Chuva Atrasada


Nunca nesta terra que nasci
Pareceu-me de chuva precisar
Pois ela que tudo vinha alagar,
Não deu mostras de míngua
Até esse ciclo começar.
Pois eis que depois de muitos dias
Sem que de sua graça desse mostra
(ainda que às vezes fizesse proposta)
A chuva decidiu nos presentear
Ventos sacudiram redes com criança,
Levantaram telhas, fizeram lambança,
Dizem que veio para castigar…
Eu digo que veio me refrescar!
O estrondo no telhado lembrou
O rufar à guerra, do tambor
Chamando índio para ir pescar!
Indício de mudança a chegar!
Chuva, amiga minha
Não vá devagarinha
Longe “assombrar”
Fica, te demora
Não quero ver a hora
Que vás outro molhar.

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♎ e ♒


Você some e depois reaparece
E sempre se esquece
De como fico chateada…
Então você me acalma
E eu nunca entendo
Como por tanto tempo
Me mantive apaixonada.

E no seu mau humor
Me vejo no escuro
Achando absurdo
Que diga me amar.

Como separar
Esse temperamento
No tempero-casamento
Que me promete chegar?

Segue o ciclo
Do meu aquário
Entender x deixar pra lá
E de novo em teus braços, me achar.

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As Irmãs Cavallier


Continuando a série “Era uma vez uma garota que como eu…CRESCEU!”, o terceiro conto:

Fonte: As Irmãs Cavallier

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Energias


Sexo é energia transformada em satisfação. Trabalho é energia transformada em realização. Uma e outra, assim como outras atividades podem se tornar energias de plenificação: fazendo evoluir, transmutar, compreender, absorver, reciclar, enviar, devolver…

Se você é alguém insatisfeito, agitado, ansioso, “elétrico” como se diz, é energia acumulada pedindo libertação através da liberação.

Ser livre é fazer parte. Ser livre é compreender, aceitar, difundir, estabilizar.

Sabe quando dizem para os pais: “leva essa criança pra fazer algum esporte que vai ficar mais calmo!” ou frases similares? Não é diferente em adultos.

Desconfio muito que tantas atividades do #RodrigoHilbert revelem uma #FernandaLima que fala demais em seu programa o que faz de menos em sua casa.

Não à toa, via de regra, os hormônios envolvidos são os mesmos. De alguma forma o corpo (e a alma) pedem a homeostase, o reequilíbrio, o liberar e o adquirir.

Não à toa igualmente, os viciados em academia são frígidos, sem apetite sexual: podem ter um corpo esculpido porém, não sabem como utilizar no encontro com o outro, pois gastaram tudo malhando.

Não à toa, os nerds são criativos: redirecionam o acúmulo de energia; como se diz popularmente, da cabeça de baixo, para a de cima.

Não à toa, Freud nomeou as fases do desenvolvimento infantil associando aos órgãos reprodutivos…

A versão científica, alternativa, psicológica, mágica vão dar versões sobre o mesmo processo, equivalentes. Energia se manifestando nos chacras. Hormônios em glândulas endócrinas. Por aí vai, vocês já entenderam. Podem até não aceitar, mas entenderam.

Como ficou cunhado um dito na química: “Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma” (e não venham me dizer o “autor” que a história não é bem assim…).

Vão surgir os agressores a dizer que estou sendo invejosa, que são felizes, blábláblá… em nenhum momento eu disse que não são felizes ou algo do tipo, mas inconscientes, é possível.

Mas eu não sou Jung. Porém desconfio, que ele sorriria, poria o cachimbo e assentiria meu palpite com o olhar.

Manda pro Universo!

Manda!

Manda e deixa teus chacras se alinharem, os hormônios se estabilizarem, gastar a reserva de glicogênio!

Transforma, recicla, plenifica…usa!

Uma hora vai voltar! E que volte melhor do que foi!

:* Bom domingo!

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Viking Tupiniquim


Fonte: Viking Tupiniquim

Acesse o 1. conto adulto de minha autoria no link acima.

🙂

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Sr. Harley Davidson


Fonte: Sr. Harley Davidson

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50 linhas…


Tenho uma alma costurada,

rachada, com fissuras abissais…

a maternidade é um fio de contenção,

mas a minha alma me busca para emergir.

Cresça, sem perder a ternura.

Cresça, sem perder a jovialidade,

um pouco da inocência, da esperança.

Cresça, sem embrutecer como o mármore.

Cresça para ser um carvalho.

Deixe que pessoas marquem o nome em você,

Mas sem sangrar como uma seringueira.

É bom crescer.

Eu me aprecio mais agora,

como vejo o mundo agora,

como enxergo as pessoas agora.

Cresça e venha apreciar o mundo de cima:

acima das futilidades, acima das devassidões,

acima dos conglomerados de coisa alguma,

mas tendo atravessado todos eles e chegado aqui.

Cresça, sendo imortal, mas sabendo ser humano.

Eu amo você.

Eu amo cada parte da humanidade que me mostra doçura.

Minhas fissuras anseiam por doçura.

Eu já quis a sua vida. Eu já quis outras vidas.

Não mais.

Eu amo minhas rachaduras abissais.

Possuem a beleza da sabedoria que o tempo me concedeu.

E enxugo as lágrimas de cada um que acha que já viveu tudo.

Não vi o tudo, mas vez ou outra o tudo me chama para uma dança,

faz-me rodopiar pelo salão da vida, aos olhos do tempo.

O tempo é o chão. O tempo, meus caros, é uma ilusão.

Mas eu tenho caminhado através dele e olhado vocês.

Mostre-me como você faz. Deixa-me rir da tua inexperiência.

Ainda não decidi como vou fazer com você.

Ria das coisas simples e me mostre como seu sorriso é doce.

Eu me alimento da sua inocência, e o meu sangue deixa de petrificar em mim.

Deixa-me bailar contigo, e te mostrar a vida pelo caleidoscópio da emoção.

Te mostrarei a dor e como ela arde… se sentirá vivo.

A redenção é uma arma. Não existe redenção.

Existe você e eu olhando do topo do mundo.

Você adora a beleza desconhecida que a dor me esculpiu.

Uma batata quente que não sabe conter mas quer jogar.

Deixa-me olhar você: uma criança que não sabe conversar.

Tenho escritores e pensamentos demais em minhas frases

e você quer brincar.

Eu tenho uma brincadeira que você vai gostar,

vamos começar aos poucos.

Sorva um pouco da minha dor e começará a viver do lado daqui,

Seus pés tocarão incertos um pouco da minha solidão,

e eu te mostrarei a imortalidade.

(Inspirado na trilogia “50 Tons…” de E.L.James)

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Procuro um Amigo


Procuro um amigo que saiba rir,
Que ria de coisas reais,
Que fale o que pensa,
(mas para isso precisa pensar!)
Que me conte o que acontece na vida real.
Procuro um amigo que não viva de encaminhar memes ou vídeos pelo WhatsApp.
Que saiba que eu durmo, trabalho, vivo,
Ao invés de só viver para as redes sociais.
Procuro um amigo que saiba meu nome,
As coisas que eu gosto,
E que se importe com coisas que fazem uma real diferença…
Alguém que cante, ou tente.
Alguém que fale, que ria, que sinta.
(já disse isso, mas é que é realmente necessário que seja alguém de verdade, de carne, ossos, sangue, lágrimas, emoções, sensações, temperatura, que saiba ser humano)
Procuro um amigo.
Desses que andam em extinção por esse mundo.

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Tradições Costuram Relações


Recente, ouvi de uma mãe, católica brasileira, sobre o amor de sua filha à religião e família do pai, judeu; com direito a cumprir o Shabbat e tudo, as rezas, a Torá, os ritos, enfim. Ontem mesmo, ela contava como a filha gosta de dormir ouvindo a leitura dos salmos.

Amanhã, começa o mês de Ramadan para os muçulmanos, neste, que é o ano 1438 no calendário Muslim. O mês sagrado é recebido com muita gratidão: oportunidade para mais recitação do Qu`ran, fazer as douas, etc. Entre as práticas de adoração a Deus mais intensificadas no Ramadan, está a caridade: é quando os crentes muslins fazem a zykat (a doação de 2,5% do seu lucro anual diretamente na prática da caridade).

Tenho um amigo muito racionalista, cético porém completamente assumido ser shintoísta, como ele diz: nascer japonês é nascer shintô.

Há alguns meses li “A ciranda das Mulheres Sábias” de Clarissa Pínkola Estés, que também falava da tradição. Jung trazia o conceito do inconsciente coletivo e dos arquétipos vinculado às tradições.

O fato é que as tradições costuram as relações: é pela tradição que unimos os novos aos mais velhos, cria-se o respeito, a história, a continuidade, a compreensão, aflora a maturidade diante da identificação, irradia amor.

A tradição nos dá perspectiva, nos diz de onde viemos, o que podemos esperar, o que podemos mudar. A tradição fortalece as raízes e rejuvenesce os brotos de folha dessa árvore chamada vida, humanidade. É a seiva que circula e mantém.

Pra hoje e daqui pra frente, lembremos: As Tradições costuram as Relações, é o que as faz perdurar com amor e respeito.

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Planos B


Fiquei a pensar hoje, o quão terrível é uma vida repleta de planos B.

Ter um plano B, não é ser organizado, responsável e “pensar em tudo”. Na verdade, quem pensou em um plano B, admitiu primeiramente a si mesmo, que, apesar de todo seu esforço e competência, esmero e dedicação para executar determinada tarefa ou plano… é falível.

Sim, ter um Plano B é dizer que o plano A pode não ser tão bom, pode não dar certo, está cercado de “e se…”.

O plano B é a aposta solitária na noite insone de que todo seu esforço podia ser vão, inútil, pode ser arrebatado a qualquer instante.

Plano B é insegurança, não virtude.

Plano B é sombra, tumulto. Sorrateiro, é um ladrão! Pois a qualquer momento, ele pode simplesmente ser o substituto do plano A.

Refletindo sobre essas questões, anotei para mim mesma o quão terrível é uma vida cheia de planos B, cheia de inconstâncias, receios, temores, dúvidas, falhas.

O plano B pode até substituir o plano A, mas nunca terá sido a primeira opção, mas a reserva, o cálculo, aquilo que se manteve escondido, mesmo acalentado, até que a primeira opção não servisse mais, não coubesse mais.

Como dizia meu ex-marido: o segundo lugar é sempre o primeiro que perdeu.

E emendo: ainda que leve o troféu, caso A não o possa/queira receber, o plano B terá sempre a memória de que não era o A.

Só não era. Não era o primeiro pensamento, não era a primeira opção, não era o queridinho que recebia todo o mérito de parecer perfeito!

O Plano A sempre vai ter isso, ainda que B ganhe a parada.

Num mundo cheio de planos B (ou todo o alfabeto) eu só tenho um desejo hoje: Não ter segundas opções.

Que todos os meus amores, planos, projetos, rascunhos, se concretizem, se tornem constantes, sejam exatamente o que foram pensados e sentidos para ser. Não quero ter opções, não quero ser opção, eu quero viver com a calma, a fé, o amor e a esperança de que eu escolhi, pensei, senti, desejei o mesmo que Deus planejou pra mim.

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