Tradições Costuram Relações


Recente, ouvi de uma mãe, católica brasileira, sobre o amor de sua filha à religião e família do pai, judeu; com direito a cumprir o Shabbat e tudo, as rezas, a Torá, os ritos, enfim. Ontem mesmo, ela contava como a filha gosta de dormir ouvindo a leitura dos salmos.

Amanhã, começa o mês de Ramadan para os muçulmanos, neste, que é o ano 1438 no calendário Muslim. O mês sagrado é recebido com muita gratidão: oportunidade para mais recitação do Qu`ran, fazer as douas, etc. Entre as práticas de adoração a Deus mais intensificadas no Ramadan, está a caridade: é quando os crentes muslins fazem a zykat (a doação de 2,5% do seu lucro anual diretamente na prática da caridade).

Tenho um amigo muito racionalista, cético porém completamente assumido ser shintoísta, como ele diz: nascer japonês é nascer shintô.

Há alguns meses li “A ciranda das Mulheres Sábias” de Clarissa Pínkola Estés, que também falava da tradição. Jung trazia o conceito do inconsciente coletivo e dos arquétipos vinculado às tradições.

O fato é que as tradições costuram as relações: é pela tradição que unimos os novos aos mais velhos, cria-se o respeito, a história, a continuidade, a compreensão, aflora a maturidade diante da identificação, irradia amor.

A tradição nos dá perspectiva, nos diz de onde viemos, o que podemos esperar, o que podemos mudar. A tradição fortalece as raízes e rejuvenesce os brotos de folha dessa árvore chamada vida, humanidade. É a seiva que circula e mantém.

Pra hoje e daqui pra frente, lembremos: As Tradições costuram as Relações, é o que as faz perdurar com amor e respeito.

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Planos B


Fiquei a pensar hoje, o quão terrível é uma vida repleta de planos B.

Ter um plano B, não é ser organizado, responsável e “pensar em tudo”. Na verdade, quem pensou em um plano B, admitiu primeiramente a si mesmo, que, apesar de todo seu esforço e competência, esmero e dedicação para executar determinada tarefa ou plano… é falível.

Sim, ter um Plano B é dizer que o plano A pode não ser tão bom, pode não dar certo, está cercado de “e se…”.

O plano B é a aposta solitária na noite insone de que todo seu esforço podia ser vão, inútil, pode ser arrebatado a qualquer instante.

Plano B é insegurança, não virtude.

Plano B é sombra, tumulto. Sorrateiro, é um ladrão! Pois a qualquer momento, ele pode simplesmente ser o substituto do plano A.

Refletindo sobre essas questões, anotei para mim mesma o quão terrível é uma vida cheia de planos B, cheia de inconstâncias, receios, temores, dúvidas, falhas.

O plano B pode até substituir o plano A, mas nunca terá sido a primeira opção, mas a reserva, o cálculo, aquilo que se manteve escondido, mesmo acalentado, até que a primeira opção não servisse mais, não coubesse mais.

Como dizia meu ex-marido: o segundo lugar é sempre o primeiro que perdeu.

E emendo: ainda que leve o troféu, caso A não o possa/queira receber, o plano B terá sempre a memória de que não era o A.

Só não era. Não era o primeiro pensamento, não era a primeira opção, não era o queridinho que recebia todo o mérito de parecer perfeito!

O Plano A sempre vai ter isso, ainda que B ganhe a parada.

Num mundo cheio de planos B (ou todo o alfabeto) eu só tenho um desejo hoje: Não ter segundas opções.

Que todos os meus amores, planos, projetos, rascunhos, se concretizem, se tornem constantes, sejam exatamente o que foram pensados e sentidos para ser. Não quero ter opções, não quero ser opção, eu quero viver com a calma, a fé, o amor e a esperança de que eu escolhi, pensei, senti, desejei o mesmo que Deus planejou pra mim.

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O que é do homem, o bicho não come


“O que é do homem, o bicho não come. Se comer, devolve. Se não devolver, não era pra ser.”

Demorei a entender a simples verdade de que o que não é seu, não fica com você. Mas o que está escrito para ser, será (Maktub!)!
É tão simples, mas nos apegamos à ideia de possuir nosso próprio desejo e seu objeto.
As sensações são uma armadilha voraz e sutil ao mesmo tempo. Cega o entendimento e causa dor.
O discernimento porém de entender a simplicidade das Leis Divinas para nosso viver, é remédio eficaz.
Em todas as religiões há a mesma advertência do ditado que usei para abrir essa crônica.
Não se permita a tentação dos sentidos, a ilusão do apego.
O que Deus tem para você é o que você precisa ter.
E sempre vem no tempo de Allah (glorificado seja!)!

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Intrusa em ti


A mistura entre a felicidade e a paz,
Está em teu nome.
E também tempestades e hecatombes.
A mistura entre o sorriso e a pressa,
Entre a poesia e a lágrima,
Entre a música e a palavra,
Teu nome está entre tudo isso.
Teu nome é lúdico.
É a refrega e o abate,
É a dor, o desastre,
E é a redenção e és único.
Em teu nome, cabe um mundo!
Desconhecido, desassombrado,
Calmo e também tumultuado.
Teu nome passa devagar em meus lábios,
E eu sorrio para isso.
Em teu nome está a beleza e a história,
A arte e a memória,
O sabor e a textura…
E o pronuncio sem usura…
O teu nome preenche minha agenda,
Minha memória e minha lenda.
O teu nome.
E em teu nome, eu caibo, muda…
E medito até faltar o ar…
Pois para entendê-lo, preciso de tua ajuda.
Me segura! Ajuda-me a comprender as tuas dúvidas,
Ajuda-me a ler a ti calado,
A observar teu sono e teu passo…
Ajuda-me a não ser uma intrusa.

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Arte do Mato: Turismo Ecológico na Amazônia


Oi pessoal!
Saindo um pouco das poesias e indo para as utilidades…
Hoje eu deixo essa #superdica para vocês: Arte do Mato (em Manaus), Turismo Ecológico.
Pensou em conhecer a Amazônia, contato com a Natureza, explorar seu lado selvagem, se aventurar de uma forma segura e com profissional capacitado… Clica lá!
Eu já dei meu 👍 !
Www.facebook.com.br/ArtedoMato/
#dicadabióloga #aquitambémtem
#destinosdiversos

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No Caminho com Maiakóvski – Eduardo Alves da Costa


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

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Ironias


Uma amiga pergunta o que eu espero do crush DELA.
“-Amiga, ultimamente eu só espero ônibus, porque é o jeito. E até eles custam a passar.
No teu crush, eu não jogo nem água quente, para não perder o café.”

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Dor Mortal


Fiz minha cama com espinhos
Agora não sei deitar,
Não quero sentir frio,
Nem me embrulhar.
Quero que amanheça
Pra não querer tudo encerrar.
Minha noite está tão longa,
A vigília me entorpece.
Já não sinto meus membros,
Ou os tenho em grande dor.
Não me falem de Amor,
Não me lembrem esperança,
Tenho apenas a espada da Fé
Embainhada e uma lança,
Para espantar as feras noturnas
Que rosnam em meu arraial.
Oh Deus, pelo Cristo eterno, rogo:
Dá-me logo meu final!

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A Mulher de 30 anos


A mulher de trinta anos não é só para os homens, mas também um mergulho para outras mulheres.
Ela ainda não sabe tudo, para ser a tia ou a avó.
Ainda está aprendendo a ser mãe.
Mas já têm experiências suficientes para ser a amiga que não inveja, a irmã mais velha que tantas vezes nos falta.
A mulher de trinta anos não é só a balzaquiana dos amores, do calor, do tesão apimentado com as doses profundas e equilibradas para os homens de 20 e de 50.
Ela é muito mais.
Ela consegue ter a paciência e a impaciência necessárias com suas pupilas.
Às vezes é necessário ter uma dose de agito, de “acorda!”.
Mas como eu disse, ela ainda precisa das lobas à sua frente.
Viver, para uma mulher que busca ser consciente de quem é e sua participação na vida, é uma viagem, e não envelhecer, mas se conhecer e se encontrar.
Já tive vinte e poucos e tive a bênção dessa amiga de trinta e poucos.
Hoje estou nos 30 e poucos e estou de mãos dadas na ciranda da vida, com as lobas, as tias, as avós, e também com as irmãs mais novas, com as filhas e sobrinhas que a vida – e não o sangue – me deu.
Eu sou muito abençoada, feliz e grata por isso.

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A Mulher de 30 anos


A mulher de trinta anos não é só para os homens, mas também um mergulho para outras mulheres.
Ela ainda não sabe tudo, para ser a tia ou a avó.
Ainda está aprendendo a ser mãe.
Mas já têm experiências suficientes para ser a amiga que não inveja, a irmã mais velha que tantas vezes nos falta.
A mulher de trinta anos não é só a balzaquiana dos amores, do calor, do tesão apimentado com as doses profundas e equilibradas para os homens de 20 e de 50.
Ela é muito mais.
Ela consegue ter a paciência e a impaciência necessárias com suas pupilas.
Às vezes é necessário ter uma dose de agito, de “acorda!”.
Mas como eu disse, ela ainda precisa das lobas à sua frente.
Viver, para uma mulher que busca ser consciente de quem é e sua participação na vida, é uma viagem, e não envelhecer, mas se conhecer e se encontrar.
Já tive vinte e poucos e tive a bênção dessa amiga de trinta e poucos.
Hoje estou nos 30 e poucos e estou de mãos dadas na ciranda da vida, com as lobas, as tias, as avós, e também com as irmãs mais novas, com as filhas e sobrinhas que a vida – e não o sangue – me deu.
Eu sou muito abençoada, feliz e grata por isso.

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