplas portas e janelas.

É fundamental que cultives enormes amizades
que os que te rodeiam e queiram saibam o que és
que te faças um círculo de fogueiras e acendas no centro de tua habitação
uma estufa sempre ardente de onde se mantenha o fervor de teus sonhos.

Se és uma mulher forte
se proteja com palavras e árvores
e invoca a memória de mulheres antigas.

Saberás que és um campo magnético
até onde viajarão uivando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida.
Entesoura teu poder.
O defenda.
O faça por você.
Te peço em nome de todas nós.

Anúncios
Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Present in Absence – John Donne


Para Ele, adapto J. Donne. Se tal posso.

“Ausência, escuta o meu protesto
Contra a tua força,
Distância e duração;
Para os corações constantes
Ausência é presença;
O tempo espera.
Meus sentidos querem seu movimento para fora,
Os quais, agora dentro,
A razão vence,
Redobrada pela secreta imagem dela;
Tal como os ricos que sentem prazer
Mais em esconder que em manipular tesouros.
Pela ausência este bom recurso ganhei:
Que posso alcançá-la
Onde ninguém a pode ver,
Em algum recanto fechado do meu cérebro:
Ali a abraço e a beijo;
E assim apreciá-la, e ninguém sente falta dela.”

&

Present in Absence – John Donne (1573–1631)

Absence, hear thou my protestation
Against thy strength,
Distance and length;
To hearts that cannot vary
Absence is presence;
Time doth tarry.
My senses want their outward motion,
Which now within
Reason doth win,
Redoubled by her secret notion;
Like rich men take pleasure
In hiding more than handling treasure.
By absence this good means I gain,
That I can catch her
Where none can watch her,
In some close comer of my brain:
There I embrace and kiss her,
And so I both enjoy and miss her.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

The Truth the Dead Know by Anne Sexton


Gone, I say and walk from church,
refusing the stiff procession to the grave,
letting the dead ride alone in the hearse.
It is June. I am tired of being brave.

We drive to the Cape. I cultivate
myself where the sun gutters from the sky,
where the sea swings in like an iron gate
and we touch. In another country people die.

My darling, the wind falls in like stones
from the whitehearted water and when we touch
we enter touch entirely. No one’s alone.
Men kill for this, or for as much.

And what of the dead? They lie without shoes
in their stone boats. They are more like stone
than the sea would be if it stopped. They refuse
to be blessed, throat, eye and knucklebone.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , | Deixe um comentário

Coragem por Anne Sexton


É nas pequenas coisas que o vemos.
O primeiro passo da criança,
tão incrível como um terremoto.
A primeira vez que você andou de bicicleta,
desequilibrando-se pela calçada.
A primeira surra, quando seu coração
saiu sozinho em viagem.
Quando o chamaram de bebê chorão
ou pobre ou gordo ou maluco,
e o tornaram um completo estranho,
você bebeu aquele ácido
e o ocultou.

Mais tarde,
se você enfrentou a morte das balas e bombas,
não o fez com um estandarte,
mas apenas com um chapéu para
cobrir seu coração.
Você não afagou sua fraqueza
embora ela estivesse ali.
Sua coragem era um carvão
que você continuou engolindo.
Se seu camarada o salvou
e morreu fazendo-o,
então aquela coragem não era coragem,
mas amor; amor tão simples como espuma de barbear.

Mais tarde,
se suportou um grande desespero,
você o fez sozinho,
recebendo uma transfusão do fogo,
raspando as crostas de seu coração,
e então o arrancando feito uma meia.
Depois, meu irmão, você pulverizou sua pena,
fez-lhe uma massagem nas costas,
então a cobriu com uma manta
e, após haver dormido um pouco,
ela acordou para as asas das rosas
transformada.

Mais tarde,
quando tiver de encarar a velhice e a natural conclusão,
sua coragem ainda se mostrará nas pequenas coisas,
cada primavera será uma espada que você afiará,
aqueles que você ama viverão em febres de amor
e você barganhará com o calendário
e no último instante,
quando a morte abrir a porta dos fundos,
você vai calçar suas pantufas
e sair.

tradução: rodrigo madeira

Original: Courage

It is in the small things we see it.
The child’s first step,
as awesome as an earthquake.
The first time you rode a bike,
wallowing up the sidewalk.
The first spanking when your heart
went on a journey all alone.
When they called you crybaby
or poor or fatty or crazy
and made you into an alien,
you drank their acid
and concealed it.

Later,
if you faced the death of bombs and bullets
you did not do it with a banner,
you did it with only a hat to
comver your heart.
You did not fondle the weakness inside you
though it was there.
Your courage was a small coal
that you kept swallowing.
If your buddy saved you
and died himself in so doing,
then his courage was not courage,
it was love; love as simple as shaving soap.

Later,
if you have endured a great despair,
then you did it alone,
getting a transfusion from the fire,
picking the scabs off your heart,
then wringing it out like a sock.
Next, my kinsman, you powdered your sorrow,
you gave it a back rub
and then you covered it with a blanket
and after it had slept a while
it woke to the wings of the roses
and was transformed.

Later,
when you face old age and its natural conclusion
your courage will still be shown in the little ways,
each spring will be a sword you’ll sharpen,
those you love will live in a fever of love,
and you’ll bargain with the calendar
and at the last moment
when death opens the back door
you’ll put on your carpet slippers
and stride out.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

O que separa os homens


“Alguns podem estranhar que o homem, esse bípede implume, seja também uma catedral de incertezas. Os dois conceitos – catedral e incerteza – parecem mais distantes entre si do que um par de galáxias. À primeira vista, uma catedral deve ser a casa das convicções. Mas não é bem assim que funciona. Até as mais vistosas catedrais do pensamento foram construídas sobre um campo de dúvidas. As catedrais de pedra mudam conforme a hora do dia e a posição do observador. Por isso, a fé é necessária. Nos momentos de destruição e desalento, restam as ruínas, que somos nós mesmos. Em meio às ruínas, alguém tem forças para murmurar: Deus existe. ” (Paulo Briguet em Com o Perdão da Palavra de 23 de Julho 2010)
 
Vendo tanta distância entre os homens, eu me ponho entre as dúvidas, construo minha catedral interior, ponho-me à distância e lamento, lamento aquilo que separa os homens: a falta de amor, a falta de compreensão de que estamos todos conectados, a falta de respeito pelo outro.
 
Os homens estão separados pela falta de dialética, pela negação de que a verdade é mais do que eu ou você, pelo cume de certezas obtusas, pelas guerras em nome de crenças pessoais.
 
O que separa os homens é a falta de Deus. Naqueles que proferem “Senhor, Senhor!” e daqueles que seguem como o filho pródigo, ou como Pedro ou como Judas.
 
Será que há mais esperança para os segundos que para os primeiros, como nas Escrituras? Eu não sei. Eu não detenho a verdade. A verdade e grande demais para ser meramente arguida.
 
Mas uma coisa é fato: a verdade reluz. E no dia em que ela brilhar em toda a sua glória, os homens conheceram a si mesmos.
Então o Google me traz outro Paulo, o Coelho:

Um guerreiro da luz sempre mantém o seu coração limpo do sentimento de ódio.

Quando caminha para a luta,  lembra-se do que disse Cristo: “amai vossos inimigos”.

E o guerreiro obedece, mas sempre lembrando que Cristo não disse: “gostai de vossos inimigos”.

O ato de perdoar não o obriga a aceitar tudo. Um guerreiro não pode abaixar a cabeça – senão perde de vista o horizonte de seus sonhos.

…………….

Tenhamos pontos de vista, mas não percamos de nossa vista que o objetivo de tudo, ao fim de tudo, é amar.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , , , , | Deixe um comentário

O que me faz humana


O que me faz humana é como sinto sobre você.

É a saudade, o aperto no peito e a desilusão.

É o adeus não dito, é reviver a nossa carnal dança.

O que me faz humana é aceitar a ida,

é deixar que aconteça o desapego,

é o choro contido na madrugada

ou as lágrimas que descem num passeio.

O que me faz humana é te sentir aqui.

É lembrar o cheiro, é afastar a mágoa,

É pensar nas brigas e no mandar às favas!

O que me faz humana é você.

É tudo o que eu neguei a existência inteira,

é não negar que ser humano é bom,

é ter esperança no que parece perdido,

é saber que ser humano é ser como criança.

O que me faz humana é ter me jogado em teus braços

mesmo tendo medo, mesmo desconfiando do porvir.

É aceitar o que eu vejo como defeito,

como uma oportunidade para sorrir.

O que me faz humana é o que me redime.

Eu, mais uma caída, mais uma precisando de salvação.

O que me faz humana é querer e aceitar você.

O que me faz humana é o teu perdão.

O que me faz humana é sentir, em paz, o teu não.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário

A César o que é de César, e ao povo o que deve ser mostrado OU… O Memo arrependido do vereador Fransuá Matos


Escrevemos outro dia sobre o sem propósito (ou de propósito populista) projeto de lei do vereador Fransuá Matos/PV-AM : Espaço Democrático nas Redes Sociais: quem perde e quem ganha com esse Projeto de Lei sobre Ponto Facultativo

Pois eis que após nossa exclusão do seu perfil Fransuá Matos II no Facebook, assim como de outras pessoas que levantaram necessidades mais urgentes para Manaus do que a demagogia sobre algo que apenas o prefeito pode legislar, chegou-nos o arrependimento (não da ação, creio) de Fransuá ante a reação obtida com seu projeto:

Fransuá memo

Que fique como exemplo que os políticos são servidores públicos tanto quanto o estatutário, o RDA, o prestador de serviços, o apenado e todo aquele como consta na legislação pertinente brasileira, com uma ressalva: estão sob um período de 4 anos para agirem a favor da população e não de si mesmos.

Que isso fique bastante claro!

Não somos contra o trabalho digno e provido. Somos contra o abandono das causas realmente importantes em prol da publicidade que visa a reeleição do mandato público.

Nós pomos à disposição para divulgar qualquer ação prevalente de benefício à população. Tanto quanto nos poremos argumentativamente a dialogar com sensatez os objetos da demagogia que se tentarem empurrar como pão e circo.

Publicado em Crônicas & Poesias | Deixe um comentário

Sobre William Waak


Não sou de me interessar pelas demandas globais, afinal, os iguais se agregam. O fato é que depois de tanta aglomeração virtual sobre William Waak, eu fui hoje enfim buscar no google do que se tratava.

Consultei este link: Globo afasta William Waack após comentário racista vazar em vídeo Apresentador reclama de buzina como “coisa de preto” em imagens e diz não se lembrar do que disse

O comentário é infeliz mas a expressão é de um ridículo sem tamanho.

A cena tosca me recordou duas coisas muito fortes:

  1. quando a família do meu pai emitia referências de similar conteúdo;
  2. um amigo muito querido que um dia me contou da raiva, revolta, quando o filho dele era tratado com preconceito por membros da família materna.

Um misto de emoções e lembranças tomou conta de mim pensando no meu amigo e na família do meu pai.

William Waak foi obtuso, foi estapafúrdio, foi grosseiro, foi tudo aquilo que denigre a raça humana.

É de pessoas como William Waak que eu tenho preconceito.

Publicado em Amizade, Cidades, Crônicas & Poesias, Diversidades, Opinião | Marcado com , | Deixe um comentário

Meus e Teus


Os olhos que eram teus,
De doces, ficaram tristes.
De esperança, vertem saudade.
De alegria, brilham tristeza,
Porque te foste.

Os lábios que eram teus,
De macios, ficaram amargos.
De sorrisos, movem ao contrário.
De mordidas, engolem soluços.
Porque não voltas.

E de tanto acostumar-me
A teus braços em mim,
A teus beijos, tão meus,
Ao teu gozo, tão fértil…
Prostro-me aqui,
Revendo teu adeus.

E acordo perturbada
Pelos sonhos em que estás,
Pelo momento fugaz
Que te acho, enganada.

Não importa que me queiras,
Não importa se foi ou é,
Caio aqui, calada.
Vendo e sentindo o teu estar.

O teu estar que era longo,
O teu calor, meio tristonho,
O teu existir que viveu em mim.

E agora, não importa onde,
Por agora, não pensa “quando’s”
Sabe que te perdeu.

Publicado em Crônicas & Poesias | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Espaço Democrático nas Redes Sociais: quem perde e quem ganha com esse Projeto de Lei sobre Ponto Facultativo


Essa semana recebi uma imagem pelo WhatsApp, afirmando o que depois vi veiculado nesta matéria:

Vereador apresenta projeto de lei para acabar com pontos facultativos municipais

Fui ao perfil do vereador em questão, no Facebook: Fransuá Matos II ; e indaguei sobre a veracidade do conteúdo divulgado.

Após um tempo ausente – que figurou posteriormente como espaço para conseguir apoios – o vereador, que, foi meu colega em um órgão público até ser eleito, pos-se em uma postura vitimista de que estava sendo perseguido por legislar a favor da população, atacado, denegrido, etc.

Ora, acontece que em nenhum momento eu fiz isso. Mas expus necessidades mais urgentes como:

  • ação pública contra o aumento da energia (na maior bacia hidrográfica brasileira, portanto não afetada por problemas como a da bacia do São Francisco que afeta a produção de energia);
  • legislar a favor de assegurar que professores e alunos tivessem o direito de usufruírem da Educação em condições que assim o permitissem (e não salas com mais de 60 alunos, com professor dando aula em 3 turnos, com entre 6 a 9 turmas em cada turno);
  • fiscalizar o fornecimento dos insumos, produtos, serviços que garantam a saúde púbica;

só para elencar alguns pontos emergenciais em Manaus/AM.

Também falei da crise política no país, ao que fui redarguida que também na classe política há pessoas de bem que se esforçam para fazerem sua parte, então pedi que ele, explicasse a seus fãs enlouquecidos, que entre o funcionalismo público, comum, “orelha” há essas pessoas de bem, que fazem o seu trabalho apesar de todas as dificuldades.

Continuei sendo atacada, quando expus que não é só o Fundo Eleitoral do Congresso que afunda o Brasil, mas benefícios garantidos em Lei – a mesma Lei que é legislada por vereadores, deputados eleitos pelo povo para garantir o direito do povo, mas só respalda o benefício daqueles que a legislam – como o que o vereador Fransuá Matos (registrado como François) fez uso:

Ficar afastado das suas atividades laborais, COM VENCIMENTOS, ou seja, recebendo salário, enquanto trabalha em prol de si mesmo, em campanha eleitoral.

Mas, está na Lei, né?

Também ressaltei que, os serviços essenciais não são prejudicados pelo ponto facultativo, uma vez que, em decreto, são mantidos e, as horas de trabalho do ponto, seguem para banco de horas, ainda, conforme Decretos.

E que, o repasse de pagamento dos serviços prestados em um dia de ponto facultativo – enquanto a população “emenda o feriadão” – não cobre metade dos gastos só de energia para manter uma unidade de saúde simples, aberta e por isso mesmo os decretos dizem que se trata de economizar o erário público exercer o ponto facultativo.

Além do fato que um ponto facultativo, um “feriadão” proporciona ao setor terciário um ganho maior que um dia útil comum, portanto, quando não se permite que as pessoas utilizem estes serviços e consumam os produtos de sua oferta, está desalimentando um dos setores que mais cresce e proporciona emprego e renda! Isso sim é um desserviço à nação em um momento economicamente frágil e de crescimento em inanição. É uma ingerência, um belíssimo exemplo de como não ser um gestor competente.

Afinal, essa verba que falta, vem dos MEUS e SEUS impostos, que, surpreendentemente, funcionários públicos – PASMEM! – TAMBÉM PAGAM IMPOSTOS e UTILIZAM O SERVIÇO PÚBLICO!

Evoquei os leitores a perceberem que o verdadeiro inimigo, não são seus vizinhos cidadãos comuns, que, estatutários, parecem gozar de benefícios sem fim, porém em carreiras estagnadas, sem benefícios ou progressões (exceto no papel), comparado ao potencial de desenvolvimento que pode ter uma carreira no setor privado. Porém, cá estamos todos, empregados públicos e privados, pagando impostos, utilizando o serviço público e sofrendo com seu sucateamento.

Entre outros pontos que foram endossados por outras pessoas, o resultado foi:

O PERFIL SOCIAL FRANSUÁ MATOS II, DO VEREADOR FRANSUÁ MATOS, BLOQUEOU-NOS.

O que me leva a inferir que, quem está realmente aberto a um diálogo franco e interessado em ouvir todos os setores da população, não agiria dessa maneira.

Ainda em meus comentários, deixei claro e reitero nesse momento, que não tenho filiação política, partidária ou de qualquer associação, não tenho funções ou cargos acumulados, portanto, não percebo mais que meu salário e não tenho “rabo preso” com quem quer que seja para fazer uso do espaço midiático para denegrir ou atacar quem quer que seja.

Assim, manifesto que, como servidora pública, não tenho o menor problema em trabalhar em pontos facultativos, desde que:

  • o legislativo também o faça;
  • o legislativo receba salário e benefícios tal qual qualquer outro servidor público, ainda mais por não terem carreira como nós, estatutários, mas gozarem de 4 anos de exercício político;
  • que seja proposta Lei para extinguir verbas e benefícios como cartões, viagens, paletós, etc. (pagos com o erário público, nossos impostos);
  • que os salários sejam reduzidos ao que compete às atribuições.

O problema não são os pontos facultativos, o problema são os feriados que permitem os pontos facultativos, portanto, são eles que deviam ser extinguidos, e se interessa tanto ao vereador o bem público, que propusesse a extinção de feriados municipais, plausíveis disto.

Mas obviamente, todo mundo é capitalista e a favor do trabalho integral quando afeta os outros e não a si, né?

Não houve um manifesto dos empregados privados quanto a isso – já que querem se igualar ao desenvolvimento econômico do Japão, onde não há feriados -, mas com certeza se revoltaram com a Reforma Trabalhista e sua proposta de jornadas, turnos e salários, né?

Enquanto a população brasileira endeusar políticos e se ver de forma individualista e não como são: os verdadeiros afetados pelos interesses particulares destes senhores eleitos, não haverá união e nem vitória, nem progresso, nem ordem, nem um futuro onde valha a pena dizer: nasci brasileiro e sou feliz assim!

Publicado em Cidades, Crônicas & Poesias, Diversidades, Opinião, Política, Utilidade Pública | Marcado com , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário